Em 16 de março de 1968, há 58 anos, tropas dos Estados Unidos entraram na pequena aldeia de My Lai, no centro do Vietnã, durante a guerra contra as forças comunistas do Norte. A operação militar, que deveria atingir guerrilheiros vietcongues, terminou no que se tornaria o maior massacre de civis cometido por militares americanos no século XX. Ao menos 504 moradores desarmados, entre mulheres, idosos, crianças e bebês, foram mortos, sem que nenhum combatente inimigo fosse encontrado no local. My Lai: 50 anos do massacre americano que escancarou os horrores no Vietnã Naquela manhã, unidades da 11ª Brigada de Infantaria da 23ª Divisão desembarcaram na região de Son My, na província de Quang Ngai, sob a expectativa de enfrentar um reduto do Viet Cong. As ordens transmitidas aos soldados indicavam que qualquer pessoa encontrada poderia ser tratada como inimiga. Ao chegar à vila, no entanto, as tropas encontraram apenas civis escondidos em suas casas após bombardeios preliminares. Durante cerca de quatro horas, soldados executaram moradores, incendiaram casas e destruíram plantações. Muitos civis foram reunidos em valas ou campos abertos e mortos a tiros. O massacre só começou a ser interrompido quando o piloto de helicóptero Hugh Thompson Jr. pousou sua aeronave entre soldados e sobreviventes, ameaçando abrir fogo contra os próprios compatriotas caso os ataques continuassem. O episódio foi inicialmente encoberto pelo Exército americano, que relatou apenas a morte de alguns civis em meio a combates. A versão começou a ruir após denúncias do soldado Ronald Ridenhour e a divulgação de fotografias feitas pelo sargento Ron Haeberle, publicadas em 1969 pela imprensa americana. A reportagem do jornalista Seymour Hersh expôs o massacre ao mundo e provocou indignação internacional. Apesar das investigações, apenas um militar foi condenado: o tenente William Calley, responsabilizado pela morte de civis durante a operação. Sentenciado à prisão perpétua em 1971, ele teve a pena reduzida após intervenção do presidente Richard Nixon e acabou libertado alguns anos depois. Mais de meio século depois, o massacre de My Lai permanece como um dos episódios mais sombrios da Guerra do Vietnã, símbolo dos excessos cometidos durante o conflito e da dificuldade de responsabilização pelos crimes de guerra.