A pastora e médica Verbenia Sousa foi presa neste domingo por autoridades do Departamento Correcional do Condado de Orange, nos Estados Unidos. O registro oficial do órgão cita o Booking Number 26009746 e aponta que ela está sob "DETENÇÃO DE IMIGRAÇÃO". Não há detalhes sobre o que levou à captura de Verbenia nem se ela está sob custódia do Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA (ICE, na sigla em inglês). O GLOBO tenta contato com a defesa de Verbenia Sousa. A detenção da pastora vem em meio às investigações federais sobre a Chaplain Emergency Management Agency (Cema), organização liderada por Mario Cesar Dos Santos Júnior e da qual Verbenia chegou a se declarar "diretora" na Flórida. O homem de 50 anos foi preso em fevereiro sob acusação de fraudar selos do governo americano e vender títulos falsos de capelania. A apuração aponta que Santos alegava falsamente que a Cema era uma agência governamental credenciada pela Agência Federal de Gestão de Emergências (Fema). Com isso, ele usou fraudulentamente os selos da Fema, do Departamento de Segurança Interna (DHS) e do FBI, mesmo sem ter qualquer autorização para isso. O nome de Verbenia acabou associado ao caso porque ela chegou a se descrever nas redes sociais como "diretora" da organização na Flórida e deu um título de doutor honoris causa a Santos. Além disso, instalações de sua universidade cristã e de sua igreja em Orlando foram usadas para os treinamentos da Cema. Pelas redes sociais, em fevereiro, a pastora e médica negou ter qualquer vínculo com o homem preso naquela ocasião e se disse "vítima" na ocorrência. "Qualquer eventual uso indevido de símbolos ou identificações governamentais não reflete minhas práticas e valores", destacou. "Assim como as demais Igrejas, pastores e voluntários envolvidos nas atividades comunitárias, também nos consideramos vítimas das circunstâncias decorrentes desta situação e como medida imediata de responsabilidade e cooperação, orientamos a todas as vítimas a suspensão do uso de qualquer credencial, certificação ou insígnia que possa sugerir autoridade governamental". Initial plugin text Segundo ela, em sua igreja, foi realizado o recolhimento voluntário de todas as carteiras e identificações emitidas, que seriam então entregues às autoridades. Na nota, Verbenia diz ter sido apresentada pessoalmente a Santos em setembro de 2025, quando ele buscava um local para realizar os cursos de capelania vinculados à Cema. Durante as tratativas, ainda de acordo com o relato de Verbenia, foram exibidos fotos e informativos em que a associação aparecia vinculada a instituições do governo americano. Diante da credibilidade das informações apresentadas, disse ela, houve o aval para a utilização do edifício. Verbenia negou ter palestrado ou lecionado nos cursos, mas reconheceu ter feito uma "breve apresentação institucional" da universidade cristã. A pastora ainda negou ter auferido qualquer vantagem econômica. Em outubro do ano passado, conta Verbenia, Santos gravou um vídeo em que a declarava "diretora da Cema na Flórida" e solicitava que ela publicasse a informação nas redes sociais. "Acreditando na legitimidade da organização", procedi à publicação utilizando a expressão de que havia sido orientada pelo "mentor dos capelães". Não há informações, até o momento, de que a detenção de Verbenia tenha a ver com a investigação federal. Investigação federal As autoridades americanas afirmam que Santos organizou diversos cursos de treinamento para capelães da Cema em todo o país. Nos treinamentos, ele forneceu aos participantes "carteiras de identidade, distintivos de agentes da lei e certificados de conclusão de curso contendo os selos de vários departamentos e agências dos Estados Unidos". "Como mostram as imagens editadas abaixo, as carteiras de identidade contêm um dos logotipos da CEMA, que consiste no selo do DHS, modificado para indicar 'Capelão do Departamento de Segurança Interna dos EUA'. O verso das carteiras de identidade contém o selo do DHS/FEMA sem alterações. Os certificados contêm o selo do FBI e uma versão ligeiramente diferente do logotipo da CEMA — uma versão mais antiga do selo da FEMA, modificada para indicar 'Capelão do Departamento de Segurança Interna dos EUA'", descrevem os investigadores, sobre os documentos apreendidos na apuração. Investigação federal nos EUA apura uso fraudulento de selos do governo americano Reprodução Além disso, Santos vendia produtos da Cema, como camisas polo, adesivos para carros, jaquetas, distintivos e porta-crachás — todos com o selo do DHS ou da FEMA. Um informante confidencial das autoridades comprou itens durante uma operação secreta realizada em um treinamento em 27 de setembro do ano passado. O site e as redes sociais da Cema exibem o logotipo da organização como uma versão alterada do selo do DHS e a identificam falsamente como uma organização governamental ou agência federal. Segundo o governo americano, Santos chegou ao país em 2016 e lá permaneceu após o vencimento do visto. Ele agora está enfrentando um processo de deportação. O brasileiro chegou a apresentar documentos fraudulentos, como um "Certificado de Ordenação" e um diploma da "Universidade de Berkeley", em Michigan. As autoridades americanas afirmaram, na época da prisão de Santos, que, caso seja condenado, ele pode pegar uma pena máxima de 5 anos de prisão federal.