Se antes youtubers e blogueiras conquistavam público com tutoriais de maquiagem, fotos de looks e resenhas de produtos, hoje muitas vão além: transformam seguidores e engajamento em marcas próprias. O movimento tem levado essas personalidades digitais a lançar produtos e estruturar negócios no competitivo mercado de beleza e varejo online. De influenciadores a empreendedores: especialista explica como brasileiros usam a internet para alcançar independência Entenda como influenciadoras brasileiras estão moldando a nova economia digital O fenômeno não se restringe ao Brasil. Internacionalmente, nomes como Michelle Phan, criadora da EM Cosmetics; Emily Weiss, fundadora da Glossier; Jeanne Damas, com a Les Filles en Rouje; e a maquiadora Lisa Eldridge, que lançou uma linha com o próprio nome, já consolidaram essa transição. O interesse por esse modelo de negócio vem crescendo. Profissionais que estruturam projetos próprios costumam desenvolver um relacionamento mais direto com o público, o que tende a fortalecer o engajamento e a fidelização. No cenário nacional, o movimento ganhou destaque depois que a influenciadora Virgínia Fonseca divulgou números bilionários de faturamento de sua marca de cosméticos, a WePink, no ano passado. O caso chamou atenção para o potencial de transformar audiência em empreendimentos estruturados. Para muitos, porém, essa evolução vai além de publicar fotos e vídeos. Envolve compreender logística, marketing, operação e gestão financeira. Nesse contexto, instituições voltadas à formação de empreendedores passaram a oferecer cursos focados em e-commerce, permitindo que profissionais do universo digital e pequenos negócios testem estratégias de venda e acompanhem os resultados de suas decisões. A Pronix, empresa brasileira de educação voltada para vendas digitais, anunciou a entrada de Hendel Favarin e Josef Rubin, fundadores da Conquer Business School, como novos sócios. Segundo a companhia, a operação busca acelerar a expansão e ampliar o faturamento nos próximos três anos. Hugo Vasconcelos, fundador, afirma que a chegada dos parceiros faz parte do planejamento estratégico. "Não é apenas um novo capítulo, é a entrada de quem já liderou processos de escala consistentes", diz. Segundo ele, o desafio atual para quem atua no ambiente digital não está apenas em conquistar público, mas em estruturar iniciativas com potencial de longo prazo. "Quem quer crescer na internet precisa unir planejamento e execução. Não basta ter audiência; é preciso transformar visibilidade em resultados", afirma. Atualmente, a companhia mantém uma frente própria de vendas online, usada para testar os métodos ensinados nos cursos. De acordo com a empresa, essa atividade movimenta mais de R$ 100 milhões em GMV (Volume Bruto de Mercadorias) e registra cerca de R$ 20 milhões em faturamento anual em marketplaces. A expectativa é alcançar R$ 40 milhões em 2026. Para Hugo, transformar notoriedade em uma atividade sustentável exige mais do que presença online. "Ter visibilidade na internet é apenas o começo. Para sustentar esse crescimento, é preciso estrutura, processos e acompanhamento constante dos resultados, além de planejamento para transformar audiência em um negócio consistente", conclui.