A nova fase da guerra do Irã

A divergência entre Donald Trump, que afirmou que a guerra estava encerrada, e Benjamin Netanyahu, que contestou a declaração, revela mais do que um choque de retóricas: evidencia uma incerteza real sobre como lidar com o Irã. Com tal visão, Uriel Abulof, professor associado de ciência política na Universidade de Tel Aviv, na Escola de Ciência Política, Governo e Relações Internacionais, descreve a Oeste esta nova fase da guerra. Ele não considera que o atual conflito, iniciado em 28 de fevereiro, serve para demonstrar que Israel e os Estados Unidos (EUA) , desde junho de 2025, na primeira onda de ataques, subestimaram a resiliência iraniana. Porém, tem deixado claro que ambos atuam mais para infligir impacto imediato e ganhar apoio doméstico do que com uma estratégia consolidada de longo prazo. + Leia mais notícias de Mundo em Oeste “Há provavelmente divergência, Trump está sob mais pressão para parar, mas não tenho certeza de que ele tenha alguma posição coerente que não possa mudar de um dia para o outro [ou até de hora em hora]”, afirma o professor. Sobre a campanha militar contra o Irã, Abulof explica: https://www.youtube.com/watch?v=6zt-GpRco8o "Como eles não parecem ter uma estratégia substancial, trata-se principalmente de causar muito dano ao regime e torcer para que algo bom saia disso. E pode sair. Na maioria das vezes, acho que eles esperam ganhar apoio doméstico.” As negociações em Genebra entre EUA e Irã, até o dia do ataque, podem ter sido, em parte, uma forma de ganhar tempo. “Trump queria atacar em meio à grande manifestação, e Netanyahu o persuadiu a não fazê-lo", ressaltou Abulof. "Acho que isso provavelmente foi um erro. Aquilo poderia ter sido uma chance de ouro para derrubar o regime." Ameaças vindas do Irã O Irã se diferencia de outros atores hostis à Israel por sua dimensão, capacidade militar e determinação ideológica, ressalta o especialista. “Maior, mais capaz, mais ideologicamente determinado”, resume Abulof. Sobre a ameaça nuclear de países como o Paquistão, que contém o dispositivo, ele comenta: “Imagino que sim, mas provavelmente muito menos do que em relação ao Irã. O principal rival do Paquistão é obviamente a Índia.” Leia mais: "Netanyahu afirma que ofensiva aliada está 'quebrando os ossos' do regime iraniano" Quanto a uma possível operação terrestre no Irã, Abulof pondera: “Não tenho certeza se foi descartada", afirma o especialista. "Pode ser que queiram garantir controle completo antes de lançá-la, mas isso ainda seria muito arriscado, então, de modo geral, é um pouco menos provável no futuro próximo.” Olhando adiante, o professor enfatiza que a ameaça persiste enquanto o regime iraniano permanecer no poder: “Enquanto o regime persistir, é uma grande ameaça para seu próprio povo e para a paz, regional e mundial.” E conclui sobre os ataques recentes: “Não eliminam o risco subjacente”. Mesmo se os ataques enfraquecerem o Irã militarmente, na visão dele, a estabilidade regional depende de mudanças estruturais no governo iraniano. Leia também: "A voz da liberdade" , reportagem de Eugenio Goussinsky publicada na Edição 309 da Revista Oeste O post A nova fase da guerra do Irã apareceu primeiro em Revista Oeste .