Anthropic corre o risco de sofrer proibição semelhante à da Huawei após punição do Pentágono

A Anthropic corre o risco de perder uma ampla gama de contratos com o governo dos Estados Unidos depois que o Departamento de Defesa declarou a empresa como um risco para a cadeia de suprimentos — uma designação rara que, até agora, só havia sido atribuída a companhias de países adversários, como a Huawei Technologies, da China. Uma penalidade desse tipo nunca foi aplicada a uma empresa americana, muito menos a uma que esteja na vanguarda de uma nova tecnologia que o próprio governo declarou ser prioridade, segundo especialistas em contratos governamentais e segurança nacional. Para eles, a decisão do Pentágono corre o risco de estabelecer um precedente perigoso para empresas que buscam inovar em áreas como a inteligência artificial, caso da Anthropic. “Usar esse instrumento contra uma empresa doméstica de IA envia um sinal preocupante que pode esfriar a inovação e enfraquecer justamente o ecossistema tecnológico de que os Estados Unidos precisam para se manter competitivos”, disse Morgan Plummer, vice-presidente de políticas públicas da Americans for Responsible Innovation. “Esses poderes foram criados para manter adversários estrangeiros fora das nossas cadeias de suprimentos, não para punir empresas americanas por incluir salvaguardas em suas tecnologias.” A medida ameaça desfazer o contrato de US$ 200 milhões da Anthropic para fornecer ferramentas de IA privadas ao Pentágono e pode impedir a empresa de fazer parcerias com outras companhias em trabalhos de defesa. Embora isso represente apenas uma fração dos US$ 20 bilhões em receita que a empresa projeta para 2026, o rótulo de risco para a cadeia de suprimentos pode lançar uma sombra sobre a companhia, cujas ferramentas de IA rapidamente ganharam espaço no mundo corporativo. A decisão encerra semanas de negociações tensas sobre o acesso à tecnologia da empresa. As conversas fracassaram na semana passada depois que a companhia exigiu garantias de que sua IA não seria usada para vigilância em massa de cidadãos americanos nem para o emprego de armas autônomas. Isso levou o presidente Donald Trump a ordenar que agências dos EUA suspendessem o trabalho com a Anthropic e o secretário de Defesa, Pete Hegseth, a ameaçar aplicar a raramente usada exclusão por risco à cadeia de suprimentos. Para implementar a decisão, o Pentágono está recorrendo a uma medida conhecida como Seção 3252 da lei que rege as forças armadas dos EUA, que permite ao Departamento de Defesa impedir que uma empresa atue como contratada caso seja considerada uma ameaça à cadeia de suprimentos. A lei define risco como a possibilidade de que “um adversário possa sabotar, introduzir de forma maliciosa funções indesejadas ou de outra forma subverter” a tecnologia ou o serviço fornecido. A norma exige que o secretário de Defesa dos EUA siga etapas processuais, incluindo demonstrar o risco à cadeia de suprimentos e provar que medidas menos intrusivas não estavam disponíveis. Hegseth informou o Congresso sobre sua decisão em cartas enviadas aos principais republicanos e democratas dos comitês de Forças Armadas, Apropriações e Inteligência da Câmara e do Senado, segundo correspondências vistas pela Bloomberg. “Essa determinação se baseia, em parte, em uma análise de risco conduzida pelo DoW (Departamento de Guerra) e eminformações de altos funcionários do DoW de que as restrições impostas pela Entidade Abrangida ao uso de seus produtos e serviços introduzem riscos à segurança nacional na cadeia de suprimentos do DoW”, escreveu Hegseth, referindo-se à Anthropic e usando a sigla para Department of War (Departamento de Guerra) — nome que ele agora prefere usar para o Departamento de Defesa.