Constrangimento e intimidação: veja detalhes da denúncia de estupro coletivo contra jogadores do Vasco-AC

Jogadores foram denunciados pelo MP-AC à Justiça por estupro em alojamento Arquivo/Jhon Lennon e Sueli Rodrigues A Justiça do Acre recebeu, na última sexta-feira (13 ), a denúncia do Ministério Público contra os cinco jogadores do Vasco da Gama do Acre. A acusação detalha a dinâmica do crime de violência sexual investigado pela Polícia Civil em Rio Branco. Não há prazo para a Justiça analisar o caso. Segundo o processo, duas jovens teriam sido levadas ao alojamento do time após uma festa de Carnaval, na madrugada do dia 14 de fevereiro e, no local, submetidas a atos sexuais mediante violência, constrangimento e intimidação coletiva. Participe do canal do g1 AC no WhatsApp Contexto: Cinco atletas da Associação Desportiva Vasco da Gama (Vasco-AC) são investigados pelo estupro de duas mulheres dentro do alojamento do clube, em Rio Branco. O caso resultou na prisão em flagrante de Erick Luiz Serpa Santos Oliveira, Brian Peixoto Henrique Ilziario e, mais recentemente, de Alex Pires Bastos Júnior, que havia sido solto na última semana, Lucas de Abreu de Melo e Bernardo Barbosa Nunes, estes dois últimos nomes não divulgados anteriormente. Todos negam o crime. De acordo com as investigações, as vítimas participavam de um evento carnavalesco na capital quando passaram a conversar com alguns dos investigados. Durante a festa, Erick e Brian teriam convidado as mulheres para ir até a residência onde os atletas estavam hospedados. g1 no BDAC: Jogadores do Vasco-AC são investigados por estupro em alojamento no Acre O imóvel, localizado no bairro Baixa da Colina e utilizado como alojamento do clube, abrigava cerca de 30 homens ligados à equipe. Conforme a denúncia, as vítimas não sabiam que se tratava de uma casa ocupada apenas por jogadores. Após chegarem ao local, os cinco denunciados e um sexto homem ainda não identificado teriam se aproveitado do isolamento da residência e da vulnerabilidade das jovens para cometer os abusos. O que dizem as vítimas Segundo o relato de uma das vítimas, o contato inicial com Erick Serpa começou de forma consensual. No entanto, ela afirmou que decidiu interromper o ato, momento em que, conforme a denúncia, o jogador teria insistido e a forçado continuar. Em seguida, outros homens também teriam praticado atos sexuais contra ela. Ainda de acordo com a decisão, a segunda vítima contou à polícia que havia ido para um dos quartos da casa e acabou adormecendo. Ela afirmou que acordou sendo abusada por dois dois suspeitos e conseguiu identificar um deles como sendo Brian Ilziario. A investigação aponta também que os episódios ocorreram em momentos distintos dentro da residência, mas no mesmo contexto. Para a Justiça, os relatos indicam uma dinâmica de violência sexual coletiva, em que diferentes homens teriam imposto práticas sexuais às vítimas mediante força e constrangimento. "Tenho que os elementos informativos colhidos no inquérito policial demonstram robustos indícios da materialidade delitiva e da participação dos investigados, especialmente a partir dos depoimentos das vítimas, dos elementos colhidos durante a investigação policial e da dinâmica fática reconstruída pela autoridade policial", disse o juiz substituto Ricardo Wagner de Medeiros Freire, na decisão proferida pela 2ª Vara Criminal da Comarca de Rio Branco. A decisão judicial também cita elementos que, segundo o processo, indicam a materialidade do crime, como boletim de ocorrência, depoimentos colhidos durante o inquérito, análise de mídias de celulares e o auto de prisão em flagrante. Equipe do Vasco-AC fez estreia em campo homenageando jogadores suspeitos de estupro coletivo Aldo França/Rede Amazônica Elementos comprobatórios Um prontuário médico da Maternidade Bárbara Heliodora registrou hematomas nas partes íntimas de uma das vítimas, lesões consideradas compatíveis com o relato de violência. Durante depoimento, Erick Serpa admitiu ter mantido relação sexual com uma das jovens, mas afirmou que o encontro foi consensual. Ao analisar o caso, o magistrado destacou a gravidade dos fatos, que envolvem duas vítimas e múltiplos suspeitos em um ambiente de isolamento, e considerou necessária a prisão preventiva dos investigados para garantir a ordem pública e a regularidade do processo. "Tenho que os elementos informativos colhidos no inquérito policial demonstram robustos indícios da materialidade delitiva e da participação dos investigados, especialmente a partir dos depoimentos das vítimas, dos elementos colhidos durante a investigação policial e da dinâmica fática reconstruída pela autoridade policial", complementou o juiz. Com o recebimento da denúncia, o caso passa agora à fase de ação penal. Os acusados deverão apresentar defesa no prazo de dez dias após serem citados pela Justiça. No Acre: quatro jogadores do Vasco-AC suspeitos pelo crime de estupro já estão presos Relembre o caso O Ministério Público do Acre (MP-AC) ofereceu denúncia contra cinco jogadores na última sexta (13). Foram denunciados por estupro coletivo e de vulnerável: Erick Luiz Serpa Santos Oliveira, Brian Peixoto Henrique Ilziario, Alex Pires Bastos Júnior, Lucas de Abreu de Melo e Bernardo Barbosa Nunes. Os advogados Robson Aguiar e Atevaldo Santana, que defendem os jogadores, falaram que ainda não foram comunicados da denúncia do MP-AC. Ambos confirmaram que Lucas de Abreu e Bernardo Barbosa são atletas do Vasco-AC e foram ouvidos durante as investigações como testemunhas. Segundo a decisão, o MP-AC pediu à Justiça que Alex Pires Bastos Júnior, solto na última terça (10), Lucas e Bernardo voltem para a prisão. Além disto, manteve a prisão de Erick e Brian. LEIA MAIS: O que se sabe sobre caso dos jogadores suspeitos de estupro coletivo em alojamento do Vasco-AC Patrocinadores rompem contrato com Vasco-AC após contratação do goleiro Bruno e prisão de jogadores O caso foi registrado na Deam em 14 de fevereiro, menos de um dia após o crime. À época, o delegado Alcino Sousa, que estava de plantão, informou que encontrou as vítimas na Maternidade Bárbara Heliodora. Segundo ele, as mulheres haviam procurado a delegacia pela manhã, mas não conseguiram formalizar a ocorrência e foram encaminhadas para atendimento médico. A Delegacia Especializada em Atendimento à Mulher (Deam) concluiu o inquérito e tinha indiciado, inicialmente, apenas Brian e Erick pelos crimes. O inquérito foi encaminhado ao Poder Judiciário na segunda-feira (9). Com exceção de Erick, preso ainda no dia 14 de fevereiro, os outros três jogadores tiveram a prisão temporária decretada pela Justiça no dia 15. No dia 17, três jogadores se entregaram à polícia. O primeiro a se entregar foi Alex (Lekinho), que foi até a Delegacia de Flagrantes (Defla), acompanhado do então treinador Eric Rodrigues e do advogado Robson Aguiar. Matheus Silva, retirado do processo, e Brian Peixoto Henrique Iliziario foram até a Deam com o advogado Atevaldo Santana. Ministérios repudiam homenagem a jogadores presos suspeitos de estupro coletivo no AC No dia 19, o Vasco-AC fez sua estreia na Copa do Brasil na Arena da Floresta, em Rio Branco, e acabou eliminado pelo Velo Clube nos pênaltis. Antes da bola rolar, no entanto, o time acreano chamou atenção ao entrar em campo com camisas que estampavam os nomes de três dos quatro atletas presos. Contudo, a ação foi repudiada em conjunto, pelos ministérios das Mulheres e do Esporte, que classificaram como 'inaceitável' a homenagem. O gesto dos atletas também é investigado pelo MP. Além da ação, o órgão também vai fazer investigação própria sobre a denúncia de violência sexual e vai analisar se houve possível omissão da justiça desportiva do estado. Em nota anterior, o Vasco-AC afirmou que não compactua com qualquer forma de violência e que adotará as medidas cabíveis no âmbito interno, conforme o andamento das investigações. Reveja os telejornais do Acre