Ao chegarem a Nova York, onde receberam o Rings Awards 2025, premiação considerada o “Oscar” do Instagram, que celebra o trabalho de criadores de conteúdo mundo afora, as irmãs Thali, de 32 anos, e Gabi Zukeram, de 30, donas do perfil “Two Lost Kids”, perceberam a potência em que se transformaram. “Tudo na internet é muito guiado por números, e não temos um perfil gigante. Foi uma comprovação de que nosso trabalho está no caminho certo”, diz Gabi. Com pouco mais de 350 mil seguidores, as paranaenses foram as únicas indicadas — e vencedoras — do Brasil e da América Latina em uma lista de 25 nomes. A paixão da dupla? Produzir vídeos artísticos ultracoloridos, com perfume vintage, uma estética só delas e zero inteligência artificial. “É tudo muito perfeito com a IA. Gostamos de algo que lembre a textura do papel, fazemos frame a frame”, destaca Thali. “Definimos nosso conteúdo como algo retrofuturista nostálgico.” Thali Zukeram Divulgação Nascidas em Maringá, as irmãs desenvolveram a veia artística juntas, na infância. Gostavam de organizar desfiles, cantar e se divertiam na frente da câmera, filmadas pelo pai. “Ele é japonês e trouxe de lá o aparelho VHS, quando quase ninguém tinha por aqui”, relembra Thali. Enquanto ela cursou Publicidade, Gabi fez Design Gráfico. Em 2017, foram pioneiras na produção de vídeos no formato vertical e, com a experiência, angariaram parcerias com marcas como Chanel, Dior, Jean Paul Gaultier, Apple, Melissa e Havaianas. Mas além da inovação nas telas, orgulham-se de algo mais importante: a representatividade feminina asiática no ambiente audiovisual. “Alguns clientes queriam o nosso trabalho, na produção, mas com modelos à frente, e dizíamos ‘não’. Muitas meninas nos agradecem por ocuparmos esses espaços”, afirmam elas. Gabi Zukeram Divulgação Para o escritor e especialista em cultura digital André Carvalhal, Thali e Gabi têm rebeldia estética e narrativa únicas. “E isso tudo nasceu no interior do Paraná, e não no eixo Rio-São Paulo, com duas meninas amarelas e sem corpos padrão”, afirma ele, que as entrevistou para seu próximo livro. “Elas revolucionaram a criação de imagem e conteúdo de moda de forma que nenhum outro criador conseguiu superar até hoje.”