Lula cita integração regional com a Bolívia e diz que nenhum país da América do Sul terá condições de prosperar isoladamente

Lula durante reunião com o presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, no Palácio do Planalto Ricardo Stuckert/ Presidência da República O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu nesta segunda-feira (16) o presidente da Bolívia, Rodrigo Paz. Ele é membro do Partido Democrata Cristão, de direita, e foi eleito no fim de 2025. Na ocasião de seu discurso, o presidente brasileiro afirmou que nenhum país da América do Sul terá condições de prosperar isoladamente. "Concordamos que a integração regional não é um projeto ideológico, é uma necessidade histórica", afirmou Lula. "Em um mundo cada vez mais competitivo, nenhum país da nossa região terá condições de prosperar isoladamente. Somente uma América do Sul integrada poderá ocupar o lugar que merece na economia e na política global", prosseguiu. Lula cancela viagem para posse de José Antônio Kast Lula mencionou que Bolívia e Brasil são guardiãs da Amazônia e que a proteção da floresta, dos povos que moram vivem, além da proteção da biodiversidade é uma responsabilidade compartilhada. "Em seu discurso de posse, Paz defendeu América Latina livre e democrática, como no Brasil em 8 de janeiro. A democracia também teve desafios na Bolívia e saímos fortalecidos, nossos países provaram que a instituição democrática e a vontade popular são capazes de prosperar", citou Lula. Durante o encontro os dois líderes assinaram acordos, entre eles contra o crime organizado na região da fronteira. O presidente brasileiro citou ainda a importância da incorporação da Bolívia ao Mercosul. "A adesão da Bolívia ao Mercosul representa um passo histórico. O Mercosul fortalece e nos dá autonomia diante a instabilidade do mercado global", justificou. Convite Lula convidou Paz para realizar uma visita de Estado ao Brasil no início deste ano, quando os dois líderes tiveram uma reunião bilateral na Cidade do Panamá, capital panamenha, após participarem do Fórum Econômico Internacional da América Latina e Caribe. Paz também esteve presente na semana passada na posse do novo presidente chileno, José Antônio Kast. Lula desistiu de comparecer à cerimônia e enviou o ministro de Relações Exteriores, chanceler Mauro Vieira, em seu lugar. Vieira levou uma carta de Lula a Kast convidando o novo presidente do Chile para visitar o Brasil. Durante a posse de Kast, o presidente da Bolívia disse quer ser ponte do Brasil ao oceano Pacífico e defendeu maior integração com países da América Latina. Lula durante reunião com Rodrigo Paz na Cidade do Panamá Ricardo Stuckert/PR Infraestrutura, energia e turismo A reunião desta segunda foi focada em infraestrutura, energia, integração das comunidades fronteiriças e turismo entre os dois países. No encontro anterior, em janeiro deste ano, os dois presidentes discutiram as rotas para a integração sul-americana e alternativas para garantir o acesso da Bolívia a portos e ao escoamento de sua produção. Também trataram da retomada dos diálogos na área energética e iniciativas conjuntas para combater o crime organizado na Amazônia. O boliviano participou recentemente da cúpula "Escudo das Américas" convocada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que assinou uma proclamação lançando a coalizão. Pelo menos uma dúzia de líderes da América Central, da América do Sul e do Caribe participaram da reunião com Trump na Flórida. Lula não foi convidado. Paz tem 58 anos e é filho do ex-presidente Jaime Paz Zamora. Nasceu no exílio durante a ditadura militar e foi educado nos Estados Unidos. Mesmo discordando do governo Lula, Paz afirmou em campanha que o Brasil é o principal parceiro estratégico da Bolívia.