A família do pedreiro Francisco das Chagas Fontnele, 56, baleado durante uma ação da Polícia Militar em um baile funk no Jardim Macedônia, região do Capão Redondo, Zona Sul de São Paulo, neste final de semana, acusa agentes de segurança de impedirem o socorro da vítima. Fontenele foi baleado no abdômen por um tiro de fuzil enquanto comprava um cigarro em um comércio da região. Segundo a Polícia Militar, equipes foram até o local neste sábado, 14, após denúncia de um baile funk irregular e teriam sido recebidas a tiros por criminosos, reagindo em seguida. Vídeos gravados pela filha do pedreiro, Milena Fontenele, profissional da saúde, mostram ela tentando chegar até o pai para prestar socorro, mas sendo impedida pelos agentes de segurança. "Eu quero uma resposta do que aconteceu com meu pai. Eu quero o nome do meu pai limpo. Eu quero o nome do policial que matou o meu pai, porque ele assassinou o meu pai... eu quero ele preso", disse uma familiar do pedreiro em entrevista à TV Globo. Francisco será enterrado nesta segunda-feira (16) no Cemitério Jardim da Paz, em Embu da Artes. O pedreiro era casado havia seis meses, deixa quatro filhos, a esposa e duas netas. Na ação, sete pessoas foram baleadas e duas morreram. Além do pedreiro, Kauan Gabriel Cavalcante Lima, de 22 anos, morreu durante a ação. Segundo agentes, ele teria disparado contra os policiais. Conforme apuração do G1, entre os feridos estão três homens e uma garota, com idades entre 19 a 26 anos. Na ação, nenhum policial ficou ferido. A Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que todos os feridos foram socorridos conforme o protocolo operacional da corporação. O caso foi registrado como resistência, homicídio decorrente de intervenção policial e tentativa de homicídio no 47º Distrito Policial (DP), Capão Redondo. Por causa da suspeita do envolvimento dos policiais militares nas mortes, a ocorrência será investigada pelo Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP).