'Não à guerra e Palestina livre': Javier Bardem explica manifestação no Oscar

Em meio à escala de violência no Oriente Médio — que teve início com o ataque dos Estados Unidos e de Israel ao Irã em 28 de fevereiro —, a 98ª edição do Oscar teve poucas referências políticas. Uma breve fala do ator Javier Bardem chamou a atenção, quando apresentava uma categoria. O espanhol fez uma referência aos ataques ao país persa e ao genocídio sofrido pelos palestinos na Faixa de Gaza, cometido por Israel há mais de dois anos. De 'cutucada' em Trump a piada com Chalamet, confira sete frases marcantes do Oscar 2026 No tapete vermelho do Oscar 2026, artistas usam broche contra guerra e política anti-imigração de Trump Em sua fala para apresentar a categoria de Melhor Filme Internacional, o ator deu início com a frase: "Não à guerra e Palestina livre". Na lapela de seu smoking preto, usava dois broches. Um deles com o menino Handala, um símbolo da luta pela libertação da Palestina diante da opressão e violência cometidas por Israel, que vêm desde os anos 1960 com a constante expansão irregular e anexação de terras. O segundo broche, com o escrito "No a la Guerra” ("Não à guerra", em espanhol) fazia referência ao atual conflito iniciado por EUA e Israel no Oriente Médio. A peça, lembrou Bardem, foi usada por ele na cerimônia do Prêmio Goya, na Espanha, em 2003, ano em que os Estados Unidos, no governo de George W. Bush, invadiu o Iraque. O ator explicou os dois itens da lapela em sua passgem pelo tapete vermelho da premiação. — Estou usando um broche que usei em 2003, durante a guerra do Iraque, que foi uma guerra ilegal. E aqui estamos nós, 23 anos depois, com outra guerra ilegal, criada por Trump e Netanyahu, criando muitos danos. E muitas pessoas inocentes sendo assassinadas e bombardeadas. E também resistência do povo palestino com o Handala, que é um simbolismo de um menino de 10 anos que foi desenhado em 1969 por um palestino, dizendo que, enquanto ele não voltar para sua terra natal, ele não vai crescer. Então, ele ainda tem 10 anos e está esperando para voltar para sua terra — disse Bardem. Também no tapete vermelho, em entrevista à Variety, o ator afirmou que se manifestar durante a cerimônia do Oscar era importante para ele — Acho importante entender, conscientizar, que você pode fazer as duas coisas. Você pode fazer parte da comunidade cinematográfica, que é uma comunidade importante, e também ser um cidadão que usa essa enorme plataforma para denunciar o que considera uma injustiça. Nesse caso, é o genocídio na Palestina, que ainda está acontecendo porque o dito cessar-fogo, até este momento, 600 pessoas foram assassinadas, metade delas crianças. O que está acontecendo em West Bank, os abusos aos direitos civis e direitos humanos. A limpeza étnica que está acontecendo em West Bank é horrível e não estamos falando o suficiente sobre isso — destacou o ator espanhol. Initial plugin text Javier Bardem apresentou a categoria em que concorriam os filmes estrangeiros, em relação aos Estados Unidos. Nela estava "A Voz de Hind Rajab", com direção e roteiro de Kaouther Ben Hania, que remonta o assassinato brutal de Hind Rajab, uma menina palestina de 6 anos que morreu alvejada por tiros de soldados de Israel. Ela e parte da família estavam no carro do tio tentando fugir da Faixa de Gaza, que tem sido cercada e bombardeada pelo governo de Benjamin Netanyahu. A criança e um primo sobreviveram quando o veículo foi atingido num bombardeio. Eles conseguiram entrar em contato com um serviço de emergência para atendimento. A ambulância que atendeu ao chamado e o carro onde estavam as crianças foram alvejados por um tanque sob comando de soldados de Israel que, segundo evidências, disparou 335 tiros. Ninguém sobreviveu ao ataque, inclusive os dois paramédicos que prestavam socorro. No ano passado, a expansão e a escalada de violência propagadas por Israel foram levadas ao Oscar através do filme do cineasta palestino Hamdan Ballal, que saiu com uma estatueta de melhor documentário por “Sem chão”. O longa denuncia os abusos que palestinos sofrem em seu próprio território por parte de israelenses. O prêmio e a visibilidade conquistada não intimidaram colonos e soldados de atacarem o cineasta e sua família nos meses seguintes.