Começou a contagem regressiva para a 98ª edição do Oscar, que acontece daqui a uma semana, no próximo domingo, dia 15. A maior premiação do cinema vai acontecer em Los Angeles, nos Estados Unidos, e será transmitida no Brasil via TV Globo, Globoplay, TNT e HBO Max. Com o Brasil na disputa por quatro estatuetas com “O agente secreto” (sem contar com Adolpho Veloso, que concorre a “Melhor fotografia” por “Sonhos de trem”), a cerimônia pode render alguns momentos históricos. ‘Monstros S.A.’: terceira parte da franquia está em desenvolvimento na Pixar 'Amo o Brasil': um ano após entregar Oscar para 'Ainda estou aqui', Penélope Cruz fala sobre relação com o país Wagner Moura pode se tornar o primeiro ator brasileiro com um Oscar; Ryan Coogler, de “Pecadores”, o primeiro homem negro vencedor de “Melhor direção” — categoria que disputa com Chloé Zhao (de “Hamnet”), que pode se tornar a primeira mulher com duas estatuetas nesta categoria. Veja abaixo uma lista com 11 pessoas que podem fazer história no Oscar: 1. Wagner Moura Wagner Moura no tradicional almoço dos indicados ao Oscar Kevin Winter/Getty Images/AFP O protagonista de “O agente secreto” já fez história ao se tornar o primeiro ator brasileiro indicado ao Oscar. O que significa que, caso ele ganhe, será uma vitória inédita para o Brasil. Wagner também se tornaria o segundo ator latino a ter uma estatueta na categoria de “Melhor ator”. O porto-riquenho José Ferrer (1912-1992) foi o único vencedor até hoje — em 1950, por “Cyrano de Bergerac”. O porto-riquenho Benicio del Toro e o mexicano Anthony Quinn (1915-2001) também já venceram o Oscar, mas na categoria “Melhor ator coadjuvante” — o primeiro, por “Traffic” (2001), e o segundo, por “Viva Zapata!” (1953) e “Lust for Life” (1957). 2. Kleber Mendonça Filho (Brasil) Kleber Mendonça Filho e Walter Salles nos bastidores de "O agente secreto" Divulgação / Victor Jucá “O agente secreto” já fez história ao se tornar o primeiro filme brasileiro indicado em quatro categorias no Oscar — “Melhor filme”, “Melhor filme internacional”, “Melhor direção de elenco” (categoria nova que começa este ano) e “Melhor ator” (para Wagner Moura). Se o filme de Kleber Mendonça Filho for consagrado com o principal prêmio da noite, o de “Melhor filme”, ele será o primeiro longa brasileiro a conseguir tal feito (ano passado, “Ainda estou aqui” foi o primeiro brasileiro a ser indicado na categoria). Caso vença como “Melhor filme internacional”, “O agente secreto” vai repetir o feito de “Ainda estou aqui” (2025), tornando o Brasil vencedor da categoria por dois anos consecutivos — e igualando o país ao número de vitórias da Argentina, o país mais premiado da América Latina na categoria. 3. Adolpho Veloso Adolpho Veloso Reprodução / IMDB O diretor de fotografia paulistano é um dos favoritos na categoria “Melhor fotografia”. Ele concorre por seu trabalho em “Sonhos de trem”, longa do americano Clint Bentley que também foi indicado a “Melhor filme”. Primeiro brasileiro indicado na categoria, Adolpho se tornaria, caso vença, o primeiro brasileiro com o Oscar de “Melhor fotografia”. Curiosidade: “Cidade de Deus” já foi indicado nessa categoria – o diretor de fotografia do longa de Fernando Meirelles, no entanto, César Charlone, é uruguaio. Adolpho já ganhou, neste ano, o Critics Choice Awards, o Film Independent Spirit Award e o prêmio da Associação de Críticos de Cinema de Los Angeles (LAFCA). No Bafta, perdeu para Michael Bauman, de “Uma batalha após a outra”. 4. Autumn Durald Arkapaw Autumn Durald Arkapaw, de "Pecadores", com o prêmio de "Melhor fotografia" da Sociedade Francesa de Cinematógrafos Divulgação/French Society of Cinematographers A cinegrafista americana Autumn Durald Arkapaw, de “Pecadores”, fez história ao se tornar a primeira mulher negra indicada ao Oscar de “Melhor fotografia”. Caso vença, ela se tornaria a primeira mulher (e, consequentemente, a primeira mulher negra) a conquistar o Oscar nesta categoria. Autumn tem ascendência filipina (por parte de mãe) e afro-americana (por parte de pai). Nesta temporada, Autumn já foi premiada em diversas ocasiões. Entre elas, no NAACP Image Award, no New York Film Critics Circle Awards e no National Society of Film Critics. 5. Ryan Coogler Ryan Coogler com o Bafta de "Melhor roteiro original" por "Pecadores", filme que também assina a direção JUSTIN TALLIS / AFP Diretor e roterista de “Pecadores”, Ryan Coogler pode se tornar o primeiro homem negro vencedor do Oscar na categoria “Melhor direção” na história. Mesmo “12 anos de escravidão” (dirigido por Steve McQueen) e “Moonlight” (dirigido por Barry Jenkins) tendo vencido na principal categoria da premiação (em 2014 e 2017, respectivamente), a de “Melhor filme”, seus diretores, ambos homens negros, não levaram a estatueta de “Melhor direção”. Somente seis diretores negros foram indicados ao Oscar em todas as suas 98 edições, e todos homens. Além de McQueen e Jenkins, completam a lista John Singleton (1968-2019), por “Boyz n the Hood” (1992); Lee Daniels, por “Preciosa” (2010); Jordan Peele, por “Corra!” (2018); e Spike Lee, por “Infiltrado na Klan” (2019). 6. Chloé Zhao Chloé Zhao com o Oscar de melhor direção por "Nomadland" Todd Wawrychuk/A.M.P.A.S A cineasta chinesa pode se tornar a primeira mulher a ser duas vezes vencedora do Oscar de “Melhor direção”. Diretora de “Hamnet” (“Melhor filme de drama” no Globo de Ouro e “Melhor filme britânico” no Bafta), ela já tem no currículo o prêmio por “Nomadland” (2021), que também levou nas categorias de “Melhor filme” e “Melhor atriz” (para Frances McDormand). Além dela, as outras duas únicas mulheres que já venceram como “Melhor direção” em 98 edições do Oscar são Kathryn Bigelow, por “Guerra ao terror” (2009); e Jane Campion, por “Ataque dos cães” (2022). 7. Paul Thomas Anderson Diretor Paul Thomas Anderson concorre ao Oscar por "Uma batalha após a outra" Frederic J. Brown / AFP Um dos cineastas mais respeitados do mundo, o americano Paul Thomas Anderson, ou PTA, já foi indicado 11 vezes ao Oscar (sem contar com as indicações deste ano), mas nunca ganhou. “Sangue negro”, um de seus filmes mais celebrados, venceu, em 2008, nas categorias “Melhor ator” (Daniel Day-Lewis) e “Melhor trilha sonora original”. Naquele ano, as estatuetas de “Melhor filme”, “Melhor direção” e “Melhor roteiro adaptado” ficaram com “Onde os Fracos Não Têm Vez” (Ethan e Joel Coen). Caso vença a estatueta de “Melhor direção” no próximo domingo, repetindo o feito que tem conseguido nas principais premiações da temporada, como Critics Choice, Globo de Ouro e Bafta, entre outras, este seria o primeiro Oscar da sua carreira. Por “Uma batalha após a outra”, PTA também concorre a “Melhor roteiro adaptado” e “Melhor filme”. Ao todo, o filme tem 13 indicações. 8. Michael B. Jordan Michael B. Jordan também está na disputa pelo Oscar de melhor ator Valerie Macon / AFP Protagonista de “Pecadores” (filme recordista de indicações ao Oscar, com 16 ao todo), o ator que interpreta irmãos gêmeos no longa de Ryan Coogler ganhou este ano sua primeira indicação ao Oscar. Caso vença, o americano de 39 anos se tornaria o sexto homem negro a vencer a categoria de “Melhor ator” — o primeiro foi Sidney Poitier (1927-2022), em 1964, por “Lilies of the Field”; e, o mais recente, Will Smith, em 2022, por “King Richard”. Michael levou o prêmio de “Melhor ator” no Actor Awards, prêmio do SAG-AFTRA, o sindicato de atores de Hollywood. A premiação é um grande termômetro para as categorias de atuação no Oscar. (Sean Penn e Amy Madigan, que serão citados a seguir, também saíram premiados no Actor Awards em suas respectivas categorias). 9. Sean Penn Sean Penn Patrick T. Fallon / AFP O americano é um dos favoritos deste ano na categoria “Melhor ator coadjuvante” por seu papel no celebrado (e premiado) “Uma batalha após a outra”, de Paul Thomas Anderson. Sean já tem duas estatuetas do Oscar na estante: uma por “Mystic River” (2003) e outra por “Milk” (2008), ambas como “Melhor ator”. Caso vença no próximo domingo, ele se tornaria o quarto homem com três estatuetas do Oscar. O seleto grupo tem, atualmente, Daniel Day-Lewis, Jack Nicholson e Walter Brennan (1894-1974). 10. Amy Madigan Amy Madigan com o "Actor Awards" de "Melhor atriz coadjuvante" pelo terror "A hora do mal" Frederic J. Brown / AFP Uma das favoritas na categoria de “Melhor atriz coadjuvante”, a atriz de “A hora do mal”, de 75 anos, pode se tornar uma das mais velhas a vencer um Oscar. Ela ficaria atrás somente de Jessica Tandy (1909-1994), por “Conduzindo Miss Daisy” (1989) — à época com 80 anos; e Peggy Ashcroft (1907-1991), por “Passagem para a Índia” (1984) — à época com 77 anos. 11. Joachim Trier (Noruega) O norueguês Joachim Trier é diretor e co-roterista de "Valor sentimental" VALERIE MACON / AF A Noruega já teve cinco filmes concorrendo a “Melhor filme internacional” no Oscar. “Valor sentimental”, de Joachim Trier, é o sexto. Caso vençam, esta seria a primeira estatueta do país na história. O filme concorre, ao todo, em nove categorias, incluindo “Melhor filme”, “Melhor direção” e “Melhor roteiro original”. Entre os principais veículos especializados dos Estados Unidos, a disputa na categoria “Melhor filme internacional” parece mesmo estar entre Brasil e Noruega. Para a Variety, “O agente secreto” deve sair vencedor. Já para o The Hollywood Reporter, quem leva é “Valor sentimental”. Para o Gold Derby, a categoria de “Melhor filme internacional” “é a mais acirrada do Oscar” este ano. O portal coloca o longa de Trier em primeiro lugar como provável vencedor, e o filme de Mendonça Filho aparece logo atrás, com “sinais de um apoio focado e apaixonado que pode ser decisivo” entre os votantes.