GPS e laser: O que são as bombas gravitacionais de precisão que os EUA dizem poder usar contra o Irã

O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, afirmou nesta semana que o país poderá usar bombas gravitacionais de precisão em novos ataques contra o Irã nos próximos dias. Segundo ele, o arsenal americano possui um grande estoque desse tipo de armamento, considerado um dos mais utilizados em operações militares modernas. Voo de repatriação da França retorna após alerta de mísseis no Oriente Médio Guerra no Oriente Médio: imagens de satélite mostram antes e depois da destruição em áreas do Irã após ataques de EUA e Israel As chamadas bombas gravitacionais são lançadas a partir de aviões bombardeiros e não possuem sistema próprio de propulsão. Após serem liberadas pela aeronave, elas seguem em direção ao alvo impulsionadas pela força da gravidade e pela velocidade do avião no momento do lançamento. Apesar do funcionamento aparentemente simples, as versões mais modernas contam com tecnologias que aumentam significativamente a precisão do ataque. Por isso, muitas vezes são chamadas de “bombas inteligentes” ou “bombas guiadas”. Como funciona o sistema de precisão As bombas gravitacionais de precisão são equipadas com sistemas de orientação que podem usar GPS, laser ou outros mecanismos de controle para ajustar a trajetória durante a queda. Após o alvo ser identificado — muitas vezes com auxílio de um feixe de laser — o armamento consegue corrigir o percurso no ar por meio de pequenas aletas móveis instaladas na estrutura da bomba. Esses ajustes permitem atingir pontos específicos com maior precisão. Esse tipo de arma costuma ser utilizado contra alvos estratégicos, como depósitos de armas, veículos militares, centros de comando e controle, além de bunkers e instalações subterrâneas. Segundo o professor de Estudos Estratégicos da Universidade Federal Fluminense (UFF) Vitelio Brustolin, as bombas gravitacionais estão entre os tipos mais antigos de armamento aéreo, mas continuam sendo amplamente utilizadas devido à eficácia. — Bombas de gravidade são as mais simples: são aquelas lançadas de aviões. Muitas delas também são projetadas para penetrar no solo e destruir bunkers, com sistemas de explosão retardada para detonar dentro da estrutura do alvo — explica. Uso histórico e evolução tecnológica Esse tipo de armamento foi utilizado, por exemplo, nos ataques nucleares realizados pelos Estados Unidos contra Hiroshima e Nagasaki durante a Segunda Guerra Mundial. Desde então, o avanço tecnológico permitiu incorporar sistemas de orientação que tornam o impacto muito mais preciso. Hoje, kits de guiagem podem ser acoplados às bombas para permitir controle por GPS ou laser. Modelos semelhantes já foram usados recentemente em operações militares. Em 2025, por exemplo, uma bomba MOP GBU-57 A/B foi lançada contra instalações nucleares subterrâneas em Fordo, no Irã. O uso de bombas gravitacionais exige uma condição fundamental: controle do espaço aéreo sobre o território inimigo. — Essas bombas geralmente são usadas quando existe superioridade ou supremacia aérea, ou seja, quando as aeronaves conseguem sobrevoar o território adversário sem risco significativo de serem abatidas — afirma Brustolin.