ONG que desviou R$ 640 milhões do INSS deve R$ 560 mil à União

A Confederação Nacional dos Agricultores Familiares (Conafer), alvo de investigação da Polícia Federal (PF) por suspeita de desviar R$ 640 milhões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), tem uma dívida ativa de R$ 560 mil com o governo federal . O principal CNPJ da Conafer tem, ao menos, 21 inscrições na dívida com a União. Os valores somados chegam a R$ 560 mil. Desses, R$ 440 mil correspondem a débitos tributários e previdenciários, R$ 105 mil são dívidas trabalhistas e quase R$ 17 mil se referem a pendências com o DF. Carlos Roberto Ferreira Lopes, que é o presidente da ONG, foi o segundo depoente a ter a prisão em flagrante decretada durante depoimento na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do INSS (CPMI) que apura as fraudes no INSS, por falso testemunho. Ele foi liberado horas depois. https://youtu.be/NqVYF4nyo0Q?si=Hm38HVwFC-mb7v6_ A Conafer está no centro das investigações do INSS. Os R$ 640 milhões desviados, segundo investigações da PF, provêm de descontos em aposentadorias feitos ao longo de 2022 a 2025. A Confederação Nacional dos Agricultores Familiares transferiu quase 90% do valor total para empresas de fachada. Núcleos da Conafer A PF identificou três núcleos de atuação dentro da Conafer. O “núcleo político e de apoio” continha o deputado Euclydes Pettersen (Republicanos-MG), considerado pela corporação “a pessoa mais bem paga” entre os receptores de propina da Conafer. O parlamentar é acusado de, em troca de propina, garantir acesso ao INSS, permitindo à Conafer fazer descontos de aposentados e pensionistas, além de blindar as pessoas ligadas à associação de investigações externas. + Leia mais notícias de Política em Oeste De acordo com a PF, Pettersen recebeu ao menos R$ 14,7 milhões de uma lotérica e de uma construtora do interior de Minas Gerais. A Polícia Federal chegou a pedir ao Supremo Tribunal Federal (STF) para monitorar Pettersen com tornozeleira eletrônica. No entanto, o ministro André Mendonça negou a solicitação. Presos pelo esquema A PF, em 13 de novembro de 2025, cumpriu nove mandados de prisão de figuras importantes no esquema de descontos ilegais aplicados em aposentadorias e pensões do INSS. A etapa da Operação Sem Desconto, conduzida pela PF junto da Controladoria-Geral da União (CGU), atingiu diretamente ex-gestores do instituto e dirigentes de entidades que se beneficiavam do sistema fraudulento. A justiça expediu, no total, dez mandados de prisão preventiva e 63 mandados de busca e apreensão, em 17 Estados e no Distrito Federal. As investigações apuram crimes de inserção de dados falsos, organização criminosa, estelionato previdenciário, corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro. O post ONG que desviou R$ 640 milhões do INSS deve R$ 560 mil à União apareceu primeiro em Revista Oeste .