De ausência de Sean Penn a 'Diabo veste Prada', confira nove momentos marcantes do Oscar 2026

Houve broches para apoiar “O agente secreto”, mas a maioria foi para estampar mensagens críticas a políticas do governo Donald Trump. Houve piadas sobre a substituição do homem pela inteligência artificial — mas para marcar a posição de que ela jamais poderá substituir a criatividade humana. E o bigode de Leonardo DiCaprio chamou a atenção, lembrando os galãs da Era de Ouro de Hollywood, como Clark Gable ou Errol Flynn. A seguir, uma seleção de momentos marcantes da festa. Oscar 2026: Confira a lista completa de vencedores da premiação Críticas a Trump Ainda na chegada, celebridades mostravam no tapete vermelho os broches em protesto contra a guerra no Oriente Médio e as políticas anti-imigração do presidente Donald Trump. “Artistas pelo cessar fogo” e “Fora ICE” (o departamento de combate à imigração ilegal do governo dos EUA) foram frases que se repetiram em bottons usados por nomes como o ator árabe-israelense Amer Hlehel e Thales Junqueira, diretor de arte de “O agente secreto”. A escritora e ativista americana Glennon Doyle levou uma bolsa com a frase “Fuck Ice” estampada. Desconforto O conflito dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã deixou desconfortável o cineasta iraniano Jafar Panahi, que concorreu a melhor filme internacional e roteiro original por “Foi apenas um acidente”. O diretor é perseguido em seu país. Mas na sexta-feira, em um debate com diretores dos filmes internacionais da disputa, disse que “comparado ao que está acontecendo no meu país, o Oscar, e tudo mais, não é significativo”. E admitiu: “Talvez eu nem quisesse estar aqui.” Sonhos de Spielberg No tapete vermelho, o diretor de fotografia brasileiro Adolpho Veloso tentou desconversar quando um representante da revista americana Deadline o perguntou se Steven Spielberg tentou “roubá-lo” da equipe de “Sonhos de trem”, filme pelo qual foi indicado. “Não, nada disso. Sem comentários. Mas, quem sabe? Adoraria trabalhar com ele”, respondeu, bem-humorado. À GloboNews, Veloso deu mais detalhes da admiração de clássicos como “Tubarão” e “A lista de Schindler”: “Troquei uma ideia com o Spielberg. É surreal estar no mesmo lugar que essas pessoas, não só como fã, mas ouvi-las falando sobre o meu filme. Spielberg me dizendo que gostou do meu trabalho e perguntando como fizemos algumas cenas”, contou. Corra, Conan, corra Em sua segunda vez na função, o apresentador Conan O’Brien iniciou a cerimônia parodiando a cena de perseguição de “A hora do mal”, correndo caracterizado como a tia Gladys de Amy Madigan (vencedora do Oscar de melhor atriz coadjuvante, o primeiro da noite), fugindo de uma cena de um filme indicado para outra, ao som de “Sabotage”, dos Beastie Boys. O Baiano tem o molho Além de mostrar um santinho com sua própria imagem, Wagner Moura contou ao passar pelo tapete vermelho que o amigo Lázaro Ramos, que foi a Los Angeles, lhe deu uma fita de Nossa Senhor do Bonfim para dar sorte. Ao anunciar Gabriel Domingues, de “O agente secreto”, como um dos concorrentes na categoria de elenco, Wagner quebrou o protocolo e, depois do discurso em inglês, disse um “parabéns” em português que desconcentrou Delroy Lindo, o próximo a falar. E teve mais: Kyle Buchanan, repórter de cinema do New York Times, contou que o brasileiro fez sucesso na plateia, tendo sido até chamado de gostoso pela turma presente no Dolby Theatre. O diabo sobe ao palco Um dos momentos mais divertidos no início da cerimônia foi quando Anna Wintour, diretora editorial global da Vogue e diretora de conteúdo global da Condé Nast, foi ao palco com atriz Anne Hathaway para apresentar os prêmios de melhor maquiagem e melhor figurino. Wintour é a personagem retratada (com pseudônimo) em “O diabo veste Prada”, livro que denunciava suas práticas assediadoras, mas que ganhou tintas atenuantes na adaptação para o cinema estrelada por Hathaway (em que a diretora de moda foi interpretada por Meryl Streep). O “obrigada, Emily”, dito por Wintour à atriz no palco, foi uma referência a uma das falas célebres do filme. Em outra batalha Kieran Culkin recebeu no lugar de Sean Penn a estatueta de melhor ator coadjuvante por sua atuação como um militar fanático em “Uma batalha após a outra” porque estava na Europa, onde planejava visitar a Ucrânia, segundo o New York Times. Em 2022, ele filmou no país o documentário “Superpower”, sobre a invasão russa. É raro, mas acontece O empate entre os curtas “Os cantores” e “Duas pessoas trocando saliva” foi algo só ocorrido seis vezes antes. A primeira foi em 1932, quando Fredric March, de “O médico e o monstro”, e Wallace Beery, de “O campeão”, ganharam o prêmio de melhor ator. A última havia sido em 2012, na categoria melhor edição de som, dividida entre “007 — Operação Skyfall” e “A hora mais escura”. Um empate memorável, em 1968, foi entre Katharine Hepburn, por “O leão no inverno”, e Barbra Streisand, por “Funny Girl: a garota genial”. Amigos ausentes No tradicional tributo aos nomes de Hollywood que morreram no ano passado, três deles ganharam momentos à parte para serem lembrados: o diretor Rob Reiner, homenageado com sua mulher Michele Singer (os dois assassinados pelo filho do casal) em um discurso de Billy Crystal, de “Harry e Sally”; Diane Keaton, celebrada por Rachel McAdams; e Robert Redford, para quem Barbra Streisand cantou “The way we were”, música-tema de “Nosso amor de ontem”, estrelado pelos dois em 1973.