Consistência de Zubeldía e estreia de Jardim: Fluminense e Flamengo decidem sexto Carioca em sete anos

Já virou tradição. Pela sexta vez em sete anos, Fluminense e Flamengo decidem o título do Campeonato Carioca, hoje, às 18h, no Maracanã. Em alta sob o comando de Luis Zubeldía, o tricolor busca carimbar a ascensão do time com o título estadual para sonhar alto em 2026. Já o rubro-negro quer “esquecer” a conturbada demissão de Filipe Luís e fazer as pazes com a torcida da melhor forma: levantando um troféu logo na estreia de Leonardo Jardim. Mas só um terá final feliz, o que levará a cenários opostos para o restante do ano. Após deixar uma boa impressão no fim da temporada passada, o Fluminense foi ao mercado para fortalecer o elenco — Jemmes, Arana, Savarino, Millán, Castilho e Alisson chegaram — e se colocou entre os melhores times do futebol brasileiro. Afinal, são nove vitórias, dois empates e apenas duas derrotas até aqui. Mas, além dos números, o desempenho chama ainda mais a atenção, principalmente quando o time joga como mandante — igualou o recorde histórico de 16 triunfos seguidos em casa. Trabalho ao rival É o caso da decisão de hoje, com a ressalva de que o público será dividido no clássico — por ter conquistado a Taça Guanabara, o tricolor fica responsável pela operação da partida e tem a prioridade nas escolhas do uniforme e do banco de reservas. Diante dos rivais estaduais, Zubeldía ganhou seis de oito confrontos — incluindo uma vitória por 2 a 1 sobre o Flamengo, na edição passada do Brasileiro — ; já as duas derrotas foram para o Vasco. Além disso, o Fluminense é o rival que mais deu trabalho para o Flamengo nos últimos anos. Prova disso é que o tricolor venceu 14 vezes, perdeu 16 e empatou 11 dos 41 Fla-Flus disputados desde 2019, quando o rubro-negro, ao lado do Palmeiras, distanciou-se financeiramente dos demais clubes brasileiros. Além disso, se o título vier, o Fluminense poderá se dar ao luxo de dizer que levantou um troféu em seu primeiro grande teste na temporada e passar o recado de que tem realmente condições de bater de frente nas principais competições. Por outro lado, uma derrota para o rival pode gerar desconfiança em relação à competitividade do time. Depois da eliminação para o Vasco na semifinal da Copa do Brasil de 2025, o vice-campeonato aumentaria a cobrança da torcida. Mas nada disso, afirma o lateral-direito Samuel Xavier, invalida o que foi construído pela equipe até aqui. — Confiamos em todos os companheiros e na comissão técnica. Claro que precisamos seguir evoluindo e crescendo para mostrar que o Fluminense é uma equipe forte. É evidente que não queremos perder. Entramos em todos os jogos para vencer, e este clássico, por ser uma final em jogo único, se torna ainda mais especial para nós — ressaltou Samuel, que pode erguer uma taça pela primeira vez no clube como capitão. Primeiro teste O Flamengo, por sua vez, voltou à estaca zero. Anunciado e apresentado durante a última semana, em uma rápida transição forçada pela demissão repentina de Filipe Luís, Leonardo Jardim chega em meio a uma “sinuca de bico”. Se estrear faturando um título contra um grande rival, muda totalmente a atmosfera em torno de si e ganha legitimidade para trabalhar. Se amargar um vice, que seria o terceiro do rubro-negro em 2026 — junto da Supercopa do Brasil e da Recopa Sul-Americana —, começa definitivamente com um alvo nas costas. O português não tem culpa do que se desenrolou nos bastidores da Gávea e do Ninho do Urubu nos últimos dias, mas é ele quem assume a vaga deixada por um treinador que ganhou cinco títulos — entre eles, o Carioca de 2025, justamente sobre o Fluminense — e comandou o time por mais de cem jogos. A tarefa não é fácil e será acompanhada pelo mau humor de quem não aprovou a condução da saída de Filipe. Jardim é a chamada “solução” para retomar os trilhos das conquistas, na visão da diretoria rubro-negra. Neste ano, a equipe principal acumula seis vitórias, um empate e cinco derrotas, estatística que expõe um início de ano irregular, ao contrário ao do rival. Na última janela, o Flamengo gastou R$ 334 milhões com as contratações de Lucas Paquetá, Vitão e Andrew. O treinador tem problemas a resolver tanto no ataque quanto na defesa, e teve apenas quatro sessões de treino no Ninho do Urubu para tentar dar alguma cara ao novo time. Por ora, o mais importante parece ser conquistar a confiança do grupo. — A primeira impressão às vezes é a que fica. E a nossa primeira impressão com o Jardim foi muito boa. É um treinador que tem suas ideias bem claras, suas convicções e crenças. Independentemente do resultado da final, acredito que o nosso grupo já está treinando bem, recebendo bem as informações e acreditando muito no trabalho dele — disse o volante Jorginho. Com um eventual título, o Flamengo chegaria a 40 conquistas do Carioca. Mesmo que o clube tenha faturado a Libertadores e o Brasileirão no último ano, o contexto dos últimos dois meses fez este torneio ganhar muito mais valor pensando na sequência do calendário.