Se a segurança preocupa a todos no Rio de Janeiro, a apreensão é certamente maior entre as mulheres. Nos últimos anos, as academias que oferecem aulas de defesa pessoal feminina viram o interesse aumentar. Entre professores e professoras, é comum ouvir frases sobre metas como aumentar a autoconfiança e fazê-las entender que podem ser capazes de se defender (veja dicas de como agir ao final desta reportagem). Nápoles é aqui: Restaurante de pizzaiolo eleito entre os melhores do mundo e outros dois dedicados ao estilo italiano de fazer pizza abrem as portas na Barra Transporte aquaviário da Barra: Vereadores derrubam veto da prefeitura e mantêm barqueiros tradicionais no novo modelo de Como tradicionalmente ocorre no Dia Internacional da Mulher, a Federação Sul Americana de Krav Maga oferece neste domingo aulas gratuitas para mulheres em suas unidades. Novas turmas poderão ser abertas, dependendo do interesse. Instrutor da unidade Barra, Leo Miller frisa que a modalidade não é uma arte marcial, mas uma forma de defesa pessoal reconhecida mundialmente. — Queremos bater o recorde do ano passado, que foram 15 mil mulheres neste aulão em todo o Brasil. A cada ano aumenta muito essa procura. Hoje, cerca de 30% a 40% dos meus alunos regulares são mulheres. Com uma aula, já conseguimos mudar a pessoa. Não é só golpe, mas postura, reação, visão periférica... — avalia Miller. Alunas de krav magá em aulão oferecido por federação no Dia da Mulher Divulgação/Federação Sulamericana de Krav Maga O krav magá tem um módulo apenas para defesa feminina, com simulações de agarramento, puxão de cabelo e enforcamento, entre outras agressões. Além do trabalho mental. — Não adianta saber o que fazer se você congelar na hora— pontua o professor. 'Responsabilidade terrível': No Rio, Piero Lissoni fala sobre condomínio de luxo que projetou para último terreno livre da Praia da Barra A federação também oferece treinamentos gratuitos para funcionárias de empresas durante todo o mês de março. Em ambos os casos, basta entrar no site e fazer a solicitação. Nesta semana, Miller fez pelo segundo ano seguido um treinamento com faxineiras e camareiras dos hotéis da rede Marriott: — No ano passado, pelo menos 30 das 40 já tinham sofrido assédio. Simulamos situações que elas viveram. Usei técnicas usando o próprio material de limpeza. No quarto, pode acontecer de ter só a camareira e o hóspede. Então elas se sentem mais seguras com o treinamento. Kyra Gracie treina professores e alunos em sua academia na Barra Reprodução/Instagram/@graciekore Também na Barra, Kyra Gracie oferece aulas de defesa pessoal feminina desde que abriu a sua academia, a Gracie Kore, em 2018. Com unidades na Barrinha e no Vogue Square, ela capacita professores e leva a experiência que a fez oito vezes campeã de jiu-jítsu, em modalidades com e sem quimono. Ao longo dos anos, além dos golpes, Kyra incluiu técnicas de inteligência emocional elaboradas com uma equipe multidisciplinar de policiais, psicólogos e pedagogos (ela observa muitos pais levando as filhas ainda crianças para as aulas). Ela tem uma parceria com as polícias: ministra seus cursos para agentes e analisa dados e estatísticas oficiais para orientar suas aulas. — Analisando depoimentos de vítimas e agressores, vemos que uma palavra pode fazer a diferença naquele momento. Por exemplo, é muito mais provável um agressor soltar a mulher se ela disser que há câmeras no local ou que um homem está chegando, em vez de apenas gritar “me solta” — explica ela, que tem feito campanha nas redes para captar alunas com mais de 60 anos. — Preparamos aulas desenhadas para as limitações que temos nesta idade. Antes de obra: MP recomenda que prefeitura não dê licença para corte de 900 árvores em área de novo condomínio na Barra O curso é rápido, com apenas quatro aulas, e tem ainda uma versão on-line, lançada há dois anos. No entanto, muitas alunas se empolgam e acabam se matriculando nos cursos regulares, sempre ministrados em dupla, por um professor e uma professora. Foi o que aconteceu com a fisioterapeuta Candice Menezes, que primeiro colocou os filhos no jiu-jítsu, depois fez o curso de defesa pessoal e agora treina três vezes por semana. — No mundo em que vivemos hoje, percebi que se precisasse me defender em uma situação real, não conseguiria ser efetiva contra alguém mais forte. Nas aulas, vemos que não precisamos de força e sim de técnica. Se sentir segura gera autoconfiança e empoderamento. Outras mulheres a quem recomendei o curso dizem que deveriam ter começado antes — conta. A professora Ana Lucia Moreira (de preto ao fundo) com alunas na sua academia, na Taquara DIvulgação/Boxe Fit Nas redes, Kyra e o marido, o ator Malvino Salvador, criam vídeos semanais sobre o assunto. Em alguns, ela mostra golpes que podem salvar a mulher em determinada situação. Em outras, aborda comportamentos preventivos, de antecipação ao perigo, que podem evitar situações mais graves. Comentando o caso recente de estupro coletivo em Copacabana, ela ressalta que uma sociedade atenta é essencial, e a responsabilidade coletiva precisa estar no centro do debate. — A defesa pessoal feminina não é para transformar mulheres em lutadoras contra vários agressores, porque em situações extremas como essa o mais importante é antecipação, leitura de risco e estratégias de fuga. O objetivo é reconhecer sinais de perigo antes que a situação escale— avalia. — Na semana passada, em uma palestra, uma menina veio, emocionada, dizer que viu meu curso on-line, percebeu que estava num relacionamento abusivo e conseguiu sair. Quero que o golpe seja a última opção. Observatório político: Projeto vai monitorar vereadores com base eleitoral forte em Jacarepaguá Relatos desse tipo a instrutores se repetem. Na Taquara, a professora de boxe Ana Lucia Moreira começou a dar aulas com o objetivo de ensinar defesa pessoal a mulheres há seis anos. Ela aplica as técnicas do boxe sem o sparring (treino de combate) e alguns exercícios emprestados do muay thai. Hoje, passou a chamar o treino de Boxe Fit, já que a perda calórica também é alta. Mas mesmo quem só quer perder peso acaba aprendendo a se defender, diz ela. Como uma aluna que foi agredida pelo próprio marido. — Ela acordou com um soco dele, em uma loucura de ciúmes. Depois ele a foi arrastando para o banheiro. Minha aluna contou que só conseguia pensar nos golpes dos exercícios, então se defendeu e conseguiu fugir — lembra. Ela também ensina as alunas a fazerem leitura corporal: — Digo para elas que o corpo fala. Você consegue identificar um agressor pela maneira como ele está indo até você na rua. Neste Dia da Mulher, Anallu, como é conhecida, posta uma aula de defesa pessoal no seu perfil de Instagram @anallumoreira. Ela também dá aulas particulares de boxe, além de aulões nas praias da Barra e Recreio, uma vez por mês. As datas são divulgadas nas suas redes, e o valor cobrado é simbólico. Orientações dos professores No táxi ou carro de aplicativo, preferir sentar atrás do banco do motorista Evitar sentar no banco da janela, no ônibus. Preferir o corredor, para não ser encurralado Evitar andar no carro com a janela aberta Chamar a atenção do agressor para o fato de haver câmeras ao redor ou estar esperando alguém Ao entrar num ambiente, observar onde se sentar (para rota de fuga) e quais objetos podem ser usados em sua defesa Evitar reagir com tapas e socos, que podem deixar o agressor mais descontrolado Evitar ir para a casa de uma pessoa que não conhece ou acabou de conhecer Observar postura corporal e olhar de quem está no mesmo ambiente Initial plugin text