Há dois anos, Lena Hall, atriz e musicista que atualmente estrela a série “Your friends & neighbors” — cuja segunda temporada estreia em 3 de abril na Apple TV — acompanhou seu amigo, o ator Darren Criss, para assistir a um show da banda cover do Guns N’Roses chamada Guns N’Hoses. Após a apresentação, Charlene Kaye, autodenominada “comediante e musicista” e guitarrista do Guns N’Hoses, estava citando nomes de outras bandas cover que gostaria de criar. Ela mencionou “Labiahead”, banda cover do Radiohead formada só por mulheres, quando Hall levantou a mão. Exigente. Chef de Timothée Chalamet preparava três cafés da manhã para ele no set, o ator comia um e descartava os outros, diz companheiro de elenco de 'Wonka' 'Adeus, cicatrizes!': Atriz de 'The Good Doctor' revela ter sofrido ataque de cachorro e mostra ferimentos graves no rosto — Se você precisar de um Thom Yorke, eu sou a pessoa certa— disse ela. É preciso um tipo específico de vocalista para conseguir capturar o vibrato cru e emotivo de Yorke. Mas Hall, que transita com facilidade entre o rock e o teatro musical, tem o talento necessário. E a devoção: Hall, de 46 anos, é fã do Radiohead desde os 18, quando descobriu o segundo álbum da banda, “The Bends”. Teste com canto Ao longo dos anos, Hall habilmente encontrou maneiras de canalizar seu amor pelo Radiohead em seu trabalho. Em 2016, ela apresentou as músicas da banda no Carlyle, no Upper East Side de Manhattan, com seu colega de elenco de “Hedwig”, Michael C. Hall (sem parentesco), e gravou “Obsessed”, um EP com músicas como “High and Dry” e “Creep”, em 2018. Por coincidência, sua audição para o papel de Ali Cooper, a irmã problemática do personagem de Jon Hamm em “Your friends & neighbors”, incluiu cantar o sucesso “Fake plastic trees”. Crítica: Harry Styles encara a maturidade e acerta em disco fiel a si mesmo Cinema. Onde assistir aos dez longas indicados na categoria de melhor filme do Oscar 2026 — É uma daquelas coisas que você lê e pensa: “Nossa, eu sou perfeita para isso” — disse Lena Hall. — Mas aí você pensa: “Nunca vou conseguir o papel.” Mas ela conseguiu — e sua interpretação da música se tornou uma das cenas mais memoráveis do episódio piloto. Foi também a última vez que ela cantou para seu pai, Carlos Carvajal, um coreógrafo que faleceu em agosto passado. Quando Hall, nascida Celina Carvajal, tinha 7 anos, cantou para o papa durante um balé produzido por seu pai. — Aquele foi o auge da minha carreira, e tenho buscado isso desde então — brincou. Bailarina de formação, Hall pensava que cantar era “uma atividade paralela”, mas passou a considerá-la “uma experiência religiosa, uma iluminação”. Ela cantava em uma banda cover do ensino médio e, em seguida, teve sua chance no teatro musical quando participou de uma audição aberta em São Francisco para a turnê nacional de “Cats”. Hall foi escalada para o papel de Deméter e, aos 18 anos, fez sua estreia na Broadway com o espetáculo. Desde então, Hall tem desfrutado de uma carreira de atriz e cantora nos palcos — incluindo a criação do papel de Nicola em “Kinky Boots” e como Yitzhak em “Hedwig — Rock, amor e traição”, que lhe rendeu um Prêmio Tony — e nas telas, mais recentemente no filme “"Honey, não!” e na série de ficção científica da TNT “Snowpiercer”. Drama. Fim da tutela de Britney Spears não foi o fim das preocupações de fãs e pessoas próximas com ela. Parabéns. Caetano Veloso celebra o aniversário do filho Zeca: 'A voz mais espiritual da minha família' Não é incomum que atores em atividade formem uma banda cover como uma válvula de escape de seus trabalhos principais: Maya Rudolph, atriz e fã de Prince, lidera a banda Princess com sua amiga Gretchen Lieberum. Michael Shannon, ator indicado ao Oscar, e Jason Narducy, guitarrista veterano, estão em turnê nesta primavera para celebrar o 40º aniversário do álbum “Life’s Rich Pageant”, do R.E.M. ‘Honra e glória’ Hall agora faz parte dessa tradição, tendo unido forças com Kaye, de 39 anos, multi-instrumentista que também já se apresentou em bandas não cover, incluindo San Fermin, e em seu projeto solo, Kaye. Tocar música com outras mulheres, disse Kaye, é “um prazer”, especialmente por ter crescido se sentindo a única guitarrista asiática em Scottsdale, Arizona. — Já ouvi homens brancos me dizerem que trago grande honra e glória ao meu povo — disse ela. Ambas as artistas apreciaram o desafio de aprender a tocar as músicas do Radiohead. — Mergulhar no trabalho de alguém te força a observar as decisões que essa pessoa tomou — disse Kaye. — Isso me torna uma artista melhor em todos os outros aspectos do meu trabalho. Ela ficou impressionada com a capacidade de Hall de aprender guitarra rapidamente para o Labiahead: — São partes de guitarra realmente difíceis, e ela as aprendeu em um período tão curto porque é muito dedicada à música. O nome Labiahead sugere, assim como na banda Princess, de Rudolph, que há um elemento cômico na banda. — Só esse nome já atrai qualquer um para a sala por curiosidade— disse Hall. O senso de humor delas ficou evidente no Le Poisson Rouge, no West Village de Manhattan, na semana passada, em um show com ingressos esgotados. Kaye, que demonstrou um senso de humor irreverente e divertido, incentivou o público a “se juntar a nós” e comprar os produtos que ela criou, como a camiseta de manga comprida com o nome da banda estampado na frente e brincadeiras satíricas com títulos de álbuns e músicas nas costas e nas mangas, como “Hymen Dry”, em vez de “High & Dry”, e outros nomes menos apropriados para o grande público. Nas redes sociais, porém, Kaye aprofunda seu conhecimento musical, como quando publicou uma análise satírica da fórmula de composição de Taylor Swift no YouTube. O vídeo alcançou cem milhões de visualizações. — Sempre fui boa em perceber padrões na música, em analisá-los e fazer com que as pessoas entendam, de forma que pareça uma grande piada interna — disse Kaye. — Tenho uma vida inteira de histórias como musicista que me prepararam perfeitamente para ser uma comediante musical. Empoderamento Hall adora tocar com o Labiahead — cujas outras integrantes são Meg Toohey (guitarras, sintetizador), Lexi Bodick (baixo) e Paige Andrews (bateria) — em parte porque se sente empoderada. — Quando uma mulher faz um cover de um artista masculino, isso pode mudar o significado da música — explicou. — É como uma afronta. É divertido participar de algo que inicia uma conversa, é subversivo, poderoso e hilário. Desde sua estreia em maio passado, o feed do Instagram do Labiahead está repleto de fãs implorando para que elas toquem em suas cidades — pelo humor, pela popularidade do material original e porque o Labiahead é uma ótima banda de rock. No show, elas tocaram tanto músicas conhecidas do Radiohead, como “Airbag” e “Paranoid Android”, quanto faixas menos conhecidas, como “Myxomatosis (Judge, Jury & Executioner)”, com precisão técnica e paixão contagiante. Mas, como disse Kaye, “há uma grande vontade de ter mais visibilidade feminina na música, e de mulheres se conectando e se apoiando mutuamente, especialmente neste clima político”. Isso não significa que os homens não estejam percebendo. Nos primeiros shows, o público do Labiahead era majoritariamente feminino; já no show no Le Poisson Rouge, havia muitos homens. Kaye observou isso. — Só quero lembrar a todos vocês, homens héteros, que o Labiahead não substitui a terapia. É um complemento — brincou ela.