Argentina retoma investigação contra Milei por suposto golpe com criptomoedas

O escândalo em torno de um suposto golpe com criptomoedas promovido pelo presidente argentino Javier Milei em 2025 na rede social X ganhou novo fôlego nesta segunda-feira com a reativação de uma comissão parlamentar para investigar novas revelações da imprensa que implicam o líder libertário. Em meados de fevereiro de 2025, Milei promoveu um projeto de criptomoeda chamado LIBRA na rede X e apagou o tweet logo em seguida. Enquanto isso, o valor da moeda desconhecida disparou e despencou, causando prejuízos de pelo menos US$ 100 milhões para argentinos e estrangeiros. Relembre: criador de criptomoeda $LIBRA disse ter pago suborno à irmã de Milei ao buscar investidores 'Rug Pull': entenda como funciona suposto esquema de fraude de criptomoeda promovido por Milei na Argentina Na época, Milei negou ter promovido a criptomoeda, explicando que "não estava familiarizado com os detalhes do projeto". Mas, em novembro, uma comissão parlamentar presidida pela oposição concluiu que a divulgação de dados da LIBRA no X poderia constituir fraude e atribuiu responsabilidade política pelo caso a Milei e sua irmã Karina, Secretária-Geral da Presidência. O deputado da oposição Maximiliano Ferraro anunciou nesta segunda-feira a formação de uma "comissão ad hoc" de congressistas para investigar as últimas revelações sobre o caso. "O lançamento e a promoção da $LIBRA não foram de forma alguma improvisados ​​ou acidentais por parte do presidente. Foi uma operação planejada, coordenada e premeditada", disse Ferraro, que presidiu a comissão parlamentar que analisou o caso no ano passado. Galerias Relacionadas A imprensa local publicou na semana passada os supostos resultados de uma perícia no celular de um associado próximo de Milei, que revela uma rede de ligações e mensagens entre o presidente, sua irmã e os criadores e promotores da criptomoeda. Segundo relatos da imprensa local, a perícia no celular do empresário do ramo de criptomoedas Mauricio Novelli, identificado como lobista do governo, revelou que ele teria conversado com Milei pelo menos cinco vezes nos minutos que antecederam o lançamento da criptomoeda. A imprensa também publicou um suposto rascunho de acordo entre Milei e o americano Hayden Davis — a figura pública do projeto — que estipula o pagamento de cinco milhões de dólares ao presidente em troca da promoção da criptomoeda. "O que essa evidência revela é claro: um esquema de coordenação direta entre operadores do mundo cripto — operadores muito marginais — e pessoas próximas ao presidente", acrescentou o congressista. Galerias Relacionadas Ferraro, acompanhado por congressistas da oposição, anunciou que apresentará uma denúncia contra o procurador Eduardo Taiano, que investiga o caso LIBRA, perante um tribunal disciplinar "por obstrução da investigação" e "possível acobertamento", e que exigirá que o presidente e Karina Milei "prestem esclarecimentos" perante o Congresso. "A MÁFIA DA MÍDIA. Fim", escreveu Milei no X neste domingo, respondendo a um tweet da deputada governista Juliana Santillán, no qual ela acusava o jornal Clarín de realizar uma "ofensiva coordenada" contra o governo.