Pagu foi sepultada em cemitério em Santos, SP Arquivo AT e Luigi Bongiovanni A musa do modernismo brasileiro, Patrícia Galvão, conhecida como Pagu, terá os restos mortais levados para um túmulo de solo no Cemitério da Filosofia, em Santos, no litoral de São Paulo. O translado será realizado no Dia Internacional da Mulher, celebrado neste domingo (8). A jornalista, escritora e militante se consolidou como um símbolo de resistência, cultura e liberdade. As suas colunas e obras abordavam a defesa das mulheres e injustiças sociais, sendo presa por motivos políticos mais de 20 vezes (veja mais abaixo). ✅Clique aqui para seguir o canal do g1 Santos no WhatsApp. Pagu morreu de câncer em 1962, aos 52 anos. De acordo com a Prefeitura de Santos, ela foi velada na casa onde vivia no Canal 3 e sepultada em uma campa de gaveta no Cemitério da Filosofia, localizado na Praça Ruy de Lugo Viña, no bairro Saboó. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Agora, os restos mortais da jornalista serão levados para um túmulo construído em mármore, próximo da entrada do cemitério. A administração municipal informou que o local escolhido tem como objetivo ampliar a visibilidade e facilitar a visitação. Ainda na campa, serão colocadas fotografias e um QR code que dará acesso a um site sobre a trajetória de Pagu. O destaque será para uma placa de acrílico com uma das frases mais conhecidas da jornalista: "Sonhe, tenha até pesadelo se necessário for, mas sonhe". Homenagem A mudança de campa foi ideia da coordenadora dos cemitérios da cidade, Elen Miranda, que descobriu onde estava a jornalista logo depois de assumir o cargo, em 2025. Ela contou com o apoio do Secretário de Prefeituras Regionais de Santos, Rivaldo Santos. "Eu idealizei isso desde o momento que soube que ela estava sepultada em uma gaveta escondida", contou a coordenadora. "É uma justa homenagem por toda história da Pagu com nossa cidade e o Brasil", destacou ela. Pagu será transferida junto com o marido Geraldo Ferraz em cemitério de Santos, SP Luigi Bongiovanni/Arquivo AT O translado dos restos mortais de Pagu será realizado durante uma cerimônia aberta ao público, às 14h30 deste domingo. Familiares da jornalista, autoridades da cidade e representantes do Centro de Estudos Pagu, da Universidade Santa Cecília (Unisanta), estarão presentes. Marido também vai Um ano depois da morte de Pagu, a Câmara Municipal de Santos deu a honraria da perpetuação da campa de gaveta, o que seguirá para o túmulo de solo. Ou seja, a família da jornalista tem o direito de colocar os restos mortais dos pais, do marido, de irmãos, filhos e netos no mesmo local. Pagu com o escritor Oswald de Andrade (à esq.) e com o jornalista Geraldo Ferraz (à dir.) Arquivo AT Pagu casou com o escritor Oswald de Andrade após ele terminar o relacionamento com a artista Tarsila do Amaral. Após o divórcio, ela oficializou a união com o jornalista Geraldo Ferraz, que foi colocado na campa de gaveta com a esposa em 1979. "Ele também irá para a nova campa. Ela já está exumada, mas ele será exumado e serão transferidos", explicou a coordenadora. Quem foi Pagu? Pagu morreu aos 52 anos, em Santos, SP Arquivo AT Pagu nasceu em São João da Boa Vista, no interior de São Paulo, em 9 de junho de 1910. Em 1946, a jornalista se mudou para Santos, que já conhecia de passar férias na adolescência e de outras passagens da vida adulta, como a prisão na Cadeia Velha em 1931. Entre os feitos no litoral, ela escreveu para o jornal A Tribuna e participou do movimento para a criação do Teatro Municipal de Santos, instalado no centro de cultura, que hoje leva o nome Patrícia Galvão em sua homenagem. "Figura marcante do modernismo e do Movimento Antropofágico, conhecida por sua atuação cultural e visão crítica e inovadora", publicou a Prefeitura de Santos. "Sua vida intensa e engajada refletiu a busca por transformação social e cultural, mantendo relevância até hoje", finalizou. VÍDEOS: g1 em 1 minuto Santos