O procurador-geral da República , Paulo Gonet, recebeu remuneração acima do teto constitucional ao longo de todo o ano de 2025. Com o acréscimo de verbas extras — os penduricalhos — o chefe do Ministério Público teve, em média, cerca de R$ 8 mil mensais acima do limite do funcionalismo. Na maior parte dos meses, a remuneração de Gonet chegou a aproximadamente R$ 53,9 mil. Em dezembro, o valor atingiu R$ 61,5 mil, enquanto o menor pagamento ocorreu em janeiro, com R$ 51,1 mil. + Leia mais notícias de Política em Oeste Ao longo do ano, o total recebido foi de R$ 652,3 mil. O cálculo desconsidera o adicional de um terço de férias, previsto na Constituição, e a gratificação natalina (13º salário). Ainda assim, o montante ultrapassou o teto anual em cerca de R$ 96 mil. Os dados estão disponíveis no Portal da Transparência e foram divulgados primeiramente pelo jornal O Estado de S. Paulo . Penduricalhos são benefícios extras que podem ultrapassar o teto constitucional | Foto: Reprodução/Freepik O limite do funcionalismo público corresponde ao salário de um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), atualmente fixado em R$ 46,3 mil. Na prática, porém, o valor é frequentemente superado por meio de verbas classificadas como indenizatórias, que não entram no cálculo do teto. O Ministério Público Federal afirmou que todos os pagamentos possuem base legal e que o teto remuneratório é “estritamente respeitado” pela instituição. O maior pagamento a Gonet ocorreu em dezembro do ano passado, quando ele recebeu R$ 61,5 mil — cerca de R$ 15 mil acima do limite constitucional. Em janeiro deste ano, último mês com dados disponíveis, a remuneração bruta foi de R$ 53,9 mil, conforme registros do Portal da Transparência do MPF. Paulo Gonet foi reconduzido ao cargo de procurador-geral da República no final de 2025 | Foto: Lula Marques/Agência Brasil Segundo os dados oficiais, o salário-base do procurador-geral já corresponde ao teto do funcionalismo — atualmente em R$ 46.366,19 — o mesmo valor pago aos ministros do STF. Além de Gonet, v ice-PGR também recebe acima do teto O vice-procurador-geral da República, Hindenburgo Chateaubriand, também registrou remuneração superior ao limite. Em janeiro deste ano, o rendimento bruto chegou a R$ 51,6 mil — cerca de R$ 5,2 mil acima do teto. No acumulado de 2025, o vice-procurador recebeu R$ 624,6 mil, valor que também desconsidera o terço de férias e o 13º salário. O maior pagamento ocorreu em dezembro, quando o contracheque alcançou R$ 59,2 mil. No total, o valor que excedeu o teto no ano passado foi de R$ 68,2 mil. O ministro Flávio Dino, durante sessão no STF - 11/02/2026 | Foto: Victor Piemonte/STF Gonet chegou a criticar uma decisão do ministro Flávio Dino, do STF, que determinou a revisão de pagamentos de penduricalhos a servidores dos Três Poderes. A manifestação ocorreu no âmbito de uma reclamação que inicialmente tratava apenas da situação de procuradores municipais de Praia Grande, no litoral de São Paulo. “A decisão liminar cuida de um tema alheio ao objeto da causa, e que não era necessário para o próprio julgamento da reclamação”, afirmou o procurador-geral durante sustentação oral no julgamento da medida. Na decisão, Dino deu prazo de até 60 dias para que Executivo, Legislativo e Judiciário revisassem pagamentos e suspendessem aqueles sem amparo legal. O post Penduricalhos deixaram salário de Gonet acima do teto em todo o ano de 2025 apareceu primeiro em Revista Oeste .