Uma das séries mais aguardadas do streaming, “Love story — John Kennedy Jr. e Carolyn Bessette” estreou na Disney+. Agora que isso aconteceu, só se fala... no figurino. Esse interesse febril por cada detalhe do que Sarah Pidgeon veste em cena é eloquente — e não só pelo rigor da reconstituição. Ele também revela algo importante sobre vários outros aspectos da produção. Vem aqui me seguir no Instagram Acompanhar “Love story” equivale a folhear uma revista de celebridades antiga, mas não empoeirada, cujo conteúdo ainda conserva a temperatura. Cada passo do namoro de John com Carolyn (que começou em 1994), do casamento dos dois (em 1996) e, depois, do acidente trágico de avião que os vitimou (em 1999) atraiu todas as atenções e ocupou os jornais. Ninguém espera descobrir uma grande novidade na tela. Ao contrário. A alegria do espectador é reencontrar figuras familiares e ter a chance de confirmar se elas eram mesmo adoráveis e se vestiam com elegância. Love Story - John Kennedy Jr e Carolyn Bessette Divulgação As roupas básicas e minimalistas de Carolyn Bessette não parecem de época. Porém, o fato de as calças, camisas, casacos e sapatos continuarem atuais não diz respeito apenas ao figurino: ele é a expressão simbólica de que aqueles acontecimentos continuam encantando. O fascínio pela vida privada dos Kennedy continua pulsante. Agora, ele está ainda mais aparelhado que no passado: as redes sociais ajudam muito na velocidade da circulação de fotos e de informação. A família segue nos noticiários, seja por razões banais, trágicas ou políticas (lembrando que o atual secretário de saúde dos EUA é Robert F. Kennedy Jr.). O amor dos protagonistas, cheio de idas e vindas, também ajuda o roteiro. A vida de John sempre foi acompanhada de perto pelo público. Quem nunca viu a foto dele, aos três anos, batendo continência diante do caixão do pai, em 1963? Ele cresceu administrando a presença dos fotógrafos. Já Carolyn era reservada e resistiu ao romance por essa razão. Esse é um dos conflitos centrais. Ambos estavam em outras relações quando se conheceram. A namorada dele era Daryl Hannah (papel de Dree Hemingway) no auge do estrelato. A série de Ryan Murphy explora essas vantagens, apesar de às vezes optar por reverenciar seus personagens, evitando zonas de sombra que poderiam torná-los mais complexos e interessantes. Naomi Watts como Jackie O em "Love Story" Divulgação O espectador também tem que se acostumar com as caras e bocas de Sarah Pidgeon. Isso acaba acontecendo, no entanto ela não é a única que entrega um desempenho fraco: Paul Anthony Kelly pode ter o physique du rôle, mas é só. O pior, contudo, é ver Naomi Watts como Jackie Onassis. Ótima atriz em tantos papeis no cinema e nas séries, aqui fica deslocada e não convence. É especialmente constrangedora uma longa sequência do terceiro episódio em que ela dança abraçada a uma pintura de John Kennedy. “Love story” seduz e prende, mas não espere mais que um novelão que atravessa os limites do bom gosto aqui e ali. Há seis episódios na plataforma. Serão nove no total.