O ex-ministro da Casa Civil José Dirceu tentou associar o caso do Banco Master a políticos ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro. A declaração ocorreu em São Paulo, durante discurso na festa de seus 80 anos, neste domingo, 15. Sem apresentar provas ou indícios, Dirceu afirmou que a investigação da Polícia Federal (PF) revelaria conexões políticas no episódio. Nesse sentido, o petista citou Bolsonaro, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e partidos como Progressistas e União Brasil. “Quem está do lado, historicamente, do sistema financeiro? O Bolsonaro”, acusou. Leia mais: “ Hotel de luxo aparece em rede de bens ligados a Vorcaro ” Ao tratar do tema, Dirceu criticou o modelo de crédito no país. Segundo ele, o sistema financeiro tolera operações com remuneração elevada e sem base econômica sólida. “O próprio sistema financeiro permite que se empreste a 150% do CDI", afirmou. "Sabendo que isso é um castelo de cartas, uma ilusão.” O caso Banco Master ganhou centralidade no debate político em Brasília depois da Operação Compliance Zero, da PF. A investigação apura suspeitas de fraudes bilionárias no mercado financeiro. https://www.youtube.com/watch?v=CQzLcfBXfGg A PF voltou a prender Daniel Vorcaro, ex-controlador do banco, no início deste mês, na terceira fase da operação, e o transferiu para um presídio federal. Apesar da acusação feita prr Dirceu, o que apareceu até agora sobre Bolsonaro é mais limitado. Mensagens apreendidas pela PF mostram que Vorcaro reagiu com irritação a uma postagem feita pelo ex-presidente no X, em julho de 2024, sobre reportagens que mencionavam o Banco Master e a Caixa Econômica Federal. + Leia mais notícias de Política em Oeste Nas conversas, o então banqueiro afirmou que a publicação ampliou a repercussão do caso nas redes sociais e gerou grande volume de mensagens direcionadas a ele. Vorcaro também xingou Bolsonaro de “idiota” e “beócio”. Investigações do Banco Master citam autoridades A investigação da PF também encontrou, no celular de Vorcaro, referências a autoridades de diferentes campos políticos. As mensagens citam contatos ou encontros com integrantes dos Três Poderes, empresários e agentes do mercado. Essas menções, no entanto, não comprovam que essas autoridades sejam investigadas no caso. Reportagens também mostram interlocução do Master com nomes próximos ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Vorcaro, por exemplo, esteve no Palácio do Planalto em quatro oportunidades desde desde que o petista reassumiu o poder, em janeiro de 2023. Em dezembro de 2024, os dois tiveram uma reunião fora da agenda oficial da Presidência. Além disso, o banco contratou o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, que integrou os governos Lula e Dilma Rousseff, como consultor. A contratação teria ocorrido a partir da articulação do senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado. Entretanto, a assessoria do parlamentar nega participação na contratação. Leia também: “ A mancha que nada remove ”, reportagem de Augusto Nunes e Cristyan Costa, publicado na Edição 313 da Revista Oeste A relação do PT com o Master envolve o governo da Bahia. No Estado nordestino, o governador Jerônimo Rodrigues, que é petista, é alvo de pedido de abertura de Comissão Parlamentar de Inquérito , que visa a investigar a razão de a gestão estadual ter autorizado o pagamento de R$ 50 milhões à instituição de Vorcaro , a fim de, oficialmente, realizar operações de antecipação de precatórios. Dirceu, no entanto, preferiu não comentar esses casos que envolvem PT e Banco Master em seu aniversário de 80 anos. O post Sem provas, Dirceu tenta ligar Bolsonaro ao Banco Master apareceu primeiro em Revista Oeste .