Após 'última sugestão carnavalesca', Paes reacende debate sobre ampliar Grupo Especial

Às vésperas de deixar a Prefeitura do Rio para disputar o governo do estado, o prefeito Eduardo Paes usou as redes sociais para apresentar o que chamou de sua "última sugestão carnavalesca", e reacendeu o debate sobre ampliar o Grupo Especial. A ideia seria ampliar de quatro para cinco o número de escolas de samba desfilando por noite. A proposta, segundo ele, já teria sido levada ao futuro prefeito Eduardo Cavaliere, atual vice, e ao presidente da Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa), Gabriel David. Arcos da Lapa entram em nova restauração com obras de R$ 1,7 milhão Após rebocar ônibus da Prefeitura do Rio em Mesquita, Detro faz acordo para criar linhas experimentais na Baixada Pela ideia de Paes, a extensão de 12 para 15 escolas na elite do carnaval, deveria ser feita com um convite para que agremiações tradicionais hoje na Série Ouro passem a integrar o Grupo Especial. Entre as escolas citadas pelo prefeito estão Estácio de Sá, União da Ilha do Governador e Império Serrano. Na postagem, Paes afirmou que decidiu tornar pública a proposta antes de deixar o cargo porque, caso seja eleito governador em outubro, não pretende exercer o papel de "governante momesco" — função que, segundo ele, cabe ao prefeito da cidade. Assim, disse ter antecipado sua sugestão antes da saída da prefeitura, marcada para próxima sexta-feira. Initial plugin text Procurada pela equipe do GLOBO, a Liesa não se pronunciou até o momento sobre a proposta. O mesmo aconteceu com a Acadêmicos de Niterói, que foi rebaixada do Grupo Especial no carnaval de 2026 e disputará a Série Ouro no próximo ano. Já Hugo Junior, presidente da Liga-RJ, responsável pela Série Ouro, comentou a manifestação de Paes e disse aguardar uma definição sobre: — Fiquei feliz com a iniciativa do prefeito Eduardo Paes. Soubemos pelas redes sociais. Estamos no aguardo da decisão — afirmou Hugo Junior. Vereador rebate acusação da Polícia Civil e diz que depósitos de mais de R$ 100 mil eram prêmio da ONU Repercussão nas redes Nas redes sociais, foliões diviram opinião ao longo desta segunda-feira. Enquanto há quem acredite que a ideia do prefeito seja uma iniciativa positiva para o carnaval do Rio, existe quem entenda que as escolas que deveriam ser chamadas para o Grupo Especial são as primeiras do carnaval 2026 da Série. Logo, além da União de Maricá, campeã da divisão, subiriam o império Serrano, Unidos de Padre MIguel e União da Ilha do Governador. Também existem aqueles que discordam completamente da ideia. Entendendo que a redução do número de escolas e aumento de dias de desfile, deixaram o espetáculo mais confortável para o público que vai até a Avenida acompanhar a competição. Paes e Castro têm novo embate em ano eleitoral: estado reboca ônibus da prefeitura do Rio que ligaria terminal do BRT a Mesquita — Daqui apouco vamos voltar a ver desfiles atravessando os dias. Do jeito que está é menos desgastante para o público e acredito que para todos os evolvidos — disse um internauta. A proposta do prefeito, no entanto, não é inédita. O debate já havia surgido no carnaval de 2025, por exemplo. E em entrevista ao GLOBO, Gabriel David afirmou que não enxergava, no curto prazo a possibilidade de ampliar o Grupo Especial do Rio. Obstáculos Na entrevista, ficou entendido que a ideia acaba esbarrando em uma série de obstáculos. Segundo o presidente da Liesa, na época, a principal barreira esá no impacto financeiro da medida. Ele destacou que a expansão contraria a lógica de previsibilidade orçamentária adotada pelo Grupo Especial. — A gente fala tanto em previsbilidade financeira, em conseguir investir nas escolas... trazer três escolas para dentro, a gente fala em R$ 12 milhões de repasse (para cada), quase R$ 40 milhões a mais — justificou Gabriel, acrescentando que nunca havia ouvido falar de uma negociação nesse sentido dentro da Liesa. Estrutura Além do custo extra, uma eventual ampliação também exigira mudanças estruturais na Cidade do Samba, que atualmente conta com barracões destinados às 12 escolas da elite. O espaço, teoricamente, seria capaz de receber até mais duas agremiações, no entanto, a terceira ficaria em lugar no complexo. A discussão também esbarra em outro ponto: já está em andamento a construção da Fábrica de carnaval Rosa Magalhães. Trata-se de um novo complexo planejado para abrigar agremiações do Grupo de Acesso na região da Estação da Leopoldina. Regulamento Os regulamentos das divisões do carnaval carioca também sofreriam alterações. Em caso de oficialização da proposta, isso exigira negociações entre ligas, escolas e demais envolvidos na organização dos desfiles. Initial plugin text