Nova voz da F1, Everaldo Marques diz estar realizando sonho: 'Nunca imaginei que um dia estaria narrando na Globo'

O “Você é ridículo!” vai passar a fazer parte constante das manhãs de domingo (madrugadas e algumas tardes também) dos fãs da Fórmula 1 a partir deste domingo no GP da Austrália (1h de Brasília). De volta à TV Globo, a categoria eternizada na voz de Galvão Bueno será comandada nas transmissões por Everaldo Marques. Dono de bordões conhecidos no basquete, no futebol, na NFL e em mais uma penca de esportes na TV paga, Evê, como é carinhosamente apelidado, vai reverberar agora para milhões de pessoas na TV aberta. Não será a primeira vez, é verdade. Por circunstâncias da pandemia, ano da última temporada transmitida pela Globo, Everaldo narrou três corridas. Na ocasião, Galvão, Cléber Machado e Luís Roberto precisaram ser preservados. O narrador estreou no GP da Toscana, o de número mil da Ferrari, que contou com três largadas. Também foi pela sua voz que todos ficaram sabendo do grave acidente do piloto Romain Grosjean, cujo carro pegou fogo após o acidente e paralisou a prova por mais de uma hora. O grande momento, no entanto, aconteceu no GP de Eifel, na Alemanha. Lewis Hamilton venceu a corrida e igualou o número de vitórias (91) de Michael Schumacher, até então o recorde absoluto da F1. A primeira vez que o “Você é ridículo!” foi dito na TV aberta. —Combinei com a chefia que ia fazer uma construção até chegar no “ridículo”. Falei que estava na hora de ir para a TV aberta. A estratégia foi encher o Hamilton de elogios. Foram uns quatro ou cinco elogios até o “Você é ridículo”. Tomei esse cuidado por saber que nem todo mundo estava acostumado com esse bordão — conta Everaldo, que não recebeu tantas críticas. — Tomei mais hate chamando Rayssa Leal. Era uma brasileira ganhando medalha no segundo dia das Olimpíadas, tinha mais gente assistindo. As circunstâncias de 2020 lhe deram a primeira experiência como narrador da Fórmula 1 na TV. Porém, o esporte acompanha a trajetória de Everaldo desde os anos 1990. Em plataformas variadas, ele já foi produtor, redator, repórter in loco e locutor de rádio da categoria. Mas não esperava que um dia assumiria o posto oficial na transmissão da TV Globo. Ele considera o maior desafio da carreira. A Fórmula 1 tem características próprias que exigem extrema atenção do narrador. Isso porque a corrida reúne várias disputas simultâneas ao longo da pista, muitas vezes fora da imagem principal da transmissão. — No futebol, a câmera está sempre na bola. No automobilismo, não. Às vezes, você está vendo uma batalha na tela e outra está acontecendo fora da imagem. O narrador precisa acompanhar várias histórias ao mesmo tempo — explica ele, acrescentando que, além das câmeras que o público vê, o narrador tem acesso a sistemas de cronometragem em tempo real, que ajudam a identificar disputas ou incidentes antes mesmo de aparecerem nas imagens. Além disso, ser o narrador principal da categoria representa um peso histórico. Durante décadas, a F1 esteve associada à voz de Galvão Bueno, que marcou gerações de espectadores brasileiros. — Eu fiquei surpreso e feliz quando soube que seria o narrador principal. A Fórmula 1 sempre foi muito identificada com o Galvão ao longo de 40 anos. Diferente do futebol, que tem muitos jogos por rodada, a corrida é um evento único. Só uma pessoa narra — diz Everaldo, que vê a oportunidade como a realização de um sonho. — Sempre quis ser narrador. Mas nunca imaginei que um dia estaria narrando Fórmula 1 na Globo. A Globo vai transmitir ao vivo 15 GPs da temporada, incluindo o GP de São Paulo. As outras nove corridas vão passar em formato de melhores momentos após o Fantástico. O Sportv transmite todos os treinos livres, classificatórios, além das 24 provas.