Míssil atinge carro e mata civil palestino em Abu Dhabi

Um civil morreu nos arredores da capital dos Emirados Árabes Unidos, Abu Dhabi, quando um míssil atingiu seu veículo nesta segunda-feira, informaram as autoridades locais. O episódio ocorre enquanto o Irã mantém ataques na região do Golfo após ofensivas conduzidas por Estados Unidos e Israel. “As autoridades do Emirado de Abu Dhabi responderam a um incidente na área de Al Bahia que envolveu o impacto de um míssil contra um veículo civil, o que provocou a morte de um cidadão palestino”, informou o Escritório de Mídia de Abu Dhabi em um comunicado. Irã ameaça terminais petrolíferos Em retaliação aos bombardeios americanos contra a Ilha de Kharg, terminal estratégico responsável por cerca de 90% das exportações de petróleo bruto do Irã, a Guarda Revolucionária Islâmica alertou neste sábado que portos, docas e instalações militares ligadas aos Estados Unidos nos Emirados Árabes Unidos (EAU) passaram a ser “alvos legítimos”, acusando Washington de usá-los como base para ataques contra o território iraniano. Teerã afirmou ainda que as exportações de petróleo da ilha continuam “em pleno andamento”, apesar das ofensivas. O anúncio foi acompanhado por novos episódios de tensão em diversos países do Golfo e por relatos de um incêndio no porto de Fujairah, nos EAU, uma das principais instalações de armazenamento e comércio de petróleo do Oriente Médio, a 120 km de Dubai. Autoridades afirmaram que o fogo foi provocado por destroços de um drone interceptado pela defesa aérea e disseram que não houve vítimas. Como medida de precaução, as operações de carregamento de petróleo e combustíveis no terminal foram suspensas enquanto os danos eram avaliados. O porto de Fujairah ocupa posição estratégica por estar localizado no Golfo de Omã, fora do Estreito de Ormuz — por onde passa cerca de 20% do fornecimento mundial de energia fóssil. Conectado por oleoduto aos principais campos petrolíferos de Abu Dhabi, o terminal permite aos Emirados exportar petróleo sem depender da rota mais sensível do Golfo Pérsico. O episódio, se confirmado como ataque deliberado das forças iranianas, indicaria a intenção da República Islâmica de ampliar a pressão sobre o mercado global de energia e demonstrar que a escalada do conflito pode atingir infraestruturas críticas da região. — A Guarda Revolucionária está enviando a mensagem de que não há porto seguro neste conflito que se expande rapidamente — disse Helima Croft, analista do banco de investimento global RBC Capital Markets, à agência Reuters. — O fato de isso ocorrer poucas horas após o ataque dos EUA à ilha de Kharg também indica que Teerã não permitirá que Washington controle os termos da escalada e imponha domínio.