Haddad confirma que disputará eleições de 2026 em São Paulo, mas só anunciará para qual cargo após deixar Fazenda

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta sexta-feira que participará das eleições de 2026, mas disse que só anunciará a qual cargo concorrerá depois de deixar o ministério, o que, segundo ele, deve ocorrer na próxima semana. — Eu vou participar das eleições. Isso já está definido. O que eu vou anunciar, depois da minha saída do ministério, é a que cargo vou concorrer — afirmou, em entrevista ao programa 20 Minutos, conduzido pelo jornalista Breno Altman. Haddad relatou que, até o fim do ano passado, trabalhava com a perspectiva de não disputar diretamente um cargo eletivo e de atuar nos bastidores da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva, ajudando na formulação de um plano de governo e de desenvolvimento. — Eu estava numa pegada de ajudar no plano de governo, ajudar na campanha. Queria me dedicar a um plano de desenvolvimento — disse. Segundo o ministro, sua intenção era deixar a Fazenda para ter mais liberdade na elaboração de propostas estruturais para o país, com foco em responsabilidade fiscal, social e ambiental. — Eu queria pensar: onde vamos cortar privilégio, desperdício, para onde vamos direcionar esse dinheiro. Ele afirmou que chegou a comunicar ao presidente que preferia não ser candidato e que gostaria de se dedicar a essa agenda fora do governo. — Eu falei para o presidente: eu não vou ser candidato, eu vou fazer isso aqui, se você quiser. Nos últimos meses, porém, Haddad disse que o cenário político mudou e se tornou mais difícil do que imaginava no fim de 2025. — Esses três meses complicaram o cenário. O céu está menos azul do que eu imaginava no final do ano passado — afirmou. Ao comentar a disputa em São Paulo, Haddad disse que vinha avaliando diferentes alternativas, inclusive a possibilidade de apoiar outro nome fora do PT ou estimular uma candidatura nova no estado. — Eu estava explorando essas possibilidades para São Paulo. Sem confirmar diretamente se disputará o governo paulista, Haddad afirmou que a decisão final será tomada em conversa com aliados locais após sua saída do ministério. — Vou sentar com os companheiros aqui de São Paulo. Acho que a gente vai ter gente muito boa aqui, reforços importantes. O ministro também relembrou campanhas anteriores e classificou como difíceis as eleições de 2016, 2018 e 2022. Ao citar a disputa municipal de 2012, quando foi eleito prefeito da capital paulista, afirmou que a coincidência com o julgamento do Ação Penal 470 tornou a campanha especialmente delicada. — Eu não conseguia defender proposta, porque tinha que responder a um julgamento que não tinha nada a ver comigo. Segundo pessoas bem informadas, ao deixar a pasta na próxima quinta-feira, a expectativa é que Haddad seja declarado candidato ao governo de São Paulo. O anúncio está previsto para ocorrer em meio a dois compromissos públicos em São Paulo: pela manhã, na Caravana Federativa, no Expo Center Norte, e à tarde, na Universidade Federal do ABC, durante homenagem póstuma ao ex-presidente uruguaio José Mujica. Nos dois eventos, Haddad estará ao lado do presidente Lula e da ministra do Planejamento, Simone Tebet, que deve disputar uma vaga no Senado por São Paulo nas eleições de 2026. A expectativa é que Haddad aproveite a agenda para fazer um balanço de sua gestão antes de deixar o cargo. A exoneração deve ser publicada no Diário Oficial no dia seguinte. A saída ocorre dentro do calendário exigido pela legislação eleitoral, que obriga ministros interessados em disputar cargos eletivos a deixar o governo até seis meses antes do pleito. No caso de Haddad, a decisão ganhou força depois que pesquisas recentes reforçaram a avaliação de que ele é hoje o nome mais competitivo do campo governista para enfrentar Tarcísio de Freitas, principal liderança adversária no estado. Interlocutores próximos ao ministro dizem que ainda não está definido de que forma a pré-candidatura será explicitada publicamente, porque os dois compromissos previstos têm caráter institucional e há cautela em relação às regras eleitorais. A tendência é que eventual manifestação política ocorra fora dos espaços oficiais. Com a saída de Haddad, Dario Durigan, atual secretário-executivo da pasta e principal auxiliar do ministro na condução da política econômica, deve assumir o cargo de ministro. Durigan é visto no Palácio do Planalto como solução de continuidade, caso Lula confirme a substituição sem buscar um nome externo. Já o vice-presidente Geraldo Alckmin não precisa se desincompatibilizar do cargo para disputar a reeleição na vice-presidência, embora tenha que deixar o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, se houver decisão de permanecer na chapa presidencial. Lula ainda não fechou formalmente a composição de 2026, mas interlocutores afirmam que Alckmin continua tratado como peça central no desenho eleitoral do governo.