Trump cogita adiar viagem à China e insiste na ajuda de Pequim para abrir o Estreito de Ormuz

O presidente Donald Trump sugeriu que pode adiar sua viagem à China no final do mês, enquanto busca aumentar a pressão sobre Pequim para reabrir o Estreito de Ormuz e acalmar os preços do petróleo, que dispararam durante a guerra com o Irã. Em uma entrevista ao 'Financial Times' neste domingo (15), Trump disse que a dependência da China do petróleo do Oriente Médio significa que ela deveria ajudar na nova coalizão que ele está tentando montar para colocar o tráfego de petroleiros em movimento pelo estreito. Trump disse que "gostaríamos de saber" antes da viagem se Pequim ajudará. "Podemos adiar", disse o presidente na entrevista. O cancelamento da visita presencial com o presidente chinês, Xi Jinping, pode ter suas próprias consequências econômicas. Já que as relações entre Washington e Pequim têm sido tensas e ambos os lados se ameaçaram mutuamente com tarifas acentuadas ao longo do último ano. Os novos comentários de Trump surgiram no momento em que o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, se reunia com o vice-premiê chinês, He Lifeng, na segunda-feira, em Paris, para uma nova rodada de negociações comerciais que preparariam o caminho para a viagem de Trump a Pequim. Os EUA e a China declararam uma trégua, mas os riscos permanecem altos. Nos primeiros dias do conflito no Irã, Trump havia dito que navios da Marinha dos EUA escoltariam os petroleiros pelo estreito e minimizou a ameaça representada pelo Irã. Mas, com a disparada dos preços do petróleo, ele e seu governo foram forçados a considerar novas opções. Neste fim de semana, Trump pediu que outros países se juntem ao esforço com seus próprios navios de guerra. Até agora, nenhum atendeu formalmente ao chamado. Mais cedo, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, disse à CBS que Teerã foi “procurado por vários países” que buscam passagem segura para seus navios e que “cabe às nossas forças armadas decidir”. Segundo ele, um grupo de embarcações de “diferentes países” já foi autorizado a passar, sem dar detalhes. O Irã afirmou que o estreito — por onde normalmente passa um quinto das exportações globais de petróleo — está aberto a todos, exceto aos Estados Unidos e seus aliados. Araghchi acrescentou que “não vemos razão para conversar com os americanos” sobre uma forma de encerrar a guerra, afirmando que Israel e os EUA iniciaram os combates com ataques coordenados em 28 de fevereiro durante negociações indiretas entre EUA e Irã sobre o programa nuclear iraniano. Ele também disse que Teerã “não tem planos de recuperar” o urânio enriquecido que ficou sob escombros após ataques dos EUA e de Israel no ano passado. Trump disse aos repórteres a bordo do Air Force One, enquanto retornava a Washington após um fim de semana na Flórida, que os EUA haviam conversado com "cerca de sete" nações sobre o oferecimento de apoio militar. Ele não disse quais, no entanto, e esquivou-se quando foi questionado diretamente sobre a China. Porém, ele chegou a sugerir posteriormente que havia feito tal oferta a Pequim. “A China é um estudo de caso interessante", disse ele, observando sua dependência do petróleo do Golfo. "Então eu disse: ‘Vocês gostariam de participar?’ e descobriremos. Talvez eles participem, talvez não.” A guerra no Irã fez o preço do petróleo disparar, o que elevou o preço que os americanos pagam nas bombas de combustível, justamente quando a temporada eleitoral de 2026 começa a esquentar. A China, no entanto, tem enfrentado suas próprias pressões econômicas e recentemente reduziu sua meta de crescimento para 4,5% a 5%, a projeção de crescimento mais lenta desde 1991. Antes de Trump sugerir o cancelamento potencial de sua viagem, um porta-voz da embaixada chinesa em Washington não se comprometeu com o apelo de Trump por ajuda externa no estreito. “O Estreito de Ormuz e as águas próximas são uma rota importante para o comércio internacional de mercadorias e energia. Manter a região segura e estável serve aos interesses comuns da comunidade internacional", disse o porta-voz. "Todas as partes têm a responsabilidade de garantir um fornecimento de energia estável e desimpedido." O porta-voz acrescentou: “Como amigo sincero e parceiro estratégico dos países do Oriente Médio, a China continuará a fortalecer a comunicação com as partes relevantes, incluindo as partes em conflito, e desempenhará um papel construtivo para a desescalada e a restauração da paz.”