O Irã enforcava gays sim, MAS…

A coerência é um valor primordial para o homem bom, tanto na vida privada quanto na pública. É bonito se dizer cristão, mas viver genuinamente como um é mais difícil do que falar; assim como é fácil se afirmar um bom pai, difícil mesmo é assumir as responsabilidades integrais da missão; e, na mesma esteira, o mundo está cheio de homens e mulheres que assumem a aliança matrimonial em festas suntuosas simbolizando — entre outras coisas — fidelidade e autossacrifício a serviço do cônjuge. Porém, não poucos são os que se entregam à traição na primeira oportunidade. Se na vida privada a coerência, às vezes, é soterrada na desfaçatez, no encobrimento engenhoso e no silêncio envergonhado, na vida pública é bem mais difícil fazer o mesmo, principalmente quando são muitas as pessoas que sabem da burla, quando outros tantos entendem das táticas dos hipócritas, ou quando ainda se gravam vídeos do flagra ou meramente pavoneando as contradições. Esta semana popularizou-se no X um vídeo antigo de Jones Manuel — militante comunista da jovem guarda — falando sobre o Irã; nele, o comunista diz: “O Irã mata LGBTs, é verdade, enforca pessoas gays, lésbicas. Mas existem boates e bares em Teerã, por exemplo, frequentados por pessoas LGBTs que são marcados como espaços LGBTs”. De novo, para ficar claro: “...Enforca pessoas gays, lésbicas. MAS...”. A incoerência é óbvia, mas cabe salientar: o afago do comunista a um país onde se matam gays simplesmente por serem gays está no “MAS” . O inconcebível “MAS” que sucede o fato “matar gays e lésbicas enforcados” é a sorrateira forma de relativizar o absurdo a fim de criticar um desafeto político. Se existem de fato, em Teerã, bares e boates frequentados por homossexuais, obviamente que são bares e boates clandestinos, devido à notória perseguição oficial dos líderes muçulmanos. Mas pararei aqui. Respeito a inteligência de minha audiência a ponto de não precisar explicar tal coisa. Não me deterei muito no absurdo em si da fala do comunista, mas tal defesa do Irã, apesar de suas práticas obviamente asquerosas, demonstra pedagogicamente o núcleo da mentalidade comunista — muito bem denotado por Orwell como duplipensar. Mas, antes, façamos referência a dois intelectuais da “incoerência-coerente” da esquerda: a apologia do regime islâmico feito por Manuel ecoa Trotsky em seu livreto A Moral Deles e a Nossa , onde ele argumenta que a moralidade comunista, para fazer a revolução, deve necessariamente abarcar mais situações hediondas do que a moral válida aos opositores; ou ainda o Regras Para Radicais , de Saul Alinsky, que, além de ensinar como ser literalmente um criminoso político, ensina também a ignorar coesão racional e a consciência moral. Ou seja, não se enganem, até na incoerência comunista há método, há motivo: cegá-lo para o fato, enquanto convence-o da ilusão. Mas vamos aos fatos, pois para mim eles importam: segundo o Human Rights Watch ( World Report 2026 ), o Irã executou mais 2 mil pessoas em 2025, entre elas inúmeros homossexuais; segundo a Amnesty International, crianças foram condenadas à morte e torturadas sistematicamente em prisões iranianas; e, segundo o Conselho de Direitos Humanos da ONU, desde o início de 2024 mulheres que se opõem ao regime são sistematicamente presas, torturadas e estupradas coletivamente na prisão de Evin. https://www.youtube.com/watch?v=OMWXrqziD3U É para tais coisas que os comunistas estão passando o pano. Um dos trabalhos árduos de todo homem é tentar ser coerente com seus valores, e, por isso, entendo infinitamente mais um asqueroso coerente do que um asqueroso trajando fantasia de humanista. Consigo entender um comunista que assume abertamente estar disposto a enganar a maioria para que creiam em suas cartilhas e propagandas, que abertamente assume que o meio inevitável para que o seu governo se estabeleça é extinguir a liberdade de expressão; entendo o esquerdista que, sem rodeios, diz que para que suas ideias prosperem deve-se antes extinguir quem pense diferente. O que não tolero são os desconstruídos, os “plurais” e “tolerantes” defendendo um sistema de pensamento que nada tolera a não ser a sua agenda; o que não é suportável é o esquerdista sempre disposto a dobrar a realidade para que sua determinação ideológica sobreponha a verdade factual e a liberdade alheia. Esse tipo é o próprio inimigo da civilização, do espírito ocidental democrático. Entendam definitivamente: se, para promover a democracia e as minorias, a sua ideologia pedir para que defenda um país ditatorial que extermina gays e massacra mulheres, essa ideologia está te fazendo de trouxa! Jones disse: “... o Irã mata LGBTs , é verdade, enforca pessoas gays, lésbicas. Mas ...”. Esse é o “mas” do abandono consciente da coerência, da morte da liberdade individual, do assassinato da sensatez. É aqui que começa a retórica vagabunda de todo justificador de ditaduras. Esse é o ponto inflexível que separa aqueles que, de fato, resistem à ditadura e aqueles que só querem uma oportunidade para instalarem a sua. Imaginem só agora se eu dissesse algo como: “Hitler matava judeus sim, MAS...”; ou então “Mussolini ajudou Hitler a matar judeus, MAS...”. Entendem? É relativizando tais coisas hoje que nascem os ditadores de amanhã. + Leia notícias de Cultura em Oeste https://www.youtube.com/watch?v=KthgCey-Loc O post O Irã enforcava gays sim, MAS… apareceu primeiro em Revista Oeste .