Aos 81 anos e com mais de cinco décadas de trajetória, Zezé Motta vive um momento de reencontro e reinvenção. Após sua última novela, "O Outro Lado do Paraíso" (2018), e uma participação especial em "Fuzuê", ela retorna ao horário das seis da TV Globo como a benzedeira Dona Menina em "A Nobreza do Amor", que estreia em 16 de março. Bárbara Reis avalia desafios da personagem em 'Três Graças', fala sobre maternidade e congelamento de óvulos: 'Decisão consciente, sem drama' Fernanda Rodrigues fala sobre carreira, negócios e família: 'Não abro mão do tempo com os filhos e o marido' Ambientada em Barro Preto, cidade fictícia no interior do Rio Grande do Norte, a trama apresenta a personagem como uma das figuras centrais do núcleo local — mulher que transita entre o sagrado e o cotidiano, tornando-se referência afetiva e espiritual para a comunidade. Moradora da vila dos colonos do coronel Casemiro (Cássio Gabus Mendes), ela é artesã de cerâmica, parteira e benzedeira. Mais do que isso, funciona como uma espécie de oráculo do lugarejo, procurada nos momentos de dúvida e aflição. Carrega saberes ancestrais e ocupa papel simbólico na engrenagem dramática do folhetim. "Receber esse convite foi especial. Sempre é. Voltar à Globo é sempre gratificante porque essa emissora faz parte da minha história, sou eternamente grata às obras e produções de que já participei aqui. Eu nunca fiquei quatro anos longe da televisão, nesses últimos anos fiz séries, especiais etc. São quatro anos sem fazer novelas. Isso, sim. Voltar a fazer novela tem um significado muito especial para mim, porque a TV sempre foi uma casa onde construí personagens que marcaram a minha trajetória e a vida do público. Existe uma troca muito forte ali", diz ao GLOBO. Zezé Motta comenta retorno à TV Globo e o papel de benzedeira em 'A Nobreza do Amor' Divulgação TV Globo Sobre a construção do papel, que exige escuta, entrega e maturidade cênica, comenta: "Dona Menina é uma mulher cheia de camadas, com força, delicadeza e uma história que atravessa afetos e conflitos. Ela traz desafios porque é dessas personagens que não se explicam de imediato, a gente precisa escutar, entender o silêncio, o tempo dela. E isso me encanta." A conexão com a história também atravessa memórias pessoais. "Depois de tantos anos de carreira, o que me move é justamente isso: encontrar personagens que tenham alma, que digam algo sobre o nosso tempo e que me provoquem como atriz. Dona Menina chegou assim, como um presente e uma responsabilidade ao mesmo tempo. Tem outro lance: ela é parteira, minha avó materna era parteira. Coincidências não existem", afirma. O retorno ao folhetim, no entanto, não é o único movimento de destaque da atriz neste primeiro semestre. Ainda em março, Zezé estreia como protagonista da série original nacional (in)vulneráveis, do Universal+. A produção acompanha a rotina da fictícia UPA Chica Xavier, no Rio de Janeiro, lançando luz sobre os desafios, dilemas e sonhos de profissionais de enfermagem na linha de frente do atendimento público. Criada com uma alta dose de realismo, a unidade funciona como microcosmo das urgências brasileiras e da complexidade do Sistema Único de Saúde. A narrativa se desenvolve a partir da enfermeira-chefe Regina, vivida por Zezé: dedicada, ética e profundamente sensível às fragilidades da população que procura atendimento, ela já poderia estar aposentada, mas resiste às pressões e segue firme no plantão.