Janeiro de 2026 marcou o início de ano com o maior índice de letalidade violenta em Niterói nos últimos sete anos. De acordo com dados do Instituto de Segurança Pública (ISP), o município contabilizou 14 mortes violentas naquele mês, sendo nove delas decorrentes de intervenção policial e cinco classificadas como homicídios dolosos. "Parece que é crime ser branco': Post de Ludmilla reacende polêmica entre vereadoras de Niterói após discussão na Câmara Ascensão meteórica: Conheça o Niteroiense F.C., time que busca novos títulos em 2026 O volume de óbitos em janeiro é o mais alto desde 2019, quando 20 casos foram contabilizados. Ao longo de todo o ano anterior, nenhum mês atingiu um patamar de letalidade tão elevado. Na comparação direta com janeiro de 2025, Niterói registrou um salto de 180% nas mortes violentas, que subiram de cinco para 14 ocorrências. A disparidade é ainda maior no recorte das mortes por intervenção policial, em que o índice saltou de apenas um registro no ano passado para nove em 2026, o que configura um aumento de 800%. Para a gestora Jacqueline Muniz, professora de segurança pública da Universidade Federal Fluminense (UFF), os números revelam uma falha estrutural que não pode ser vista como comum. — Uma coisa é convencer a população a naturalizar a vitimização policial, mas isso nunca pode ser tratado como algo rotineiro. A letalidade é o efeito indesejado do trabalho profissional de uma organização armada. Quando os índices estão altos, revelam problemas substantivos, como a própria vulnerabilidade da polícia. Nenhum tipo de trabalho pode normalizar acidentes fatais — diz. O avanço da letalidade é acompanhado pela intensificação de troca de tiros na cidade. Segundo o Instituto Fogo Cruzado, organização que produz dados, pesquisas e conteúdos sobre violência armada, a cidade somou 15 tiroteios apenas em janeiro de 2026. O número é três vezes maior do que o registrado no mesmo período de 2025 e configura o janeiro de maior volume de trocas de tiros desde 2021. Abuso infantil: Mãe denuncia caso em escola municipal de Niterói A base de dados do Fogo Cruzado mostra ainda que a Zona Norte foi a região mais afetada, com o bairro do Fonseca concentrando quase metade das ocorrências, somando seis registros no total. Na sequência, o Centro contabilizou três episódios, seguido pelo Barreto, com dois. São Domingos, Ingá, Engenhoca e Camboinhas também integraram as estatísticas de tiroteios, com um registro cada. PM: ações planejadas De acordo com a gestora da UFF, o aumento no número de mortes é um reflexo direto da maior frequência de enfrentamentos. Ela ressalta que a aceitação desse cenário é prejudicial para os próprios policiais, que não podem estar sujeitos a trocar tiros sempre que saem para trabalhar na rua. A professora destaca ainda que, em anos eleitorais, esses indicadores de violência tendem a oscilar devido ao uso da segurança pública como “mercadoria política”, o que torna o monitoramento desses dados ainda mais crítico. — Quanto maior a letalidade, mais a vida do policial está barateada. Eu não quero policiais heróis, porque normalmente esse policial herói termina em um caixão. Quero policiais profissionais. Não dá para convencer a população de que os policiais estão matando “por nós” ou que são heróis por conta disso, porque isso normalmente faz parte de um discurso político programado — afirma. Quatro exposições simultâneas: MAC Niterói dá a largada nas comemorações pelos 30 anos Na comparação com as cidades vizinhas, os números de Niterói são inferiores aos de São Gonçalo e Rio de Janeiro, que registraram 26 e 124 mortes violentas, respectivamente, em janeiro. No entanto, quando analisada a taxa por cem mil habitantes, Niterói apresenta índices proporcionais de letalidade superiores aos de seus vizinhos. Já o município de Maricá contabilizou apenas uma morte violenta em todo o primeiro mês do ano. A Secretaria de Estado de Polícia Militar (SEPM) informou que as operações realizadas pelo 12º BPM e demais unidades são baseadas em estratégia e inteligência. Em nota, o órgão diz que as ações da corporação são pautadas por planejamento prévio, sendo direcionadas pelas análises das manchas criminais locais e executadas dentro do previsto na legislação vigente. “A corporação destaca ainda que a opção pelo confronto é uma conduta adotada pelos criminosos, que promovem ataques inconsequentes com armamento de guerra não somente contra as forças de segurança do estado, mas também contra toda a sociedade. Somente no mês de janeiro de 2026, no contexto dessas ações voltadas à contenção das disputas territoriais entre facções criminosas, o 12º BPM realizou importantes prisões e apreensões, retirando de circulação sete fuzis e oito pistolas, além de outros materiais ilícitos utilizados por criminosos nas áreas afetadas”, finaliza. Já a Polícia Civil diz que monitora os indicadores criminais e realiza ações diárias, atuando de forma permanente e baseada em inteligência para combater ações delituosas na região. Em nota, a instituição afirma que “todas as mortes decorrentes de intervenção policial na região são registradas e investigadas pela Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí (Dhnsg), com rigor técnico e acompanhamento dos órgãos de controle”. Initial plugin text