Pescadores ilegais sequestram e torturam indígena marubo no Vale do Javari

Em mais um episódio que escancara a escalada de violência na Terra Indígena (TI) Vale do Javari, a União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (UNIVAJA) denunciou à Polícia Federal de Tabatinga o sequestro e a tortura de Mateus Aurélio Paiva, indígena da etnia Marubo. O ataque, ocorrido no último dia 3 de março, reacende o alerta sobre a insegurança na região, marcada pelos assassinatos de Bruno Pereira e Dom Phillips em 2022. De acordo com os relatos formais enviados à Polícia Federal e à Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), Mateus viajava com uma comitiva liderada pelo cacique Paulo Francisco Marubo, retornando da cidade de Atalaia do Norte. Nas proximidades da Aldeia Beija-Flor, no alto rio Ituí, o indígena afastou-se do grupo em uma pequena canoa para pescar e prover alimento aos parentes. Ao adentrar um lago, ele foi cercado por um grupo de pescadores ilegais não indígenas. Sob falsas acusações de que teria apreendido materiais de pesca da quadrilha, os criminosos agiram com extrema crueldade. Mateus teve os pés, mãos e boca amarrados e, após ter seus pertences roubados (uma espingarda e um celular), foi abandonado à deriva no meio do rio. A vítima permaneceu imobilizada e exposta a riscos de morte por mais de 24 horas, sendo resgatada com vida pelo grupo de buscas apenas às 15h00 do dia seguinte, 4 de março. A Univaja, por meio de sua procuradoria jurídica e do coordenador-geral Bushe Matis, protocolou pedidos urgentes de investigação e proteção, entre eleas, abertura de inquérito policial pelos crimes de roubo tortura/sequestro e tentativa de homicídio.; pedido à FUNAI para o fechamento imediato do trânsito não autorizado no alto rio Ituí.; articulação com a Força Nacional, IBAMA e Polícia Federal para a desintrusão de acampamentos ilegais na calha do rio; e fortalecimento da Base de Proteção Etnoambiental (BAPE) do Ituí para patrulhamento ostensivo. -- Infelizmente esta tem sido a realidade do território desde 2022, apesar das informações oficiais estarem sendo veiculadas como contrário. Há uma omissão deliberada desde o início de 2023 quando dialogamos com o Estado brasileiro reforçando a necessidade de fortalecimento da presença do Estado em nossa região -- afirma ao GLOBO o procurador jurídico da Univaja, Eliésio Marubo.