Moraes mantém prisão de desembargador e medidas cautelares para outros denunciados pela PGR sobre vazamento ao CV

Procuradoria-geral da República denuncia deputado estadual do Rio, Rodrigo Bacellar, e ex-deputado TH Joias O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, manteve nesta segunda-feira (16) a prisão preventiva do desembargador Macário Ramos Júdice Neto, denunciado pela PGR como responsável por repassar informações sigilosas sobre operações policiais contra o Comando Vermelho. O ministro também determinou a notificação de outros quatro denunciados pela Procuradoria-Geral da República por suposta obstrução de investigação relacionada ao vazamento de informações sigilosas para a facção, entre eles o ex-presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar e Thiego Raimundo de Oliveira Santos, o TH Joias. Os denunciados são: Rodrigo Bacellar, deputado estadual do Rio de Janeiro Thiego Raimundo de Oliveira Santos, ex-deputado conhecido como TH Joias Macário Ramos Júdice Neto, desembargador federal Jéssica de Oliveira Santos Thárcio Nascimento Salgado Moraes também manteve medidas cautelares impostas a alguns dos denunciados e determinou que o presidente da Alerj seja comunicados da denúncia para eventual apuração disciplinar de Bacellar. A decisão estabelece prazo de 15 dias para apresentação de defesa prévia antes de o tribunal decidir se aceita ou não a denúncia. Caso a acusação seja recebida, os investigados passam à condição de réus. Segundo a denúncia, ele teria violado o sigilo funcional ao compartilhar dados sobre ações da polícia que estavam em preparação. As informações teriam sido usadas para alertar alvos de investigações, o que teria comprometido operações policiais. A investigação cita, entre outros episódios, a Operação Zargun, deflagrada em 2025 e que tinha como alvo o ex-deputado TH Joias. De acordo com a Procuradoria, o deputado Rodrigo Bacellar teria avisado TH Joias sobre a operação com antecedência, o que teria permitido a retirada de computadores e outros materiais do gabinete do ex-parlamentar na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Após a apresentação das defesas, o STF deverá decidir se aceita ou rejeita a denúncia da PGR. A denúncia A decisão de Moraes ocorre após a Procuradoria-Geral da República (PGR) denunciar ao Supremo Tribunal Federal (STF) o deputado estadual Rodrigo Bacellar (União Brasil), o ex-deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos Silva, conhecido como TH Joias, o desembargador Macário Ramos Júdice Neto e outras duas pessoas por obstrução de investigação relacionada ao vazamento de informações sigilosas para o Comando Vermelho. Para a Procuradoria, Bacellar e TH Joias também teriam usado os cargos públicos para atrapalhar investigações relacionadas à facção criminosa. A denúncia cita especificamente a Operação Zargun,. Segundo o documento, o êxito da operação foi significativamente comprometido pela atuação dos denunciados. Baixe o app do g1 para ver notícias do RJ em tempo real e de graça TH Joias e Rodrigo Bacellar Divulgação LEIA TAMBÉM: Apartamentos na Av. Atlântica e mansão na serra: PF vê indícios de incompatibilidade entre patrimônio e renda de Bacellar Desembargador federal é preso pela PF na 2ª fase da Operação Unha e Carne; Bacellar é alvo de nova busca TH Joias saiu de casa na véspera da operação e deixou tudo revirado; MPRJ investiga vazamento O que dizem os denunciados sobre a denúncia Defesa de Macário Ramos Júdice Neto: "A defesa do desembargador federal Macário Ramos Júdice Neto recebeu com surpresa a denúncia da Procuradoria Geral da República oferecida contra o seu cliente e lamenta que toda a narrativa desenvolvida pela acusação seja fruto de ilações e conjecturas que não se sustentam diante da lógica mais elementar e dos elementos concretamente reunidos ao longo da investigação. De toda forma, Macário se mantém sereno em razão da plena confiança que nutre pelo Poder Judiciário e da certeza de que provará sua inocência no processo." Defesa de Rodrigo Bacellar: "A Defesa do Deputado Rodrigo Bacellar recebe com surpresa a denúncia oferecida pela Procuradoria-Geral da República, uma vez que está baseada em ilações e narrativas repetidamente refutadas, por meio de extensa prova documental. A acusação se traduz numa infrutífera tentativa de esconder arbitrariedades da Polícia Federal, já que NADA foi apurado que pudesse relacioná-lo aos fatos. Por fim, pontue-se, ainda, que foram realizadas medidas cautelares contra os verdadeiros responsáveis pelos vazamentos, o que, uma vez mais, evidencia a plena inocência e afasta o Deputado Rodrigo Bacellar de qualquer conduta ilícita, o que se espera seja brevemente reconhecido e declarado." A GloboNews procurou os demais denunciados, mas não havia recebido resposta até a última atualização desta reportagem.