UOL/FOLHAPRESS O prefeito de São Paulo Ricardo Nunes (MDB) disse que irá recorrer da decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo que determinou a reabertura do serviço de aborto legal no Hospital Municipal e Maternidade Vila Nova Cachoeirinha, na zona norte. A informação foi confirmada pela Prefeitura ao UOL. Decisão teria sido tomada por "área técnica", segundo informou prefeito. "Os médicos que entendem da área da saúde achar melhor fazer em outros quatro locais. Para quê? Eu tinha uma fila de mais de mil mulheres para fazer a cirurgia de endometriose. E aquela unidade era a melhor, tendo em vista a sua infraestrutura e o seu quadro técnico para poder zerar essa fila de cirurgia de endometriose. [Foi] uma ação estritamente técnica dentro da medicina". Prefeito criticou decisão jurídica. "Aonde que a gente pode imaginar que um promotor, que um juiz tem mais capacidade de definir aonde vão ser feito um procedimento médico do que o médico? Não é razoável. E ainda bem que apoiei os meus médicos, meus técnicos da Secretaria de Saúde naquele momento, mesmo com ações do senhor ministro Alexandre de Moraes do STF, discutindo até isso, se interferindo até nisso. Eu mantive o apoio à decisão deles que a gente fez mais de mil cirurgias de endometriose para as mulheres que precisavam". "Não tem outro caminho, a não ser falar para as pessoas: cuidem daquilo que lhe compete. O juiz tinha que ser um pouco mais reservado na sua área jurídica e não ficar discutindo questões que são afeitas exclusivamente à área técnica", disse o prefeito Ricardo Nunes (MDB). Nunes negou interrupção do aborto legal no Cachoeirinha. "Não parou de atender, os que eram feitos na Cachoeirinha passaram a ocorrer em 4 outros hospitais. (…) Foi feita uma readequação para que a gente tirasse mais de mil mulheres da fila de cirurgia de endometriose, que é uma ação super importante." Serviço de aborto legal estava suspenso desde dezembro de 2023. O Hospital Municipal e Maternidade Vila Nova Cachoeirinha era referência no procedimento de aborto legal. No Brasil, a interrupção da pode ser feita legalmente em três casos: gravidez decorrente de estupro, risco à vida da mulher e anencefalia do feto. Tribunal de Justiça de São Paulo determinou ontem a retomada do serviço. Uma ação popular movida por parlamentares do PSOL, sustentou que o hospital era a única unidade municipal que fazia abortos legais sem impor limites não previstos em lei. Segundo a coluna da Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo, a Justiça entendeu que a prefeitura não apresentou justificativas suficientes para a interrupção do serviço e também não apresentou alternativas adequadas.