Sean Penn: Melhor coadjuvante, ator falta cerimônia e não recebe estatueta; entenda briga entre artista 'rebelde' e Academia

O ator americano Sean Penn, conhecido tanto por suas atuações intensas quanto por sua postura crítica em relação à indústria do entretenimento, venceu neste domingo seu terceiro Oscar da carreira ao conquistar o prêmio de melhor ator coadjuvante por sua atuação em One Battle After Another. O artista, no entanto, não compareceu à cerimônia da Academy Awards, reforçando sua relação historicamente distante com o circuito de premiações de Hollywood. Oscar 2026: Acompanhe ao vivo o tapete vermelho e a cerimônia que pode premiar 'O agente secreto' Empate no Oscar: Categoria de curta live action premia dois filmes; veja outras ocasiões em que isso aconteceu Penn foi premiado por interpretar o coronel Steven Lockjaw, um militar rígido e atormentado por seu passado, em um papel descrito como ao mesmo tempo cômico e assustador. No filme, o personagem se envolve brevemente com a revolucionária Perfidia Beverly Hills, vivida por Teyana Taylor, e anos depois mobiliza literalmente um exército para impedir que o episódio comprometa suas ambições políticas. O ator Sean Penn em cena do filme 'Uma batalha após a outra' Divulgação A vitória marca a terceira estatueta do ator. Ele já havia vencido o Oscar de melhor ator por "Sobre Meninos e Lobos" e "Milk: A Voz da Igualdade", tornando-se o oitavo intérprete na história da premiação a acumular três troféus. Na categoria deste ano, ele superou o colega de elenco Benicio Del Toro, além de Delroy Lindo, indicado por "Pecadores", Jacob Elordi, por "Frankenstein", e Stellan Skarsgard, por "Valor sentimental". Relação tensa com Hollywood Famoso por performances intensas e desafiadoras, Penn também ficou conhecido por demonstrar desprezo pelo circuito de premiações de Hollywood — o que ajuda a explicar sua ausência na cerimônia deste domingo. Oscar 2026: Jornal inglês elege 'looks mais feios' do tapete vermelho; veja imagens O contraste entre o personagem militar conservador que interpreta no novo filme e sua própria trajetória pública é evidente. Na vida real, o ator tornou-se conhecido por posições liberais e por seu ativismo político e humanitário. Em 2015, por exemplo, ele viajou secretamente a um local clandestino no México para entrevistar o narcotraficante Joaquín “El Chapo” Guzmán pouco antes da prisão do chefe do crime organizado. Penn também manteve amizade com o ex-presidente venezuelano Hugo Chávez e chegou a entregar sua estatueta do Oscar de "Sobre Meninos e Lobos" ao presidente ucraniano Volodymyr Zelensky, afirmando que ela poderia ser derretida “para virar balas que eles possam disparar contra os russos”. Carreira marcada por polêmicas e sucessos Nascido em agosto de 1960, em Los Angeles, Penn é filho do diretor Leo Penn e da atriz Eileen Ryan. Cresceu dentro da indústria cinematográfica que tantas vezes criticaria ao longo da carreira. Ele estreou na Broadway em 1981 com a peça “Heartland” e, no mesmo ano, no cinema com "Toque de Recolher". Ganhou notoriedade como um surfista em "Picardias Estudantis", comédia adolescente de 1982 dirigida por Amy Heckerling. A fama global, porém, veio também de sua vida pessoal. Em 1985, ele se casou com a estrela pop Madonna, com quem contracenou no fracasso de bilheteria "Surpresa de Shanghai", lançado em 1986. O casamento turbulento terminou após quatro anos; em 1987, o ator chegou a cumprir 32 dias de prisão por agredir um figurante de um filme. Apesar das controvérsias pessoais, sua carreira artística seguiu em ascensão. Ele estrelou produções como "As Cores da Violência", ao lado de Robert Duvall, "Pecados de Guerra", dirigido por Brian De Palma, e a comédia "Não Somos Anjos", com Robert De Niro. Penn também se aventurou como diretor. Em 1991, estreou atrás das câmeras com "Unidos Pelo Sangue", drama inspirado em uma música de Bruce Springsteen. Mais tarde dirigiu "Acerto Final", estrelado por Jack Nicholson e Anjelica Huston. Consagração no Oscar Após anunciar que deixaria a atuação para se dedicar à direção, Penn retornou às telas a convite do amigo Tim Robbins, conquistando sua primeira indicação ao Oscar com "Os Últimos Passos de um Homem". Nos anos seguintes, recebeu novas indicações por Sweet and Lowdown e por interpretar um pai com deficiência intelectual em "Uma Lição de Amor". A primeira vitória veio em 2004, com "Sobre Meninos e Lobos", drama dirigido por Clint Eastwood em que vive um pai consumido pelo luto. Cinco anos depois, repetiu o feito ao interpretar o ativista Harvey Milk em "Milk: A Voz da Igualdade", um dos primeiros homens abertamente gays eleitos para um cargo público nos Estados Unidos. Ativismo e causas humanitárias Nos anos seguintes, Penn passou a aceitar menos papéis de destaque, dedicando-se a atividades políticas e humanitárias. Em 2013, organizou uma operação para retirar da Bolívia o empresário americano Jacob Ostreicher, que estava em prisão domiciliar sob suspeita de crime organizado e lavagem de dinheiro. Também liderou campanhas de ajuda após o furacão Katrina em Nova Orleans e após o terremoto de 2010 no Haiti. Com a vitória deste domingo, o ator de 65 anos volta ao centro de Hollywood e passa a integrar um seleto grupo de intérpretes com três Oscars. Entre os homens, apenas Daniel Day-Lewis, Jack Nicholson e Walter Brennan alcançaram o mesmo feito — marca também obtida por atrizes como Meryl Streep, Ingrid Bergman e Frances McDormand, enquanto Katharine Hepburn detém o recorde com quatro estatuetas. Penn tem dois filhos com sua segunda ex-esposa, a atriz Robin Wright.