Exército de Israel bombardeia o sul de Beirute, e Hamas diz que dirigente foi morto em ataque

Um ataque de Israel atingiu o subúrbio sul de Beirute na noite de domingo, informaram meios de comunicação libaneses, depois que o Exército israelense emitiu pela manhã uma ordem de evacuação que abrangia vários bairros da região. Na região de Sidon, no sul do país, um alto dirigente do Hamas teria sido morto em um ataque israelense, segundo uma fonte do grupo palestino ouvida pela AFP. O Hamas é aliado do movimento libanês pró-iraniano Hezbollah. Guga Chacra: Líbano e as armas do Hezbollah Estratégia do Mosaico: Saiba como funciona a guerra assimétrica do Irã contra EUA e Israel e seus potenciais erros de cálculo A agência oficial de notícias libanesa Agence Nationale d'Information informou que uma pessoa morreu em um ataque israelense contra um apartamento em um edifício residencial na cidade de Sidon. De acordo com uma fonte do Hamas que pediu anonimato, o morto seria Wisam Taha, identificado como um alto dirigente do movimento palestino. Também neste domingo, meios de comunicação libaneses relataram que um bombardeio israelense atingiu os subúrbios do sul de Beirute durante a noite. O ataque ocorreu após o Exército de Israel emitir pela manhã uma ordem de evacuação que abrangia vários bairros da região. Correspondentes da AFP na capital libanesa disseram ter ouvido uma forte explosão, a mais recente em uma série de ataques contra o reduto do Hezbollah no sul de Beirute. O Exército israelense também renovou o alerta de evacuação para os subúrbios da área, que têm sido alvo de ataques repetidos nas últimas duas semanas. Ponto de virada: Líbano avalia desarmar o Hezbollah em meio à escalada com Israel No sul do Líbano, capacetes azuis da Força Interina das Nações Unidas no Líbano (Finul) disseram ter sido alvo de disparos três vezes neste domingo, “provavelmente por grupos armados não estatais”. Dois dias antes, outro posto da missão havia sido atingido por tiros que a agência Ani atribuiu a Israel. A Ani informou ainda que o Exército israelense realizou bombardeios contra regiões do sul e do leste do Líbano. Ao mesmo tempo, o Hezbollah afirmou ter conduzido uma série de ataques contra alvos em Israel e contra tropas israelenses posicionadas no sul do território libanês. Segundo autoridades libanesas, o número de mortos pelos ataques israelenses subiu para 850. Mais de 830 mil pessoas se registraram como deslocadas, incluindo cerca de 130 mil que estão abrigadas em refúgios coletivos. O Líbano foi arrastado para a guerra no Oriente Médio em 2 de março, quando o Hezbollah, aliado do Irã, lançou ataques contra Israel para vingar a morte do líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, morto dois dias antes em bombardeios realizados por Estados Unidos e Israel contra o território iraniano. Força Radwan: Unidade de elite do Hezbollah volta ao sul do Líbano para conter avanço de Israel Israel respondeu com bombardeios contra o país vizinho e incursões terrestres em áreas de fronteira. O ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Saar, negou neste domingo que estejam previstas negociações diretas com o Líbano para encerrar o conflito. — A resposta é não — afirmou a jornalistas ao ser questionado sobre a possibilidade de diálogo. Uma fonte libanesa havia declarado no sábado que negociações estavam “na agenda” e que os preparativos para a formação de uma delegação estavam “em curso”, mas ressaltou que seria necessário “um compromisso israelense em favor de uma trégua ou de um cessar-fogo”.