Tesouro suspende leilões de títulos após disparada dos juros e alivia mercado

O Tesouro Nacional realizou nesta segunda-feira uma série de ações que aliviaram o mercado dos juros futuros, taxas negociadas hoje que refletem as apostas dos investidores para o nível dos juros no país nos próximos meses ou anos. Os juros futuros chegaram a subir mais de 40 pontos-base na sexta-feira passada, levando o mercado a um forte estresse diante da disparada do preço do petróleo com o conflito no Oriente Médio, o que levou os operadores a reduzirem as apostas de corte de juros da taxa Selic pelo Banco Central na reunião de quarta-feira. Mercado: Expectativa de reabertura do Estreito de Ormuz derruba dólar em mais de 1%; Bolsa fecha em alta após ação do Tesouro pressionar juros futuros Novidade no IRPF 2026, cashback de Imposto de Renda deve beneficiar 4 milhões, entenda Para reduzir o desequilíbrio do mercado, o Tesouro cancelou os leilões de papeis atrelados à inflação e prefixados nesta semana. Ao mesmo tempo, realizou operações de compra e venda de títulos fora do cronograma. Em uma primeira rodada de leilões, o Tesouro comprou 14,8 milhões de títulos de LTN (Letra do Tesouro Nacional) e 2,45 milhões de títulos NTN-F (Notas do Tesouro Nacional Série F), papeis também com juros definidos no momento da compra. Depois, arrematou mais 3,55 milhões de títulos NTN-B, atrelados à inflação. Ao mesmo tempo, vendeu 150 mil desses títulos corrigidos pela inflação. Ações da GPA, dona do supermercado Pão de Açúcar, operam em queda após anúncio de recuperação extrajudicial Na sexta-feira, quando os juros futuros deram um salto, os agentes de mercado relataram uma série de “stop-loss”, um tipo de ordem automática usada por investidores para vender ativos quando as perdas atingem determinado limite para evitar perdas ainda maiores. Isso levou muitos participantes a desfazer posições de uma só vez no mercado de juros. Após os leilões do Tesouro, as taxas recuaram com força. Os juros dos títulos prefixados com vencimento em 2028 caíram cerca de 35 pontos-base, enquanto os papéis que vencem em 2031 recuaram cerca de 40 pontos-base. Já os juros reais, acima da inflação, dos títulos atrelados ao IPCA com vencimento em 2028, caíram cerca de 20 pontos-base. Initial plugin text Segundo o órgão, a última vez em que o Tesouro havia feito uma operação de recompra de títulos foi em dezembro de 2024. Naquele mês, os juros futuros e o dólar dispararam diante de fortes receios relacionados à dinâmica fiscal envolvendo o anúncio do projeto de isenção do Imposto de Renda. O que dizem os analistas? Os ‘stop-loss’ acionados na sessão passada criaram “uma situação de desequilíbrio no mercado, excesso de oferta sem compradores”, disse Luis Felipe Vital, chefe de estratégia macro e dívida pública da Warren Investimentos. Com a operação de recompra, o mercado se reequilibra, “com o Tesouro absorvendo o excesso de vendas”. — A situação do mercado não foi criada pelo Tesouro, mas ele conseguiu ajudar a desatar esse nó — completou Vital. Entenda por quê: Conflito no Irã pode limitar corte da Selic na próxima semana Para Guilherme Rodrigues, gestor de renda fixa na Kinea Investimentos, o cancelamento de ofertas e a realização de operações de recompra “ajudam o mercado a encontrar um preço justo em um movimento de forte aversão a risco”. Vinicius Alves, estrategista da Tullett Prebon, diz que os ‘stop-loss’ na sexta “indicaram a necessidade de prover maior liquidez no mercado”. Conflito no Oriente Médio pode mexer no seu bolso? Guerra põe cortes de juros em dúvida e pode pressionar inflação “Sem dúvidas” a atuação do Tesouro é o principal motivo para a queda dos juros futuros locais, disse Alves, complementando que o ambiente externo também está mais benigno nesta sessão com a queda dos juros ao redor do mundo com alívio visto também nos preços do barril do petróleo.