Dia da Mulher: conselhos sinceros de um áudio enviado a uma amiga desiludida

Mandei um áudio para uma amiga que andava desolé por causa de um ficante e acabei me estendendo sobre outras coisas, eu parecia uma coach. Durou 8 minutos. Juro. Ela não respondeu. Perdi a amiga, pensei, até que ontem ela surgiu tão alvoroçada pelas minhas palavras que vou aproveitar que é Dia da Mulher e reproduzir o áudio que enviei a ela, com a devida permissão da destinatária (e numa versão editada, prometo). “Garota, o verão terminou e é hora de pensar, pra valer, em 2026. Antes, vamos falar da fantasia que você criou com esse homem sem atrativos. A promessa não se cumpriu, nada prosperou, então chega de desperdício e foca no que ainda não aconteceu, mas vai. Abre teus chacras para a entrada de pessoas que possam gerar um encontro verdadeiro, basta de alimentar o papel de ‘amiguinha’, chega de ser tão educada, de responder mensagens banais. Desaparece, te dedica aos acasos com potencial para virarem acontecimentos. Sei que você não gosta de falar de dinheiro, mas admita: você é sovina. Trate de gastar um pouco. Pare de economizar e vá fazer uma viagem, sua conta não vai zerar e ninguém vai morrer com sua ausência. A passagem do tempo tem que ser enfrentada sem desespero. Daqui a 10 anos você vai sentir saudades de hoje, então mantenha os treinos na academia e a mente ativada, e mesmo que você já não se considere a beldade de antes (maldita autocrítica), ainda assim confie: atrações são despertadas mais pela nossa energia do que pela textura da pele. Cuide da saúde, desligue da aparência. O brilho do seu olhar dá conta. Aquele cara que se apaixonou perdidamente por você alguns anos atrás, lembra dele? É, aquele. Mesmo tendo sido um caso rápido, cheio de senões, nutriu tua alma, havia ali sentimento de verdade, eterno como raramente é. Os mistérios do amor já se apresentaram na tua vida. Você já teve amores longos, curtos, imperfeitos, genuínos, como são todas as relações, então agora o que precisa é fazer as pazes com a paz, chega de se apegar ao supérfluo. Invista na consistência. Respeite sua caminhada até aqui. Sei que você já não enxerga redes de apoio, está frágil e insegura quanto à passagem do tempo, tudo é incerteza em frente. Mas é assim com todo mundo, ninguém contou? Volta para a terapia. Daí que é caro? Abra a mão, criatura. Escuta esse áudio outra vez, agora na velocidade 1, não seja apressadinha. Mais paciência, menos ansiedade. Segue tua vida e, vá saber, talvez um jipe meio sujo estacione em frente à tua casa e alguém te convide para a aventura de ser a mulher que você ainda quer ser. Nova. Não na idade, mas no espírito, que não resseca nem enruga. Beijo!”.