A CPI do INSS ouve na tarde desta segunda-feira a empresária Leila Pereira, presidente do Banco Crefisa e do Palmeiras, o CEO do C6 Consignado, Artur Ildefonso Brotto Azevedo, e o presidente da Dataprev, Rodrigo Ortiz D’Ávila Assumpção. Os três foram convocados para prestar esclarecimentos, na condição de testemunhas, sobre a atuação de instituições financeiras e do sistema tecnológico da Previdência em irregularidades investigadas pela comissão envolvendo aposentados e pensionistas. Apesar de as oitivas terem sido aprovadas na forma de convocação — o que em tese obriga o comparecimento — os depoentes ainda podem recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar alterar o formato do depoimento. Em decisões envolvendo outras CPIs, ministros da Corte já determinaram a conversão da convocação em convite, o que desobriga a presença. O Supremo também tem assegurado o direito de permanecer em silêncio em perguntas que possam levar à autoincriminação. A convocação de Leila Pereira foi apresentada pelo relator da CPI, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), após o depoimento do presidente do INSS, Gilberto Waller Júnior. Parlamentares querem esclarecer a atuação da Crefisa, instituição que ganhou protagonismo no sistema previdenciário após vencer o pregão que definiu os bancos responsáveis pelo pagamento de novos benefícios do INSS, concentrando parte relevante dessas operações. Nos requerimentos aprovados pela comissão, Alfredo Gaspar cita levantamento feito na Secretaria Nacional do Consumidor que aponta a Crefisa entre as instituições com maior número de reclamações relacionadas a produtos financeiros voltados a beneficiários do INSS. O relator também menciona que o próprio instituto chegou a suspender cautelarmente novos pagamentos vinculados ao banco após sucessivas reclamações registradas por aposentados e pensionistas. Outro depoimento aguardado é o do CEO do C6 Consignado, Artur Ildefonso Brotto Azevedo, convocado para explicar a atuação do banco na concessão de crédito consignado a beneficiários da Previdência. Segundo os requerimentos aprovados pela CPI, a instituição aparece de forma recorrente entre os bancos com maior número de reclamações na plataforma consumidor.gov.br em operações relacionadas a empréstimo consignado, cartão consignado e reserva de margem consignável (RMC). Dados levantados pelo próprio INSS e citados pelos parlamentares indicam ainda a existência de cerca de 324 mil contratos associados à cobrança de “clubes de benefício”, prática considerada irregular por envolver a inclusão de serviços adicionais vinculados a empréstimos concedidos a aposentados e pensionistas. Já o presidente da Dataprev, Rodrigo Ortiz D’Ávila Assumpção, foi convocado para prestar esclarecimentos sobre a infraestrutura tecnológica que sustenta o sistema previdenciário. Parlamentares querem entender se falhas operacionais, vulnerabilidades de segurança cibernética ou problemas na governança dos sistemas digitais podem ter contribuído para as irregularidades investigadas pela CPI. Nos requerimentos apresentados pelos senadores Marcos Rogério (PL-RO) e Carlos Viana (PSD-MG), presidente da comissão, os parlamentares citam questionamentos sobre a proteção dos dados de beneficiários do INSS e as falhas recorrentes registradas na plataforma Meu INSS, sistema utilizado por milhões de segurados para solicitar benefícios e autorizar operações vinculadas às aposentadorias.