O Equador bombardeou, com o apoio dos EUA, um campo de treinamentos de uma dissidência das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, na fronteira entre os dois países, afirmou o presidente Daniel Noboa nesta sexta-feira. Os dois governos aliados uniram forças nesta semana em uma ofensiva contra os cartéis do tráfico, que tornaram o país um dos mais violentos da região. Ofensiva: Equador mobiliza 10 mil soldados para reforçar guerra contra o narcotráfico Cooperação: Petro oferece diálogo a Noboa sobre crise entre Colômbia e Equador A ação ocorreu na província de Sucumbios, na Amazônia equatoriana, pouco antes de uma reunião convocada pelo presidente dos EUA, Donald Trump, que tem entre os convidados os líderes de Equador, Argentina, Paraguai, Bolívia, El Salvador e Honduras, todos alinhados ideologicamente ao trumpismo, em Miami. No Instagram, Noboa compartilhou um vídeo mostrando a explosão de uma cabana na margem de um rio, rodeada de vegetação, sonorizado com a música “Psycho Killer”, da banda Talking Heads. “Destruímos o local de descanso de Mono Tole, cabeça dos CDF (Comandos da Fronteira) e uma área de treinamento de narcotraficantes”, dizia um texto publicado por Noboa. Initial plugin text Também é possível ver um helicóptero militar sobrevoando a área antes de pousar ao lado do rio. Segundo as autoridades equatorianas, os Comandos da Fronteira estão ligados ao assassinato de 11 militares durante uma operação contra a mineração ilegal em maio de 2025. Operações interrompidas: Incêndio leva Equador a decretar emergência em sua principal refinaria de petróleo Segundo um porta-voz do Pentágono, “a pedido do Equador, o Departamento da Guerra (Defesa) realizou ações específicas para avançar em nosso objetivo compartilhado de desmantelar redes narcoterroristas”. Na terla-feira, os dois países lançaram operações militares conjuntas contra "organizações terroristas designadas". Segundo o New York Times, soldados das Forças Especiais dos EUA estão aconselhando e apoiando equatorianos em ações contra instalações suspeitas de transporte de drogas e outros locais relacionados. O Ministério da Defesa equatoriano disse que o acampamento tinha capacidade para abrigar 50 pessoas, sem precisar se houve mortos, feridos ou detidos. O local, afirma a pasta, “fazia parte dos anéis de segurança de uma estrutura vinculada ao narcotráfico”. Estima-se que 70% da droga que vem de seus vizinhos Colômbia e Peru circulem pelo Equador. Essa rota, que começou a ganhar corpo na década passada, também está por trás de uma sangrenta guerra entre organizações criminosas, que fizeram a taxa de homicídios no país dispararem nos últimos anos.