Exército brasileiro gasta R$ 1,3 bi para evitar ‘risco Maduro’

O Exército brasileiro gastou R$ 1,27 bilhão, durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), na compra de mísseis que combatem carros e de tanques blindados com capacidade anfíbia e canhões de maior alcance. O objetivo foi reforçar o preparo das forças terrestres diante de desafios militares atuais e de possíveis cenários futuros. As informações foram obtidas pelo jornal Folha de S.Paulo junto ao Exército, por meio de um pedido feito com base na Lei de Acesso à Informação. + Leia mais notícias de Brasil em Oeste Entre os equipamentos incorporados estão 220 mísseis que combatem carros. A operação, concluída em 2025, teve custo total de R$ 153,8 milhões e foi dividida em dois lotes distintos. Um deles reuniu 100 unidades do modelo Javelin FGM-148F, adquiridas a partir de negociação conduzida pela comissão do Exército brasileiro em Washington com o governo dos Estados Unidos (EUA). O outro lote incluiu 120 mísseis 1.2 AC Max, produzidos no Brasil depois de contrato firmado com uma empresa sediada em São José dos Campos, no interior paulista. https://www.youtube.com/watch?v=VwrDWtSUNE8 Ao explicar a compra, o Exército declarou que a incorporação desse tipo de armamento contribui para ampliar a capacidade de dissuasão da força terrestre. De acordo com a instituição, sistemas desse tipo são considerados essenciais para consolidar linhas de defesa em operações militares em terra. O Exército citou conflitos recentes para ilustrar a importância desse tipo de equipamento. Entre os exemplos mencionados está a guerra entre Rússia e Ucrânia, iniciada em 2022. Segundo a avaliação militar, o confronto evidenciou o papel de mísseis portáteis capazes de interromper o avanço de colunas de carros blindados. A instituição também mencionou confrontos envolvendo forças israelenses e grupos terroristas palestinos, afirmando que esse tipo de armamento tem sido empregado em ambientes urbanos para enfrentar forças mecanizadas superiores. Antes de 2023, a última aquisição semelhante registrada pelo Exército havia ocorrido em 2021, quando foram comprados 100 mísseis portáteis Spike LR2, de fabricação israelense. Além dos mísseis, a força terrestre ampliou sua frota de veículos militares. Entre 2023 e 2026 foram adquiridos 163 carros blindados, a maioria pertencente ao modelo VBTP Guarani 6x6, empregado no transporte de tropas. O investimento nessa área alcançou R$ 1,12 bilhão. O veículo possui capacidade anfíbia, pesa cerca de 18 toneladas, pode atingir até 110 quilômetros por hora e tem autonomia aproximada de 600 quilômetros. Militares que participaram das discussões internas sobre essas compras afirmam que um dos fatores que aceleraram a modernização foi a tensão envolvendo a Venezuela e a Guiana pela região de Essequibo. No fim de 2023, o governo do ex-ditador Nicolás Maduro intensificou movimentos políticos e militares relacionados ao território. Avaliações de inteligência chegaram a considerar a possibilidade de uma ofensiva terrestre venezuelana contra a Guiana, cenário que poderia envolver áreas próximas ao território brasileiro. Diante desse quadro, as Forças Armadas deslocaram aviões, tropas, carros blindados e sistemas de mísseis para o Estado de Roraima, na fronteira com a Venezuela. Na avaliação de setores militares, a crise revelou a necessidade de equipamentos mais robustos para operações em terra, sobretudo porque o Exército venezuelano utiliza tanques de origem russa. O cenário regional sofreu nova mudança quando o presidente dos EUA , Donald Trump, determinou um ataque militar contra Caracas e ordenou a captura de Maduro, levado a Nova York para responder a acusações relacionadas ao tráfico internacional de drogas. Depois desse episódio, o presidente Lula solicitou aos militares uma análise sobre eventuais vulnerabilidades do Brasil diante de ações externas desse tipo. Contratos do Exército brasileiro Durante visita oficial do presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, a Brasília, Lula comentou o tema da defesa nacional. Ele afirmou que a América do Sul costuma se apresentar como uma região de paz, mas ressaltou que a falta de preparo militar pode deixar países expostos a ameaças. Leia mais: "Militares estão insatisfeitos com Tomás Paiva" A reportagem também pediu ao Exército informações detalhadas sobre a distribuição geográfica dos armamentos adquiridos, incluindo batalhões e Estados que receberam os equipamentos. A força recusou divulgar esses dados, ao alegar que a divulgação poderia comprometer a segurança nacional e prejudicar operações estratégicas. Mesmo assim, informações já tornadas públicas indicam que parte do material foi enviada a unidades em Roraima e à 1ª Companhia Anticarro Mecanizada, sediada em Osasco, na Grande São Paulo. Testes com mísseis foram realizados no Rio de Janeiro, enquanto brigadas militares no Paraná receberam alguns dos carros blindados. O míssil brasileiro AC Max 1.2 é produzido pela empresa SIATT Engenharia, Indústria e Comércio, localizada em São José dos Campos. Contratos com o Exército foram assinados entre 2019 e 2025. Já os blindados Guarani são fabricados pela IDV Brasil, instalada em Sete Lagoas, em Minas Gerais. Um acordo mais amplo prevê investimentos de R$ 7,5 bilhões para a aquisição de centenas desses veículos até 2040. O sistema de mísseis produzido no país é classificado como de médio alcance e utiliza orientação por laser invisível codificado, responsável por guiar o projétil durante o voo até o alvo. O blindado Guarani, por sua vez, foi projetado para atuar em diferentes tipos de terreno e também em ambientes aquáticos, característica considerada estratégica para operações em regiões com grande presença de rios e áreas alagadas no território brasileiro. O post Exército brasileiro gasta R$ 1,3 bi para evitar ‘risco Maduro’ apareceu primeiro em Revista Oeste .