Petroleiros bloqueados no Golfo Pérsico pela guerra no Oriente Médio, com uma carga total estimada em 14 milhões de toneladas de petróleo bruto, representam um sério risco ambiental, alertou o Greenpeace nesta sexta-feira. Mais de 68 petroleiros carregados estão afetados pelo bloqueio do Estreito de Ormuz, uma rota marítima crucial efetivamente isolada pela Guarda Revolucionária Iraniana desde o início da ofensiva israelense-americana em 28 de fevereiro, afirmou a organização ambiental em um estudo publicado por sua filial alemã. Brasil: conflito no Oriente Médio eleva pressão sobre diesel e fertilizantes no campo ANP: preços da gasolina e diesel sobem nos postos nesta semana Veja também: agência americana anuncia plano de US$ 20 bilhões para resseguro marítimo no Golfo "Hostilidades e interferências nos sinais de navegação aumentam o risco de acidentes", alertou, acrescentando que, desde o início do conflito, "diversos navios foram atacados". Com base nos movimentos dos navios e em imagens de satélite, o Greenpeace estimou que as 14 milhões de toneladas de petróleo bruto equivalem ao "consumo anual" da Grécia. O relatório também alertou que as águas do Estreito de Ormuz e do Golfo "abrigam ecossistemas frágeis, como recifes de coral, manguezais e pradarias marinhas, que fornecem habitats essenciais para inúmeras espécies". "Em caso de acidente, as populações locais pagarão o preço por uma agressão que viola o direito internacional e serve aos interesses da indústria de combustíveis fósseis", denunciou Nina Noelle, porta-voz da organização, citada no estudo. Initial plugin text Segundo a porta-voz, um derramamento de petróleo "destruiria ecossistemas únicos e seus meios de subsistência por décadas". Nesse sentido, ela pediu "a cessação imediata do uso da força militar, o retorno ao direito internacional e soluções diplomáticas". Apenas nove embarcações comerciais (petroleiros, cargueiros ou navios-tanque), algumas das quais ocasionalmente ocultam sua posição, foram detectadas cruzando o Estreito de Ormuz desde segunda-feira, após os primeiros ataques direcionados contra navios, de acordo com dados do site MarineTraffic analisados pela AFP nesta sexta-feira. Por sua vez, a empresa de análise Kpler estimou nesta quarta-feira que o tráfego de petroleiros pelo Estreito de Ormuz caiu 90% em uma semana.