Cérebro de adultos com TDAH (à esquerda) mostrou atividade semelhante ao sono mais intensa, em vermelho, do que o grupo sem o transtorno (à direita). Pinggal et al., 2026 Adultos com Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) apresentam mais atividade cerebral semelhante ao sono enquanto estão acordados - e esse padrão pode ajudar a explicar por que muitas pessoas com a condição neurobiológica têm mais dificuldade de manter o foco em tarefas que exigem atenção prolongada. É isso o que aponta um novo estudo publicado nesta segunda-feira (16) no "Journal of Neuroscience" por pesquisadores da Universidade Monash, na Austrália. Na pesquisa, os cientistas compararam a atividade cerebral de 32 adultos com TDAH que haviam suspendido a medicação com a de 31 adultos sem o transtorno enquanto realizavam uma tarefa de atenção sustentada (isto é, uma atividade que exige foco contínuo por um período prolongado, sem interrupções, como monitorar uma sequência de estímulos na tela e responder a alvos específicos). O grupo com TDAH apresentou mais episódios desse tipo de atividade cerebral, associados a mais falhas de atenção, erros na tarefa, tempos de reação mais lentos e maior sensação de sonolência. "A atividade cerebral semelhante ao sono é um fenômeno normal que acontece durante tarefas exigentes", disse a neurocientista Elaine Pinggal, que coordenou o estudo. "Pense em sair para uma corrida longa e ficar cansado depois de um tempo, o que faz você parar para descansar. Todos experimentam esses breves momentos de atividade semelhante ao sono. Nas pessoas com TDAH, no entanto, essa atividade ocorre com mais frequência, e nossa pesquisa sugere que esse aumento pode ser um mecanismo cerebral fundamental que ajuda a explicar por que esses indivíduos têm mais dificuldade em manter atenção e desempenho consistentes durante as tarefas." LEIA TAMBÉM: Astronauta da Nasa flagra fenômeno luminoso raro durante tempestade vista do espaço; entenda Em fenômeno inédito, cientistas descobrem planeta que acelera sua própria destruição; entenda O teste de DNA em osso que pode reescrever a história do Egito antigo Veja os vídeos que estão em alta no g1 As análises indicaram ainda que essa atividade pode ser o elo que conecta o TDAH às dificuldades de atenção observadas no transtorno — não apenas uma consequência dos lapsos, mas possivelmente uma causa direta deles. Ou seja, o cérebro com TDAH não falha por falta de esforço ou vontade, mas porque entra em um estado semelhante ao sono com mais facilidade e frequência do que o cérebro neurotípico. O estudo abre também uma possível direção para intervenções. Hoje a ciência sabe, por exemplo, que em pessoas sem o transtorno, a estimulação auditiva durante o sono (sons aplicados em momentos específicos da noite) é capaz de intensificar as ondas lentas cerebrais, o que no dia seguinte pode reduzir a ocorrência dessa atividade semelhante ao sono durante a vigília. Pinggal aponta que uma próxima etapa da pesquisa pode ser investigar se essa mesma abordagem consegue diminuir esse tipo de atividade em pessoas com TDAH enquanto estão acordadas e realizando tarefas, abrindo caminho para tratamentos que atuem diretamente sobre esse mecanismo cerebral. LEIA TAMBÉM: Espécie achada em esterco de gado pode explicar a origem do 'cogumelo mágico' mais cultivado do mundo Cientistas encontram fóssil de tiranossauro gigante que pode ser parente antigo do T. rex Estudos sugerem que o Sol 'fugiu' do centro da Via Láctea junto com estrelas gêmeas Fotógrafo do RS faz imagem incrível de cometa 'mais brilhante do ano'