Uma mulher que passou mais de duas décadas presa por um crime que não cometeu nos Estados Unidos foi libertada nesta semana. Carmen Mejia, de 54 anos, foi inocentada da morte de um bebê de 10 meses ocorrida em 2003, no estado do Texas, após tribunais reconhecerem que o episódio foi resultado de um acidente doméstico. As informações são do Innocence Project, organização que atuou na revisão do caso. Incêndio em prédio deixa ao menos três mortos na Espanha; duas crianças estão entre feridos Turismo sexual: americano é impedido de entrar na Colômbia com brinquedos sexuais para produção de conteúdo adulto Mejia deixou o Complexo Correcional do Condado de Travis pouco depois da meia-noite de 11 de março de 2026. Embora sua inocência tenha sido reconhecida dois dias antes, ela permaneceu detida temporariamente devido a uma ordem do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE), emitida em razão da antiga condenação. Em 10 de março, porém, a agência informou que revogaria a ordem após a decisão judicial, permitindo sua libertação. “Nunca perdi a fé e a esperança — nunca as perdi em 22 anos”, afirmou Mejia após deixar a prisão à imprensa local. A exoneração ocorreu depois que o juiz P. David Wahlberg, do Tribunal Distrital do Condado de Travis, rejeitou formalmente a acusação de homicídio apresentada contra ela em 2003. A decisão foi baseada em um parecer do Tribunal de Apelações Criminais do Texas, a instância criminal mais alta do estado, que concluiu que novas evidências demonstravam que Mejia era “de fato inocente”. Acidente doméstico reinterpretado pela Justiça O caso teve origem em julho de 2003, quando Mejia cuidava de um bebê de 10 meses em casa, enquanto também estava com seus quatro filhos. Segundo a reconstrução feita anos depois, a filha mais velha tentou dar banho na criança enquanto a mãe amamentava outro filho. O aquecedor da casa, uma residência antiga sem dispositivos modernos de segurança, permitia que a água atingisse temperaturas extremamente altas. Em poucos segundos, a água chegou a cerca de 64 °C, causando queimaduras graves no bebê, que morreu no hospital no mesmo dia. Na época, investigadores e peritos sustentaram que as lesões só poderiam ter sido provocadas intencionalmente por um adulto, tese que levou à condenação de Mejia por homicídio e lesão corporal contra uma criança. Ela recebeu pena de prisão perpétua. Décadas depois, especialistas em queimaduras e segurança doméstica apresentaram novos pareceres afirmando que os ferimentos eram compatíveis com um acidente causado por água excessivamente quente. A própria médica legista responsável pela autópsia revisou sua avaliação e alterou a causa da morte para acidental em 2025. Além disso, depoimentos gravados dos filhos de Mejia — que corroboravam a versão de acidente — haviam desaparecido antes do julgamento original, impedindo que o júri tivesse acesso às imagens. Com base nas novas evidências, especialistas do próprio Estado retiraram depoimentos que sustentavam a hipótese de crime. O tribunal concluiu então que nenhum delito havia ocorrido. Vida marcada pela separação da família A condenação teve impactos profundos na vida de Mejia. Quando foi presa, seus quatro filhos tinham menos de oito anos. Eles foram adotados em um processo fechado e passaram mais de duas décadas sem contato com a mãe. Apenas durante as audiências de revisão do caso, a partir de 2024, três das filhas voltaram a encontrá-la. Agora em liberdade, Mejia afirma esperar reconstruir o vínculo familiar após anos de separação. Apesar da libertação, seu futuro ainda depende de decisões das autoridades migratórias. Nascida em Honduras, Mejia chegou aos Estados Unidos em 1995 e possuía Status de Proteção Temporária (TPS), que lhe permitia trabalhar legalmente no país até sua prisão. O papel do Innocence Project A revisão do caso foi conduzida com apoio do Innocence Project, organização jurídica sem fins lucrativos dedicada a identificar e corrigir condenações injustas. O grupo trabalha com advogados, especialistas e novos recursos científicos para revisar processos criminais e libertar pessoas inocentes, além de promover reformas no sistema de Justiça para evitar erros judiciais.