O Dia Internacional da Mulher, celebrado amanhã, 8 de março, mobiliza a cidade com uma programação que vai da roda de samba à ópera, do jazz ao microteatro, do mergulho coletivo em alto-mar a experiências gastronômicas criadas especialmente para a data. Em comum, os eventos e as ações espalhados por diferentes bairros colocam as mulheres no centro, como artistas, criadoras, produtoras, chefs e protagonistas de suas próprias narrativas. 'Vai tomando!': mostra no Flamengo reúne obras de artistas do Morro do Santo Amaro Gastronomia como ponto alto: Filial do supermercado Zona Sul em casarão histórico no Catete será inaugurada este mês A retomada da programação musical do Esperança.Eco simboliza bem esse espírito. Depois de se tornar ponto de encontro em Laranjeiras e de ser proibida de realizar eventos, a casa promove no domingo, no Vizinha 123, em Botafogo, uma roda de samba comandada e organizada por mulheres, como a produtora Letícia Maia. — Estamos voltando com a música numa nova casa, que tem a mesma vibe do Esperança. A ideia é tentar realizar esse encontro mensalmente, criar uma formação de resistência com a música e, ao mesmo tempo, dar espaço para os músicos curtirem —explica a chef Verônica Moreira. Verônica Moreira. Chef de restaurante Esperança.Eco Divulgação/Santiago Harte Quem assume o comando da roda é o grupo As Saideiras, formado por Camila Gonzaga, Iris Lacava, Natalia Aisengart e Patricia Palombini. Moradoras de Laranjeiras, mães, cantoras e compositoras, elas defendem maior presença feminina nas rodas de samba. — Nosso objetivo é fortalecer o lugar da mulher na música, já que a maior parte das rodas é composta por homens. Estamos nesse trabalho de formiguinha para mudar isso — diz Patrícia. A noite terá ainda set do DJ Cássio Sá, com seleção de MPB em vinil. Os ingressos antecipados estão à venda até hoje no Esperança.Eco (Rua General Glicério 224) por R$ 30. A partir de amanhã, passam a custar R$ 35 e poderão ser adquiridos diretamente no Vizinha 123 (Rua Henrique de Novais 123). Experiências no mar e culturais Se em Botafogo a celebração ganha forma ao som do samba, na Urca ela se expande pelo mar. A experiência “A mar”, criada pela terapeuta e professora de ioga Branca Messina para o dia 8 de março, convida as participantes a embarcar às 8h rumo às Ilhas Cagarras, com retorno previsto para as 14h. A programação reúne dança, mergulho, música, comidinhas veganas e momentos de partilha, em uma manhã pensada para a conexão e a celebração coletiva. Branca Messina. Terapeuta e professora de ioga promove evento para mulheres no mar, amanhã Arquivo pessoal Para ela, o gesto de reunir mulheres é também uma resposta a um período delicado. — Estamos num momento muito duro, em que as mulheres estão sofrendo ataques diários. Sempre sofreram, mas hoje, com esse alcance a tanta informação, temos isso muito claro e evidente em nossas vidas. Uma mulher morre a cada quatro minutos. Mulheres sofrem abuso, traições, são desrespeitadas, diminuídas diariamente por uma sociedade extremamente machista e patriarcal. E nós, mulheres, precisamos fazer essa diferença, nos curando, nos olhando, nos amando, nos respeitando, respeitando os nossos limites, aprendendo que, sim, podemos amar com limites — avalia Branca. A terapeuta também defende que a transformação começa entre mulheres: — A grande revolução é celebrarmos a nossa vida e nos mantermos vivas, amando com limite, com respeito, com dignidade, com verdade e apoiando umas às outras. O evento custa R$ 200. Pix e mais informações pelo telefone 21 98879-9568. “A mar”. Imagem de edição para famílias do projeto de Branca Messina Divulgação/Branca Messina Nos palcos, a programação se multiplica. A Acaso Cultural, em Botafogo, dedica todo o mês de março a atrações exclusivamente femininas. Hoje, às 20h, Julia Borges apresenta “Julia canta Ella”, em homenagem a Ella Fitzgerald. Amanhã, às 10h, a Oficina Literária “Filhas de Ursula” propõe um debate sobre a presença feminina na ficção científica e na fantasia, seguido de oficina prática. Às 18h, Andrea Dutra leva ao palco “Agora esse mundo é meu — Canções de Fátima Guedes”. Paralelamente, o microteatro ocupa as salas com “E só melhora!”, “Queima e cura” e “Luisa de Medrano”, peças que abordam envelhecimento, relações entre mãe e filha e o apagamento histórico feminino. Chiquinha Gonzaga na Acaso. Maria Luisa Lundberg (à esquerda), Georgia Szpílman e Moises Santos Divulgação/Arthur Moura — Neste mês de março, quando o debate sobre o feminismo, frente a casos tão tristes de feminicídio e estupro, ganha mais relevância, montar uma programação dedicada exclusivamente a artistas mulheres reafirma o compromisso da Acaso Cultural com a valorização das vozes femininas e a criação de ambientes de escuta, reflexão e presença. Todos os espetáculos e as atividades trazem a perspectiva da narrativa feminina, da experiência das mulheres e das discussões que elas querem colocar em pauta — diz Catarina Amaral, diretora-executiva da Acaso. No próximo dia 20, uma sexta-feira, às 20h, a soprano Georgia Szpílman, integrante do coro do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, apresenta no centro cultural o espetáculo “Um encontro com Chiquinha Gonzaga”. Com cerca de uma hora de duração, a montagem presta homenagem à compositora Chiquinha Gonzaga, combinando recital e narrativa histórica em formato intimista. Ao lado de Maria Luísa Lundberg, no piano, e Moisés Santos, no clarinete, Georgia conduz o público por episódios marcantes da trajetória da maestrina, intercalando comentários sobre o contexto político e social do século XIX com a interpretação de obras como “Atraente”, “Lua branca”, “Corta jaca” e “Flor amorosa”. Catarina Amaral, diretora-executiva da Acaso Cultural (à esquerda), e Marcela Miller, responsável pela direção de conteúdo do centro cultural em Botafogo. Divulgação/Leandro Joras Marcela Miller, responsável pela direção de conteúdo da Acaso, detalha o resultado da curadoria: — “Um encontro com Chiquinha Gonzaga” revisita a trajetória artística, política e pessoal da mulher que abriu caminhos para a autonomia feminina nas artes. Há ainda o projeto Solos Femininos, série de monólogos protagonizados por mulheres apresentados todas as quintas-feiras do mês. E a nova temporada do microteatro, que traz narrativas que colocam a experiência feminina no centro da cena. Em Botafogo, festa 100% feminina Pelo terceiro ano consecutivo, o Blue Note Rio, em Copacabana, oferece uma programação exclusiva para o Mês da Mulher, com mais de 30 shows. Hoje, Taryn apresenta “Elas cantam através de mim”, às 20h, e Duda Brack sobe ao palco com “Voz&Solidão” às 22h30. Amanhã, Liz Rosa estreia “O suingue é delas”. Ao longo do mês, a casa tem ainda Alma Naidu, Delia Fischer, Natascha Falcão, Watusi, Sonja, Paola Lappicy e muitas outras artistas. — Buscamos trazer um recorte da música brasileira que celebra as artistas que pavimentaram uma estrada triunfante, enquanto apontamos o futuro da música por meio da nova geração de grandes artistas — comenta Thais Bernardini, responsável pela curadoria. Natascha Falcão. A cantora se apresentará dias 12 e 26 na programação dedicada às mulheres no Blue Note Divulgação/Rikko Oliveira O Bar Tero, em Botafogo, recebe amanhã, às 20h, a cantora e compositora Dandara Ruffier para um show dedicado a grandes intérpretes femininas da música brasileira e do jazz. No repertório, releituras de Marisa Monte, Gal Costa, Dona Ivone Lara, Rita Lee, Ella Fitzgerald e Billie Holiday, entre outras artistas que marcaram gerações. Transitando entre o samba e o jazz, a apresentação também abre espaço para composições autorais. O endereço do Tero é Rua Paulo Barreto 110, e outras informações estão disponíveis pelo telefone 97666-8588. O projeto Brunch no Jardim, que reúne chefs mulheres de diferentes regiões do país em encontros gastronômicos, ganha uma ediçãoespecial amanhã. A iniciativa também celebra os 12 anos do Empório Jardim. Para a ocasião, a chef Paula Prandini recebe Ariani Malouf na unidade da Casa Firjan, em Botafogo, para um brunch em formato de bufê inspirado na culinária libanesa. O cardápio reúne mezzes e pratos quentes como cordeiro e malube, além de sobremesas assinadas por Paula, em uma proposta que une tradição e releituras contemporâneas. O serviço será oferecido em dois horários, ao meio-dia e às 14h30, com valor fixo de R$ 145 por pessoa e bebidas não alcoólicas incluídas. — Sou uma apaixonada por cafés da manhã e brunches, e este projeto é uma forma de celebrar essas paixões junto a chefs que admiro, cada uma trazendo um pouco da sua história e dos sabores do seu lugar — diz Paula. Ariani Malouf. Chef vai preparar um brunch amanhã na Casa Firjan Divulgação/Nat Valentim A celebração continua no próximo fim de semana com a festa Dancin’Delas, que chega à terceira edição no domingo, dia 15, no Bar e Restaurante Surreal, em Botafogo, com uma proposta voltada exclusivamente para mulheres. Inspirado em eventos que ganharam força na Europa, especialmente na França, o projeto foi criado por Daniela Moreira, Erika Rosenblatt e Marcelle Lemos como um espaço de celebração, liberdade e acolhimento, onde o público feminino possa dançar e se divertir sem pressões ou julgamentos. Com trilha sonora pop rock dos anos 1980 e 1990 comandada pela DJ Karla Gasparini, a noite aposta numa atmosfera vibrante e ao mesmo tempo intimista, fortalecendo conexões entre amigas e incentivando o empreendedorismo feminino por meio de sorteios e parcerias com marcas lideradas por mulheres. — Percebemos que faltava um lugar que fosse nosso, onde pudéssemos simplesmente ser, dançar sem que ninguém nos olhe e nos reconectar com nossa própria alegria — afirma Daniela, apoiada pelas duas parceiras. Os ingressos estão à venda na plataforma Sympla, e outras informações podem ser encontradas no Instagram @dancin.delas. Dancin’ Delas. Daniela Moreira, Marcelle Lemos e Erika Rosenblatt, criadoras do projeto Divulgação/Dancin' Delas