Não é de hoje que a parceria entre o diretor Ryan Coogler e o ator Michael B. Jordan tem feito sucesso de crítica e público. Depois dos ótimos “Fruitvale station: a última parada” (2013), “Creed: nascido para lutar” (2015), “Pantera Negra” (2018) e “Pantera Negra: Wakanda para sempre” (2022), em que flertaram com drama, ação, aventura e ficção cientifica, chegou a vez de a dupla trabalhar com terror e musical. “Pecadores” foi uma bela surpresa do ano passado, em que o talento dos dois ficou a serviço de debater temas como o racismo e a importante colaboração mundial da população preta para a música, como a criação do blues, entre outras contribuições que influenciaram diversos gêneros. Maratona: UCI Day Oscar exibe 'O agente secreto', 'Pecadores' e mais indicados a R$ 15 'A noiva!': filme sobre namorada de Frankenstein 'entra para lista dos melhores filmes do ano', diz crítico A trama apresenta dois irmãos gêmeos, ambos interpretados com maestria por Michael B. Jordan, que retornam à sua cidade natal após servir à máfia, dispostos a recomeçar a vida. Lá, eles planejam abrir um bar com música, um negócio que não tinha como dar errado. Eles só não contavam ter que enfrentar um mal ainda maior que o preconceito. Por meio de vampiros, metáfora que não podia ser melhor, Ryan Cooler ilustra uma das questões mais viscerais da sociedade americana, em torno de supremacistas brancos, e também traça um excelente painel sobre a atual política dos EUA. São tantos assuntos importantes que o espectador pode precisar assistir ao longa algumas vezes para pescar tudo. Ao mesmo tempo, Coogler entrega um filme de terror eletrizante, demonstrado que ainda dá para ser criativo e inovador no subgênero vampirismo, e com uma trilha sonora contagiante, tendo como base um elenco em estado de graça. “Pecadores” recebeu o recorde histórico de 16 indicação ao Oscar, sendo um dos favoritos a levar a de Melhor Filme do ano, consagrando o terror, que sempre faz muito sucesso com o público, mas, às vezes, é considerado o patinho feio entre os gêneros cinematográficos.