Braço direito de Daniel Vorcaro tinha pânico de voltar à prisão

Luiz Phillipi Machado Moraes Mourão, operador central do banqueiro Daniel Vorcaro, demonstrava a interlocutores nos últimos anos uma ojeriza profunda à ideia de retornar ao sistema prisional. O investigado, de 43 anos, atentou contra a própria vida em uma cela da Polícia Federal (PF) em Belo Horizonte na quarta-feira 4, e teve o óbito confirmado nesta sexta-feira, 6, com a conclusão do protocolo de morte cerebral. Segundo informações do jornal O Estado de S. Paulo , Mourão falava abertamente que preferia a morte à prisão, sentimento que se intensificou diante da terceira fase da Operação Compliance Zero. + Leia mais notícias de Política em Oeste Conhecido na capital mineira como "Mexerica" e apelidado de "Sicário" por Daniel Vorcaro, o operador aproximou-se do banqueiro por intermédio do empresário Fabiano Zettel. A relação consolidou-se no âmbito familiar e religioso, uma vez que Mourão frequentava os cultos de Zettel na Igreja Batista da Lagoinha e o amigo casou-se com a irmã de Vorcaro em 2017. A PFl detalha que Mourão coordenava o grupo "A Turma", uma espécie de milícia privada que utilizava métodos de espionagem para servir aos interesses do dono do Banco Master. Histórico criminal e medo do isolamento As investigações revelam ordens diretas de Daniel Vorcaro para que o "Sicário" intimidasse funcionários e desafetos do grupo econômico. Em mensagens obtidas no celular do banqueiro, constam ameaças físicas graves contra jornalistas e críticos do esquema. Mourão, fruto de uma família de classe média de Belo Horizonte, ostentava um longo histórico policial iniciado aos 20 anos. Registros da Polícia Civil de Minas Gerais, datados de 2008, já descreviam sua evolução patrimonial incompatível com a renda legal, fruto de crimes como clonagem de cartões de crédito e receptação de veículos. O Ministério Público aponta que Mourão exercia funções de chefia e coordenação em organizações criminosas voltadas para pirâmides financeiras e lavagem de dinheiro. Em 2020, o operador sofreu uma queda brusca de pressão arterial ao receber voz de prisão no aeroporto de Confins, reforçando o pânico que sentia do ambiente carcerário. Com a confirmação de sua morte, a defesa informou que se manterá em silêncio por respeito aos familiares. A saída definitiva de Mourão do cenário asfixia uma das principais frentes de execução de Vorcaro, enquanto a PF analisa o vasto material de espionagem acumulado pela milícia privada do banqueiro. Leia também: "Chinelo, itens de higiene e roupas: o 'kit preso' recebido por Vorcaro na prisão" O post Braço direito de Daniel Vorcaro tinha pânico de voltar à prisão apareceu primeiro em Revista Oeste .