Neste mês de março, bonitas exposições podem ser visitadas em São Paulo, Salvador e Brasília. Na capital paulista, é possível conferir, na Vermelho, o pensamento de Marcelo Cidade sobre uma arquitetura que perpassa nossas relações, enquanto, na Marilia Razuk, Thiago Rocha Pitta apresenta paisagens sob reconfiguração visual. Na capital federal, símbolo do modernismo, uma coletiva que reúne a produção desse movimento está em cartaz na Cerrado. Na sede baiana da Galatea, por sua vez, o jovem Gabriel Branco mostra o resultado de sua transição da fotografia para a pintura, com obras que revelam formas dançantes. Na lista a seguir, saiba mais sobre cada uma dessas mostras, atentando-se às datas e aos horários. ‘Modernismos: uma e muitas Brasílias’ Cerrado Galeria Obra de Betty Bettiol, de 1979 Diego Bresani/Divulgação Com curadoria de Carlos Lin, a exposição apresenta um recorte da produção artística durante a formação justamente da cidade onde está sediada. Brasília, símbolo do modernismo já no período de sua construção, entre 1956 e 1960, é vista também como fonte de inspiração para artistas que por ali despontavam ou para lá se direcionavam. A mostra reúne nomes importantes com trabalhos produzidos nas duas décadas seguintes a esse marco. — Brasília em suas primeiras décadas, integra uma produção diversificada de vários artistas de diferentes tendências que marcaram essa fase do modernismo brasileiro — comenta Lin. — Entre as décadas de 1960 e 1970, o sistema das artes na capital estava no início de sua formação e isso abriu muitas novas possibilidades de criação. Entre o abstracionismo, o geometrismo e a figuração, a mostra apresenta também a produção de artistas em plena Ditadura Militar, naquela cidade onde se articulava o poder. A exposição conta com obras de 18 artistas: Ailema Bianchetti, Alfredo Volpi, Athos Bulcão, Betty Bettiol, Bruno Giorgi, Douglas Marques de Sá, Félix Barrenechea, Glênio Bianchetti, Lêda Watson, Maciej Babinski, Marília Rodrigues, Milton Ribeiro, Minnie Sardinha, Paulo Iolovich, Roberto Burle Marx, Rubem Valentim, Solange Escosteguy e Stella Maris. Onde: SHIS QI 05, Chácara 10, Lago Sul, Brasília - DF. Visitação: segunda a sexta, das 10h às 19h; sábados, das 10h às 13h. Quando: até 18 de março de 2026. ‘O cordial, o simpático e o vândalo’ Galeria Vermelho 'Dentro de fora 8' (2025), de Marcelo Cidade Divulgação Marcelo Cidade aparece em um novo capítulo de sua longa caminhada junto à galeria: trata-se da décima individual do artista no espaço. Ele traz sua crítica sociopolítica ao pensar sobre como a arquitetura e os dispositivos urbanos organizam o nosso mundo físico, assim como estruturam as nossas relações, definindo hierarquias e comportamentos. A partir dessa lógica, deixamos de lado a ideia igualitária que deveria nos reger cotidianamente. — A arquitetura lida diretamente com a maneira como usamos os espaços, tanto públicos quanto privados, onde a vida acontece. Discutir os espaços é discutir política — afirma o artista. — As estruturas de poder definem a maneira como vivemos nas cidades, como a arquitetura hostil que se espalha pelas ruas com grades, pontas de lança e pedras, segregando aqueles que vivem nas ruas e impedindo o uso do espaço para bem-estar. O título da exposição, aliás, oferece uma reflexão adicional ao partir do pensamento do sociólogo Sérgio Buarque de Holanda. “Cordial” e “simpático” sintetizam o espaço marcado por proximidades e separações, entre o público e o privado, enquanto o “vândalo” rompe a lógica ao tensionar as estruturas sociais. Acompanha a mostra o texto crítico da curadora Ginevra Bria, que acompanhou o trabalho de Cidade ao longo dos últimos dez anos. Onde: Rua Minas Gerais, 350, Higienópolis - SP. Visitação: segunda a sexta, das 10h às 19h; sábados, das 11h às 17h. Quando: até 18 de abril de 2026. ‘O ovo como uma esfinge’ Galeria Marilia Razuk 'Os pesadelos da terra (Areia)' (2023), afresco de Thiago Rocha Pitta Divulgação Nesta exposição, Thiago Rocha Pitta apresenta um conjunto de pinturas em afresco e aquarelas, além de instalação e escultura. Há uma busca por configurar (ou desconfigurar) nosso entendimento sobre a paisagem a partir de imagens um tanto irreais, com cores vivas, mas de certo modo ainda reconhecíveis. Autora do texto crítico, Camila Bechelany afirma que o artista apresenta uma produção que se distancia da “tradição da paisagem como imagem estabilizada do território”. — Penso a paisagem não como um fundo, mas como um personagem — diz ele, em poucas palavras. Destaca-se na mostra o afresco em que Rocha Pitta incorpora à sua criação artística a técnica na qual se aprofundou durante passagem pela Itália. O método consiste em pintar diretamente sobre a argamassa ainda úmida, fazendo com que o pigmento mineral se fixe quimicamente à superfície durante o processo. Os trabalhos, entretanto, passam por intervenções do artista que fogem à regra de um procedimento praticado há séculos. Onde: Rua Jerônimo da Veiga, 131, Itaim Bibi - SP. Visitação: segunda a sexta, das 10h30 às 19h; sábado, de 11h às 16h. Abertura neste sábado (7), de 11h às 16h. Quando: até 18 de abril de 2026. ‘A luz sem nome’ Galatea Obra sem título de Gabriel Branco, de 2025 Divulgação Trata-se da primeira individual de Gabriel Branco, com um apanhado que traz à tona uma produção que começa a se enveredar também pela pintura. Ao todo, são 10 telas, que revelam formas em geral ovalares e monocromáticas, figuras um tanto eróticas — algo que o artista relaciona a uma criação “energética e corporal”. Ele, entretanto, afirma que é uma referência inconsciente. De toda forma, os arredondamentos seguem o ritmo de uma dança à qual nossos corpos deveriam se acostumar mais. O artista, cuja representação foi anunciada recentemente por esta galeria e que é destaque em participação na ARCOmadrid, tinha uma produção voltada à fotografia. Uma experiência como assistente no ateliê de Paulo Monteiro — que assina o texto crítico da mostra —, porém, influenciou uma forte experimentação com tintas e pincéis. Dessa nova prática, Gabriel faz da luz um “ponto chave de toda a poética”, como afirma Tomás Toledo, sócio-fundador da Galatea, algo que se torna central para o conjunto apresentado. — Já gostava muito da pintura. Então, acho que sempre soube o que queria de verdade… Paulo influenciou bastante ao me dar a oportunidade de acessar os materiais, entender o que é a pintura em si. Foi ele quem me deu a possibilidade de realizar uma transição de forma mais madura — afirma Branco sobre o início de sua nova produção. Onde: Rua Chile, 22, Centro, Salvador - BA. Visitação: terça a sábado, das 11h às 18h. Quando: até 30 de maio de 2026.