Antonio Villeroy destampa a panela do passado no EP '1980's' e nas músicas que compõem 'Cadernos de viagem'

Antonio Villeroy em foto de 1985, restaurada para a capa do EP '1980's', programado para ser lançado em 19 de março Zé Lopes / Divulgação ♫ NOTÍCIA ♬ Feita pelo fotógrafo Zé Lopes, a imagem acima flagra Antonio Villeroy em 1985, com 24 anos, já às voltas com a música. Restaurada por Rique Barbo neste ano de 2026, a foto estampa a capa de “1980's”, EP que o cantor, compositor e músico gaúcho lançará na próxima quinta-feira, 19 de março, com quatro gravações feitas entre 1985 e 1986. Digitalizadas e masterizadas por Marcos Abreu em fevereiro, as quatro músicas restauradas para o EP são “Agilidade e malícia” (composta por Villeroy a partir da junção de dois poemas de Charles Peixoto, publicados em livro dedicado à poesia marginal dos anos 1970), “Blefe” (composta no Rio de Janeiro e gravada em estúdio de Porto Alegre em 1985 com a banda gaúcha CEP 90.00), “Drama” (música feita pelo artista a partir de base do produtor musical conhecido como Raro Efeito) e “Poemas in vento” (composição que batizou show estreado por Villeroy em bar do Rio de Janeiro em 1986). Enquanto volta ao passado musical dos anos 1980 com o EP, Antonio Villeroy revira memórias da infância ao finalizar “Caderno de viagens”, livro autobiográfico ilustrado com músicas inéditas e previsto para ser lançado no fim do ano. Entre as novas canções, há o samba “Eu vi o Beethoven no Wolmer” – inspirado por cena de infância em que o então menino José Antonio imaginou ter visto o compositor alemão em papelaria de São Gabriel (RS), cidade natal de Villeroy – e “Panelinha de pressão”. Inspirada por outro flash da infância, “Panelinha de pressão” descreve o dia em que, aos cinco anos, o menino ouviu pela primeira vez a voz de Maria Bethânia após o estouro de panela de pressão. Era 1966 e Bethânia cantava “Carcará” (João do Vale e José Cândido, 1964). Naquele momento, o menino não teria como imaginar que, 45 anos depois, quando Bethânia gravou o álbum “Maricotinha” (2001), música então inédita da parceria de Antonio Villeroy com Ana Carolina, “Pra rua me levar”, estaria no repertório. Mas nem tudo é passado no repertório de “Caderno de viagens” do artista. Residente desde 2022 em Portugal, precisamente em Estoril, o artista expõe na música “Língua viva” o aprendizado sobre as distinções entre o português falado no Brasil, em Portugal e em ex-colônias lusitanas. Aliás, Antonio Villeroy volta ao Brasil na próxima semana para apresentar no país natal o show “Cenas extraordinárias” em turnê que passa por cinco cidades do Brasil entre 19 de março e 26 de abril. Em roteiro que equilibra músicas novas e antigas, o cantor destampa a panela do passado no show em que celebra 45 anos de carreira iniciada em 1981, ano em Villeroy prestou exame na Ordem dos Músicos do Brasil e passou. Capa do EP '1980's', de Antonio Villeroy Zé Lopes