A partir de 13 de maio, será possível conferir uma obra da artista plástica brasileira Vivi Rosa na Galeria Nacional de Singapura. Há uma nobre razão para o trabalho da paranaense de 44 anos, nascida em Cascavel, chegar tão longe — ela é finalista do Loewe Foundation Craft Prize, focado em artistas contemporâneos de todo o mundo. Para concorrer no prêmio internacional, que teve mais de 5 mil inscrições, de 133 países, e escolheu apenas 30 finalistas, a artista mostrou uma escultura que leva na composição um material que ela mesma desenvolveu, com vidro, algodão triturado (retalhos da indústria da moda), cimento, cola, entre outros aditivos. Duda Santos conta como ganhou segurança com terapia: 'Perdi o medo de ser eu' Saúde emocional da mulher: dicas para lidar com sobrecarga e estresse diário “Foi muito desafiador escolher apenas uma obra para ser avaliada, então busquei algo que tivesse identificação comigo e com o prêmio”, diz Vivi, que encaminhou ao comitê de análise o trabalho “Ressonância”, uma peça arredondada com “spikes” salpicados pelo comprimento. Escultura "Ressonância", encaminhada para Loewe Craft Prize Reprodução Vivi Rosa teve uma longa jornada até se encontrar como escultora. Chegou a trabalhar como modelo, com marketing político e, antes de dedicar-se às esculturas, passou pela marcenaria, criando de painéis de grandes proporções a design de bares e restaurantes, sobretudo na capital paulista, onde mora há 18 anos. “Tenho pouco medo de me jogar, uma mentalidade quase de criança, que tem coragem de por a mão no fogo”, diz a artista plástica. “Sempre fui mais emocional do que racional e meu trabalho tem a ver com minha memória afetiva, no interior.” Entre os saltos de coragem, está a criação da Casa Ondina, inaugurada em 2018, no bairro do Pacaembu. A residência abre espaço para a exibição do trabalho de outros criadores brasileiros. Airon Martin, à frente da celebrada marca Misci, foi um dos que passaram pelo local, onde chegou a ter um showroom instalado. “Começamos juntos, um apoiando o outro. Ela é uma mulher muito interessante e complexa, consegue pegar diversos materiais inutilizados e transformar em arte. É muito mão na massa”, diz Airon.