Dois dos quatro homens presos por suspeita de participação no estupro coletivo de uma adolescente de 17 anos, ocorrido no último dia 31 de janeiro, em Copacabana, na Zona Sul do Rio, tiveram as prisões mantidas, nesta sexta-feira, em uma audiência de custódia realizada na Central de Custódias de Benfica, na Zona Norte. Vitor Hugo Oliveira Simonin e Bruno Felipe dos Santos Allegretti, os dois de 18 anos, haviam se apresentado à polícia, nesta quarta-feira, após terem tido as respectivas prisões preventivas decretadas pela Justiça. Estupro coletivo em Copacabana: veja a linha do tempo com os principais fatos sobre o crime e a investigação Sessenta minutos de violência: relatório da polícia mostra como adolescente foi atraída para apartamento em Copacabana e estuprada Um dia antes, na terça-feira, Mattheus Veríssimo Zoel Martins, se apresentou na 12ª DP acompanhado de advogado e teve o mandado de prisão cumprido. No mesmo dia, João Gabriel Xavier Bertho, se entregou na 10ª DP (Botafogo). Os dois já passaram por audiências de custódia e, a exemplo de Vitor e Bruno, também tiveram as prisões mantidas pela Justiça. Um quinto envolvido no estupro coletivo, um adolescente de 17, que segundo a polícia atraiu a vítima para um apartamento, onde ela foi violentada e agredida, se apresentou à polícia, nesta sexta-feira. Ele teve a apreensão e a internação decretadas pelo juízo da Vara de Infância e Juventude da Capital e se entregou na 54ªDP(Belford Roxo). Suspeitos de cometerem estupro coletivo a uma adolescente em Copacabana Reprodução/ Rede Globo Horas antes de Vitor Hugo se apresentar à polícia, o pai dele, José Carlos Simonin — então subsecretário de Governança, Compliance e Gestão da Secretaria de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos — foi exonerado do cargo. A decisão foi publicada no Diário Oficial após pedido da secretária Rosângela Gomes, encaminhado ao secretário da Casa Civil, Nicola Miccione. Segundo a pasta, a medida buscou “resguardar a integridade institucional e assegurar a condução responsável dos fatos noticiados”. Violência e abuso: corpo marcado e sangrando', relata vítima de estupro coletivo em Copacabana; jovem contou ter levado socos e chutes Vitor foi transferido, ainda nesta quarta, para a Casa de Custódia de Benfica. Ao deixar a delegacia escoltado por policiais, ele foi alvo de xingamentos ainda na calçada, antes de ser colocado no carro da polícia. Nova ordem: Justiça do Rio autoriza apreensão de menor apontado como articulador de estupro coletivo em Copacabana Entre 19h24 e 20h42 do dia 31 de janeiro, câmeras de segurança registraram a entrada e a saída de quatro homens, um adolescente e a vítima em um prédio na Rua Ministro Viveiros de Castro. O que ocorreu no sexto andar foi reconstituído a partir do depoimento da jovem e dos elementos reunidos pela 12ª DP. Segundo o inquérito, a adolescente foi convidada para o apartamento por um jovem de 17 anos, com quem já havia tido um relacionamento. Ela foi sozinha. No elevador, ouviu dele a sugestão de que fariam “algo diferente”. No imóvel — pertencente à família de Vitor Hugo e alugado por temporada — já estavam os outros integrantes do grupo. Estupro em Copacabana: para delegado, adolescente envolvido no caso 'é a mente por trás disso tudo' A jovem relatou que, após ir para um quarto com o adolescente, os demais passaram a invadir o cômodo. Inicialmente, observaram e fizeram comentários. Depois, segundo o depoimento, começaram os toques sem consentimento. Mesmo após protestos, os quatro maiores de idade retornaram ao quarto e, de acordo com o relato, a situação evoluiu para cerca de uma hora de violência sexual e agressões físicas. Ela afirmou ter sido puxada pelos cabelos, agredida com tapas, chutes e socos e impedida de sair quando tentou deixar o local. Disse que continuou sendo violentada mesmo após pedir que parassem. Ao sair do prédio, por volta das 20h25, enviou um áudio ao irmão dizendo que “achava que tinha sido estuprada”. Em casa, contou o ocorrido à avó, que a levou à delegacia naquela noite. O exame de corpo de delito apontou múltiplas lesões — equimoses e escoriações no dorso e nas laterais do corpo, marcas na região glútea e sangramento na genitália — compatíveis com violência física recente. A Polícia Civil do Rio agora apura três casos distintos de violência sexual ligados, ao menos em parte, ao mesmo grupo de jovens da Zona Sul. A revelação da terceira denúncia foi feita pelo delegado Ângelo Lages, titular da 12ª DP (Copacabana). Segundo ele, trata-se de uma vítima menor de idade, aluna do Colégio Pedro II, que relatou ter sido abusada em outubro do ano passado, durante uma festa organizada pela escola. A segunda vítima que procurou a polícia relatou ter sofrido o abuso em agosto de 2023. Na época, ela tinha 14 anos. Em depoimento à polícia, a mãe da jovem contou que o crime foi cometido por três homens, sendo dois deles já identificados no caso de Copacabana: o menor de idade que não teve sua identidade revelada e Mattheus Martins, de 19 anos. Em depoimento, ela contou que foi para o quarto com o menor e os outros dois homens ficaram na sala. Enquanto ela estava beijando o adolescente, os outros homens batiam na porta. De acordo com o documento da polícia, o menor perguntou à vítima se os amigos podiam entrar e alegou que um deles pagaria o carro de aplicativo para ela voltar para casa depois, com o objetivo de coagi-la a abrir a porta. Depois disso, o menor teria tirado a roupa da vítima "contra sua vontade" e iniciado o abuso. O relato da jovem afirma que os demais homens abaixaram a calça e que Matheus teria dado um tapa no rosto da vítima e ordenado que ela fizesse sexo oral. Ela ainda afirmou que integrantes do grupo bateram em seu rosto e deram socos em suas costelas enquanto cometiam o estupro. Ela contou que o episódio durou cerca de 1h30.